Safra de trigo do RS sofre quebra de 30% e afeta qualidade e preço
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Safra de trigo do RS sofre quebra de 30% e afeta qualidade e preço

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Ricardo De Martini / Divulgação

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Chuva excessiva, efeito do El Niño, prejudicou o desenvolvimento da planta e dificultou a colheita 

 

O recorde de safra no inverno passado, que resultou em 5,1 milhões de toneladas de trigo colhidas, não se repetirá este ano. A quebra esperada — que ainda pode aumentar devido às condições ruins do clima na reta final do ciclo — afeta não só a quantidade do cereal que está sendo colhido no Estado, mas também a sua qualidade e o preço pago ao produtor pela saca de 60kg.

Conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção desta safra deve cair 30,5% em relação ao ano passado. Já a Emater projeta redução de 27,8% no trigo, com uma colheita estimada em 3,2 milhões de toneladas.

O impacto na produção está associado aos efeitos do El Niño. O fenômeno climático acentua as chuvas na região Sul, prejudicando o desenvolvimento das plantas. Além disso, impede a entrada das máquinas nas lavouras, atrasando a colheita e empurrando o início do cultivo da próxima safra de verão. Segundo a Emater, o percentual colhido chegou a 82% da área plantada na semana passada, depois de muitas interrupções por causa do excesso de chuva.

O tamanho real da quebra terá de aguardar o encerramento da colheita para ser mensurado. Mas já se sabe que será grande, adianta o coordenador da Câmara Setorial do Trigo da Secretaria da Agricultura do RS, Tarcisio Minetto. As dimensões do impacto foram discutidas em reunião da câmara com demais entidades do setor no início de novembro. Segundo Minetto, o encontro foi de tom “bem apreensivo” por parte de todos os elos da cadeia.

Todas as culturas da estação têm dificuldade. A canola deve ser a que terá menos problemas.

É uma preocupação nunca vista em anos anteriores, tanto em termos de produção quanto de mercado— diz o dirigente.

A consolidação se encaminha para ser uma safra “sofrível”, de acordo com o assistente técnico de culturas da Emater, Alencar Rugeri:

É um ano bem complicado, principalmente nesta fase final do trigo, que sofre muita influência do clima. Não é só o volume de chuva que atrapalha, mas a sua persistência, que piora o quadro. A observação tem nos apresentado dados severos que com certeza terão impacto na produção e também na qualidade.

O recorte atual da colheita no Estado indica pouca quantidade de grãos e qualidade baixa. Por causa da umidade constante, o cereal vai perdendo padrões de excelência, deixando de ser um trigo que poderia ser utilizado para a panificação, por exemplo.

Ricardo De Martini, 45 anos, produtor de trigo em Getúlio Vargas, no Norte, precisou ter paciência com o clima para conseguir colher os 30 hectares semeados neste ciclo. Os trabalhos foram encerrados no domingo (12).

A área destinada ao cereal este ano foi inferior aos 90 hectares cultivados no ano passado. Segundo o produtor, porque no início do ciclo de inverno já se alertava para os perigos potenciais do El Niño. Entre os produtores vizinhos, Martini comenta que todos tiveram dificuldade para avançar na colheita. E, o que foi colhido, veio em baixíssima qualidade.

Este ano, a safra está totalmente diferente. Ninguém deu trigo bom até agora, tudo pH (peso hectolitro) inferior a 72, ou seja, quase tudo como triguilho. Vamos ter só resíduo— lamenta o produtor, relatando má qualidade também na cevada, outra cultura do inverno, que “nem para ração está servindo”.

Em Santa Bárbara do Sul, outra tradicional região produtora do norte do RS, Fabiel Belini, 30 anos, iniciou a colheita do trigo no fim de outubro, mas precisou interromper os trabalhos em vários momentos por causa da chuva. A colheita dos 50 hectares de terra, agora finalizada, resultou em qualidade “bem ruim”, avalia. Em 2022, a produtividade na sua área rendeu 70 sacas por hectare na propriedade. Este ano, estima de 10 a 12 sacas por hectare, apenas.

O pH do trigo ficou abaixo do que seria esperado para farinha. Só vai servir para ração— relata o produtor.

Por causa da má qualidade, outra preocupação é a queda do preço. Belini espera algo em torno de R$ 20 pago pela saca de 60kg este ano. Valor que, se o cereal estivesse melhor, poderia ser de, pelo menos, R$ 50.

