Conhecida também como “cardiomiopatia induzida pelo estresse” ou “síndrome de Takotsubo”, a síndrome do coração partido ocorre quando os músculos do coração enfraquecem, causando dor no peito e falta de ar. Diferente do infarto, essa condição não é causada pela obstrução das artérias coronárias, mas sim por eventos estressantes.
Durante um episódio da síndrome, o ventrículo esquerdo do coração sofre uma paralisia no ápice e no centro, ficando incapaz de desempenhar sua função adequada. Essa condição é desencadeada pela exposição excessiva a hormônios do estresse, como a adrenalina, produzidos em resposta a fortes emoções, explica o cardiologista Gabriel Gonzalo, do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL).
A síndrome é considerada uma doença de origem psicológica, relacionada à liberação de altas taxas de hormônios na corrente sanguínea. No entanto, pode ser identificada por exames de imagem que mostram que a musculatura dos ventrículos, especialmente o esquerdo, não se contrai corretamente, diminuindo o fluxo sanguíneo.
Normalmente, os pacientes se recuperam em dias ou semanas, mas em casos raros e não tratados adequadamente, a síndrome pode ser fatal devido a complicações como arritmias cardíacas, formação de trombos intracavitários ou insuficiência cardíaca refratária.
Causas da Síndrome do Coração Partido
Segundo Jasvan Leite, cardiologista do Hcor, a síndrome pode ser desencadeada por eventos estressantes e traumáticos, como a morte inesperada de um ente querido, término de relacionamento, demissão, desastres naturais e perda de bens materiais com valor emocional.
“Essas situações provocam um aumento da produção de hormônios do estresse, que podem contrair alguns vasos cardíacos, lesando o coração. Estudos indicam que passar por tais situações pode dobrar a chance de um infarto”, explica Leite.
A síndrome foi descoberta há cerca de 35 anos, mas sua incidência tem aumentado devido ao estresse e sobrecarga emocional do estilo de vida moderno. “Embora a doença tenha origem psicológica, os danos ao coração são físicos e simulam um infarto do miocárdio”, acrescenta Gonzalo.
Mulheres e Idosos São os Mais Afetados
Gonzalo observa que a síndrome é mais comum entre mulheres e idosos. Para as mulheres, fatores hormonais, especialmente durante a menopausa com a diminuição da produção de estrogênio, um hormônio protetor do coração, podem contribuir para essa maior suscetibilidade. Além disso, as mulheres tendem a ser mais sensíveis ao estresse físico e emocional.
Entre os idosos, há um fenômeno conhecido como “efeito viuvez”, que aumenta o risco da síndrome. Um estudo de 2008 mostrou que o risco de morte de um idoso aumenta entre 30% e 90% nos primeiros três meses após a morte do cônjuge, e cai para cerca de 15% nos meses seguintes.
A pesquisa também revelou que a viuvez afeta a saúde dos idosos de maneira não uniforme. Quando o cônjuge morre de morte súbita, o risco de morte do parceiro sobrevivente aumenta, enquanto a morte de um cônjuge por doenças como Alzheimer ou Parkinson não tem o mesmo impacto, possivelmente porque o parceiro teve tempo para se preparar.
Tratamento da Síndrome do Coração Partido
O tratamento varia conforme a gravidade dos sintomas. Gonzalo afirma que medicamentos como diuréticos, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e vasodilatadores podem ser prescritos para enfrentar o problema.
Além do impacto físico, a síndrome pode causar profundos efeitos emocionais, levando a sintomas de tristeza, ansiedade e depressão. Em alguns casos, medicamentos antidepressivos e ansiolíticos podem ser incluídos no tratamento.
Prevenção da Síndrome
Não há uma forma eficaz de prevenção total da síndrome do coração partido. No entanto, adotar hábitos saudáveis pode melhorar a saúde cardíaca. “Manter um estilo de vida saudável, tanto física quanto emocionalmente, e buscar atividades que aliviem a tensão e promovam o autocontrole, como a prática de esportes ou exercícios de relaxamento, é crucial”, conclui Gonzalo.
“Aqueles que enfrentam estresse emocional intenso precisam de uma forte rede de apoio para superar o trauma. É essencial realizar exames específicos para avaliar a capacidade cardíaca. Não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são outras medidas que ajudam a prevenir problemas cardíacos”, acrescenta Leite.
Fonte: CNN Brasil