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Prevenção custa menos e salva vidas: como Brasil deveria aprender com desastre no Rio Grande do Sul
O desastre ambiental que atingiu quase todos os municípios do Rio Grande do Sul não apenas revelou a dimensão da vulnerabilidade do país a eventos extremos, mas também ressaltou a importância crucial dos investimentos em prevenção. Especialistas alertam que, diante da crise humanitária, econômica e social desencadeada, é necessário um novo paradigma de reconstrução: o da “reconstrução preventiva”.
Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostram que 94% dos municípios brasileiros foram afetados por desastres naturais entre 2013 e 2023, com secas e enchentes liderando as ocorrências. Os impactos se estendem por diversos setores, incluindo agricultura, habitação, pecuária, infraestrutura, saúde, educação e emprego.
O Brasil perde, em média, R$ 13,3 bilhões anuais devido a eventos extremos, segundo estimativas do Banco Mundial. Os estados mais afetados incluem Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina. Esses números refletem uma realidade global, com desastres naturais causando danos econômicos significativos em todo o mundo.
A necessidade de investir em medidas preventivas é evidente. Estudos indicam que cada dólar investido em infraestrutura resiliente pode resultar em até quatro dólares em benefícios. Além disso, para cada dólar gasto na redução e prevenção de riscos, até quinze dólares podem ser economizados na recuperação pós-desastre.
No caso do Rio Grande do Sul, os custos, danos e prejuízos são bilionários. O governo estadual estima a necessidade de um “Plano Marshall” para reconstruir a região, com investimentos em reconstrução de pontes, rodovias e outras infraestruturas. O valor total dos danos ainda está sendo avaliado, mas a União já destinou R$ 62,5 bilhões para auxiliar na recuperação.
Especialistas destacam a importância de aprender com a tragédia atual e implementar medidas preventivas em todo o país. Isso inclui investimentos em sistemas antienchentes eficazes, estudos de bacias hidrográficas, monitoramento e previsão de riscos hidrológicos, além do zoneamento de áreas de risco e reassentamento de populações vulneráveis.
Embora os desafios sejam complexos, a lição é clara: a prevenção custa menos do que a reconstrução e pode salvar vidas. É fundamental que o Brasil adote uma abordagem proativa para enfrentar os desafios da crise climática e proteger suas comunidades contra os impactos devastadores dos eventos extremos.
Fonte: Estadão