Quase não paga o diesel — lamenta.

O cenário colocado, portanto, combina dificuldade de mercado e de produção. Presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim alerta para a necessidade de medidas que tranquilizem o produtor que investe na cultura. Entre elas, a manutenção dos mecanismos para garantia de preço mínimo, como os leilões públicos de trigo.

A primeira rodada teve negociação de 64% das 309,6 mil toneladas ofertadas. Uma segunda etapa, na semana passada, resultou em outras 160 mil toneladas arrematadas. O setor ainda trabalha para que o trigo tipo exportação, em geral destinado para a fabricação de ração por causa da qualidade, também possa ser incluído nos leilões.

Temos que trabalhar esta safra como uma exceção. Ano passado, foi exceção pelo recorde e pela altíssima qualidade. Este ano, é mais uma exceção, só que pelo lado contrário. Não tem tecnologia que comporte. Vamos ver o que se pode colher, o que se pode entregar de qualidade, e abrir maior espaço para a exportação— diz Jardim.

 

Fonte: GZH

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John Deere anuncia fabricação de megacolheitadeira, a partir de maio, em Horizontina

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A John Deere realizou nesta sexta-feira, 4, em Campinas, o lançamento de 15 novos produtos, entre eles a megacolheitadeira S7.

No anúncio, os executivos da companhia também revelaram que ela será fabricada no Brasil, na planta de Horizontina, no Rio Grande do Sul, a partir do mês de maio.

O grande diferencial da Série S7 é a automação de colheita, que conta com duas  principais tecnologias. Uma delas é a automação preditiva de velocidade, que conta duas câmeras frontais instaladas na cabine mapeando o terreno até oito metros e meio à frente da  plataforma. As imagens são combinadas a informações de satélites pré-configuradas e são usadas para predizer o rendimento da cultura. Assim, a máquina ajusta a velocidade de colheita de acordo com o rendimento 3,6 segundos antes do corte, mantendo a  alimentação sempre constante, oferecendo 20% mais produtividade. Apesar das automações, a colheitadeira não dispensa a figura do condutor.

“Isso não será uma onda passageira, mais movimentações de atualização do portfólio vão acontecer”, prometeu o diretor de vendas da John Deere no Brasil Horácio Meza. 

A companhia norte-americana não divulgou quanto a máquina custará.

 

Juros altos prejudicam a indústria 

Segundo dados da Abimaq, o setor de máquinas e equipamentos caiu 8,6% em 2024. Antonio Carrere, Vice-presidente de Vendas e Marketing da John Deere na América latina, acredita que esse cenário deve continuar frio em 2025 por conta dos juros elevados no país

“Hoje a gente está vivendo um cenário em que o produtor está pensando muito bem antes de investir o seu dinheiro. Acreditamos que 2025 será muito parecido com 2024 para o setor. Mas estamos sentindo que os produtores de algumas culturas, como café e laranja, já estão investindo um pouco mais”, afirmou.

“Vemos que o setor de tratores, principalmente os menores, que representam 55% desse mercado, está apresentando uma melhora. No setor de colheitadeira a gente vê uma estagnação”, disse Horácio Meza.

 

Brasil no centro da estratégia 

Apesar do cenário de queda, a companhia aponta que o Brasil vai seguir sendo o principal mercado fora dos Estados Unidos.

“Independente deste cenário a gente vê que o mercado Brasil é chave para nós. Os maiores investimentos da John Deere estão vindo pra cá”, reforçou Meza.

Nos últimos anos a John Deere realizou vários investimentos no país: R$ 700 milhões em em adaptações na fábrica na cidade da Catalão, em Goiás e R$ 180 milhões no maior centro de pesquisa e desenvolvimento do mundo, na cidade de Indaiatuba, focada em desenvolver produtos para agricultura tropical. No total, foram R$ 3,3 bilhões investidos nos últimos cinco anos.

A empresa também adquiriu um galpão de 40 mil m2 para duplicar a capacidade de seu centro de distribuição. Os investimentos na construção e o prazo para a entrega do novo espaço não foram divulgados.

 

Conectividade no campo 

Além dos novos equipamentos, a companhia apresentou novos serviços que vão melhorar a conectividade e o uso de dados pelos produtores.

A principal novidade é que os novos equipamentos da companhia já vão vir com um modem instalado, que coleta dados das máquinas, incluindo informações operacionais e agronômicas, que são enviados para um terminal satelital. Em seguida, o terminal transmite essas informações para a nuvem e esses dados ficam disponíveis um uma central, que vai permitir ao agricultor  acessá-los e tomar decisões em tempo real.

