“Essa proporção [de contato com desconhecidos] é maior entre os adolescentes mais velhos. Eles são mais ativos e, portanto, mais expostos aos riscos online. Esse contato ocorre principalmente através de redes sociais e mensagens instantâneas, reforçando a necessidade de mediação no uso dessas plataformas”, explicou Luísa Adib, coordenadora da pesquisa TIC Kids Online Brasil.
Outro dado preocupante da pesquisa é o uso excessivo da internet. Cerca de 24% das crianças e adolescentes entrevistados revelaram que gostariam de passar menos tempo online, mas não conseguem. Além disso, 22% disseram que se pegaram navegando na internet sem interesse em nada específico, e a mesma porcentagem afirmou que o tempo excessivo online os impediu de fazer lição de casa ou de passar mais tempo com a família e amigos.
“Esses dados são importantes porque destacam a questão da qualidade e do tempo de uso de telas por crianças e adolescentes, um tema muito debatido atualmente. Apresentamos essas informações para contribuir com esse debate e, a partir dessas evidências, criar orientações e regras que melhorem a qualidade e os benefícios do uso da internet por crianças e adolescentes”, disse a coordenadora da pesquisa, em entrevista à Agência Brasil.
Um estudo recente do Instituto Alana, realizado pelo Datafolha, já havia apontado preocupações similares sobre o uso excessivo da internet entre crianças e adolescentes. Segundo esse estudo, 93% dos entrevistados acreditam que crianças e adolescentess concordava que as crianças e adolescentes estão ficando viciadas em redes sociais; 92% concordam que é muito difícil para crianças e adolescentes se defenderem sozinhas de violências e de conteúdos inadequados para sua idade; 87% concordam que a exibição de propagandas e comerciais para crianças e adolescentes nas redes sociais incentiva o consumo em excesso; e 86% concordam que os conteúdos mais acessados atualmente por crianças e adolescentes não são adequados para a idade deles.
Fonte: O Sul