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Sete meses após enchentes, 50 mil toneladas de lixo ainda não foram levadas para aterros no RS

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Foto: Julio Ferreira/PMPA

A enchente que devastou Porto Alegre em maio deixou um rastro de destruição e cerca de 180 mil toneladas de resíduos espalhadas pela cidade. Mais de sete meses depois, 50 mil toneladas ainda aguardam destinação final em aterros sanitários, segundo o Departamento Municipal de Lixo Urbano (DMLU).

Esforço de limpeza e bota-esperas

A mobilização para limpar a cidade contou com cerca de 4 mil pessoas e demandou um investimento de R$ 200 milhões. Grande parte dos resíduos foi levada para aterros sanitários, mas uma fração permanece em um bota-espera — uma área provisória de armazenamento no bairro Sarandi. Lá, materiais como lonas, telhas, restos de móveis e plásticos aguardam transporte.

O conceito de bota-espera foi adotado pela prefeitura em nove pontos da cidade como uma solução emergencial para lidar com o volume de resíduos. Hoje, apenas o depósito do Sarandi continua em uso. Os resíduos dessa área serão levados para aterros nas cidades de Minas do Leão e Santo Antônio da Patrulha, a cerca de 90 km da capital.

Na última segunda-feira (9), a prefeitura informou que a empresa MCT Transportes foi contratada para transportar os resíduos para Santo Antônio da Patrulha, com prazo de 75 dias para concluir o serviço.

Impacto na população local

O acúmulo de resíduos no Sarandi tem causado desconforto para moradores e trabalhadores da região. Lúcia Ribeiro, que trabalha nas proximidades, relata um odor persistente, especialmente em dias de chuva. “Era limpo, não tinha esse cheiro”, diz ela, lembrando do impacto da enchente em sua empresa.

A educadora Juliana Magnus, também moradora da região, destaca o aumento de moscas. “Gostamos de abrir as portas e janelas para ventilação, mas agora é quase impossível devido à quantidade de insetos.”

Riscos ambientais e críticas ao ritmo de limpeza

Especialistas apontam para os riscos de contaminação ambiental nos bota-esperas. Felipe Viegas, coordenador de Engenharia Civil na PUCRS, alerta que o acúmulo prolongado de resíduos pode gerar chorume, contaminando o solo e o lençol freático. Apesar disso, o DMLU afirma que os resíduos, classificados como não perigosos (Classe II), estão sendo gerenciados adequadamente.

Viegas também critica a demora na remoção dos resíduos. “Seis meses para eliminar 75% do lixo gerado é um prazo excessivo”, argumenta.

Esforços e planejamento para o futuro

Para organizar a resposta a calamidades futuras, a prefeitura criou o Escritório de Reconstrução, que estará em operação até o final de 2024. Entre suas tarefas está a elaboração de um manual de limpeza pós-enchente, que detalhará processos de gestão de resíduos e infraestrutura.

Impacto além de Porto Alegre

A tragédia afetou 472 dos 497 municípios gaúchos, atingindo 2,3 milhões de pessoas. Cidades como Canoas e Muçum enfrentam desafios semelhantes. Canoas, que retirou 400 mil toneladas de resíduos das ruas, afirma já ter concluído a limpeza. Em Muçum, 21 mil toneladas de entulhos permanecem acumuladas desde uma enchente posterior em setembro.

Os esforços de recuperação continuam, com municípios como Muçum solicitando recursos da Defesa Civil Nacional para destinação adequada de resíduos.

A experiência de Porto Alegre e outras cidades reforça a importância de planejamento, execução ágil e transparência no enfrentamento de desastres naturais.

Fonte: G1

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