Curiosidades
Por que nossos antepassados não sofriam de cáries? Nova pesquisa explica
Recentemente, foram encontrados dois dentes pertencentes a um homem que viveu há cerca de 4 mil anos, os quais apresentavam uma notável concentração de bactérias associadas à cárie dentária e doenças gengivais. Esta descoberta singular oferece uma oportunidade valiosa para os cientistas compreenderem melhor como as mudanças na dieta humana ao longo do tempo contribuíram para a prevalência das cáries nos dias atuais. Os dentes foram descobertos durante escavações realizadas entre 1993 e 1996, dentro de uma caverna de calcário no Condado de Limerick, na Irlanda. Datados entre 2.280 e 2.140 a.C., pertenciam a um indivíduo que viveu durante a Idade do Bronze, conforme publicado em um artigo no periódico Molecular Biology and Evolution em 27 de março.
Um dos dentes exibia uma quantidade surpreendente de Streptococcus mutans (S. mutans), uma bactéria oral associada à formação de cáries. A presença dessa bactéria no registro genômico antigo é incomum, devido à sua natureza ácida, que tende a degradar o DNA nos dentes ao longo do tempo. Lara Cassidy, autora sênior do estudo e professora assistente no departamento de genética do Trinity College Dublin, sugere que a dieta humana na época, com menos açúcar refinado e alimentos processados em comparação aos dias atuais, pode explicar a raridade dessa bactéria nos dentes antigos. Mudanças significativas na dieta humana ocorreram com o início da agricultura cerca de 10 mil anos atrás, mas foram os últimos séculos, marcados pela popularização do açúcar, que testemunharam alterações significativas.
Embora as cáries tenham sido observadas em outros espécimes dentários antigos, a presença de S. mutans era mínima, até mesmo em dentes mais antigos, no entanto, a frequência de cáries em outros espécimes aumentou após a adoção da agricultura cerealífera.
A análise comparativa das bactérias encontradas nos dentes da Idade do Bronze com amostras modernas revelou uma árvore evolutiva mais complexa do que se imaginava inicialmente. Isso sugere que as bactérias antigas evoluiu juntamente com as mudanças na dieta humana, incluindo a introdução de açúcar e grãos. A compreensão dessas mudanças pode fornecer insights cruciais sobre a prevalência de certas doenças ao longo dos últimos séculos.
Apesar de não serem observadas cáries nos dentes da Idade do Bronze, a abundância de bactérias sugere que o homem teria desenvolvido cáries se tivesse vivido por mais tempo. Além disso, os dentes continham evidências de DNA de uma bactéria associada a doenças gengivais. A diversidade bacteriana nos microbiomas antigos contrasta com os microbiomas modernos, sugerindo uma perda de biodiversidade ao longo do tempo.
Fonte: CNN Brasil