Para ter acesso a essa funcionalidade, o agricultor precisará pagar uma licença de uso. O sistema permitirá que máquinas de outras empresas também possam se conectar.

 

Fonte: Dinheiro Rural.

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Agro

Quebra na safra de soja impacta Fronteira Noroeste e Missões, com perdas bilionárias

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A safra de soja nas regiões da Fronteira Noroeste e Missões enfrenta um cenário desafiador nesta temporada. De acordo com estimativas da Emater, a produtividade média deve ficar em torno de 25 sacas por hectare, um número abaixo do esperado pelos produtores rurais. A informação foi confirmada por Valmir Thume, gerente do Escritório Regional da Emater, responsável por acompanhar a situação agrícola nos 45 municípios das duas microrregiões.

O avanço da colheita reforça essa projeção. Até o momento, 10% da safra já foi colhida, e aproximadamente 45% das lavouras estão prontas para a colheita. A partir desses dados, a Emater ajustou suas previsões para apresentar uma estimativa mais realista sobre o desempenho da produção agrícola.

Ao todo, os agricultores da região cultivaram 782 mil hectares de soja nesta safra. No entanto, a forte quebra de 55% na produção traz um impacto econômico expressivo. Segundo cálculos da Emater, as perdas financeiras podem ultrapassar R$ 3,5 bilhões, afetando diretamente a economia local, desde os produtores até os setores que dependem da soja, como transporte, comércio e agroindústrias.

A redução na produtividade é reflexo de diversos fatores, incluindo as condições climáticas adversas enfrentadas ao longo do ciclo da cultura. A falta de chuvas regulares em momentos críticos do desenvolvimento da lavoura comprometeu o enchimento dos grãos, resultando em um rendimento bem abaixo do esperado.

Diante desse cenário, agricultores buscam alternativas para minimizar os prejuízos, como renegociações de dívidas e estratégias para otimizar a comercialização da produção restante.

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Agro

1 Ano de conexão entre o campo e cidade: Podcast A Voz do Agro celebra aniversário

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O PodCast A Voz do Agro, apresentado por Roger Selau, celebrou nesta quinta-feira (20) um ano de histórias, informações e relatos sobre o setor agropecuário. Para marcar essa data especial, um episódio comemorativo foi transmitido diretamente da revenda de veículos da Nicola, em Santa Rosa, contando com um sorteio de um iPhone 15 para os internautas.

Criado em 13 de março de 2024, o podcast surgiu da experiência de Roger Selau na área do agro e da percepção da necessidade dos produtores rurais de terem voz. O programa se propôs a dar visibilidade às histórias de quem trabalha no campo, mostrando os desafios diários da produção de alimentos e aproximando o público urbano da realidade do agro.

Ao longo deste primeiro ano, o PodCast A Voz do Agro superou a marca de 50 episódios, ainda que oficialmente sejam 42, contando com as coberturas de eventos e feiras do setor. Desde o primeiro episódio, que teve como convidado o Sr. Sérgio Luiz Carpenedo, o programa se consolidou como uma referência no meio, impulsionado pelo apoio de empresas como Chevrolet Nicola, e Cresol, contando com um incentivo de Eduardo Nicola (Chevrolet Nicola) e do presidente Vitoldo Scharneck (Cresol).

Um dos momentos marcantes desta trajetória foi a cobertura da primeira Amostra de Azeite e Vinhos, apenas dois meses após o lançamento do podcast. Em 2025, a equipe retornará para acompanhar a segunda edição do evento que ocorre na cidade de Santa Cruz do Sul. Além disso, o programa conquistou reconhecimento ao ser eleito o Melhor Podcast do Ano de 2024 e realizou a primeira cobertura da Fenasoja, durante a emblemática edição dos 100 anos da feira.

Encerrando o primeiro ano com êxito, o podcast também foi homenageado na Fenasoja e iniciou 2025 com a cobertura da ExpoDireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. O planejamento para os próximos meses inclui a participação na ExpoAgro em Santo Cristo e a ampliação da presença em eventos do setor agropecuário.

Com o apoio do Grupo Plural de Comunicação e dos novos patrocinadores, o PodCast A Voz do Agro segue com a missão de compartilhar histórias inspiradoras e valorizar o trabalho dos produtores rurais.

 

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