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Por que os EUA apreenderam um avião oficial usado por Maduro?
Autoridades dos Estados Unidos confiscaram um avião associado ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A aeronave, que estava na República Dominicana, foi transferida para o sul da Flórida.
O Departamento de Justiça dos EUA informou que a apreensão ocorreu a pedido do governo americano devido a “violações das leis de controle de exportação e sanções dos EUA”.
“O Departamento de Justiça apreendeu um avião que alegadamente foi adquirido ilegalmente por US$ 13 milhões através de uma empresa de fachada e contrabandeado para fora dos EUA para ser usado por Nicolás Maduro e seus associados”, declarou o procurador-geral Merrick B. Garland, conforme nota do Departamento de Justiça.
Garland acrescentou que as investigações continuarão “para evitar que os recursos dos EUA sejam usados para comprometer a segurança nacional”.
A apreensão ocorreu pouco mais de um mês após as eleições de 28 de julho, nas quais Maduro foi declarado vencedor, apesar de não ter apresentado as atas de votação e das acusações de fraude feitas pela oposição.
O governo do presidente Joe Biden não reconhece a vitória de Maduro, que foi contestada pelo candidato da oposição, Edmundo González, e pela líder María Corina Machado, que publicaram 81,7% das atas indicando a vitória da oposição.
‘Compra Ilegal’
O Departamento de Justiça detalhou que, no final de 2022 e início de 2023, “indivíduos ligados a Maduro supostamente usaram uma empresa de fachada no Caribe para ocultar sua participação na compra ilegal da aeronave Dassault Falcon 900EX de uma empresa no sul da Flórida”.
Não está claro quando o avião chegou à República Dominicana, mas os dados mostram que ele decolou no dia 2 de setembro do aeroporto de La Isabela, perto de Santo Domingo, e chegou ao aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, pouco depois.
“Desde maio de 2023, o Dassault Falcon, com código de cauda T7-ESPRT, tem voado quase exclusivamente de e para uma base militar na Venezuela, beneficiando Maduro e seus representantes, incluindo o transporte de Maduro em visitas internacionais.”
Em agosto de 2019, o então presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu a Ordem Executiva 13.884, que proíbe os americanos de se envolverem em transações com indivíduos que agiram direta ou indiretamente para o governo da Venezuela, incluindo membros do grupo de Maduro.
‘Uma Mensagem Clara’
“Que esta apreensão transmita uma mensagem clara: aeronaves adquiridas ilegalmente nos EUA para benefício de autoridades venezuelanas sancionadas não podem simplesmente desaparecer,” afirmou o subsecretário de Controle de Exportação do Departamento de Comércio, Matthew S. Axelrody.
“Não importa quão sofisticado seja o jato privado ou quão poderosos sejam os envolvidos, trabalharemos incansavelmente com nossos parceiros, tanto nacionais quanto internacionais, para identificar e devolver qualquer aeronave contrabandeada ilegalmente,” acrescentou.
O procurador federal do Distrito Sul da Flórida, Markenzy Lapointe, destacou que a apreensão foi possível com a colaboração do governo da República Dominicana, que rompeu relações com Maduro após as controversas eleições de julho.
Esta não é a primeira vez que Maduro ou o governo venezuelano são alvos de autoridades federais dos EUA por alegações de corrupção. Em 2020, o Departamento de Justiça acusou Maduro e 14 outras autoridades venezuelanas de narcoterrorismo, corrupção e tráfico de drogas, entre outros crimes.
Fonte: G1