Esse tipo de transplante é raro no mundo, pois exige grande precisão cirúrgica. “O transplante de tornozelo não é tão comum devido à alta chance de falha, cerca de 30%. Por isso, muitas vezes, opta-se por outros procedimentos para tratar a artrose do tornozelo”, explica Rodrigo Simões, médico ortopedista da Rede Mater Dei, especialista em pé e tornozelo e responsável pelo procedimento.
Para a cirurgia no Brasil, foram utilizados guias de cortes feitos por impressão 3D, projetados especificamente para o paciente usando softwares especializados e imagens de tomografia computadorizada. “Esses guias de corte permitem uma precisão milimétrica, essencial para realizar cortes ósseos adequados e garantir o melhor encaixe da articulação no paciente”, afirma Simões.
Segundo o especialista, a equipe médica passou semanas estudando a tomografia do adolescente e realizando testes para garantir o sucesso do procedimento. “A articulação do tornozelo é extremamente sensível a desvios mínimos; um desvio de 1 ou 2 milímetros poderia reduzir quase 60% do contato entre as articulações, por isso, a precisão era essencial para evitar complicações futuras”, destaca.
Adolescente tinha sonho de voltar a jogar futebol
Vitor, o adolescente que passou pela cirurgia, está em remissão da leucemia há 5 anos, mas os tratamentos deixaram sequelas. “Uma das medicações utilizadas durante o tratamento da leucemia é o corticoide. Quando usado em altas doses e por períodos prolongados, pode causar necrose avascular. No caso do paciente, essa necrose ocorreu no tálus, causando desgaste e dor”, explica Simões.
O jovem relata que tinha três opções de cirurgia, mas escolheu o transplante para recuperar a mobilidade completa da região. O que o motivou, segundo comunicado à imprensa, foi o sonho de voltar a jogar futebol, já que precisou parar de praticar o esporte devido às dores no tornozelo.
“Realizamos o diagnóstico de Vitor em 2020, mas devido à sua idade na época, não podíamos realizar o transplante, pois isso poderia interferir no crescimento do tornozelo”, esclarece o médico. “Naquela época, optamos por uma cirurgia para colocar um espaçador, como uma prótese de cimento ortopédico, para substituir temporariamente o osso, enquanto aguardávamos seu crescimento e encontrávamos um doador compatível”, complementa.
Fonte: CNN Brasil