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O que a Olimpíada de Paris já está nos ensinando sobre saúde mental

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Foto: Mike Blake/Reuters

Na Olimpíada de Tóquio, há quatro anos, a ginasta americana Simone Biles, uma das maiores da atualidade, tomou a corajosa decisão de se retirar da competição para cuidar de sua saúde mental. Esse ato destacou a importância de priorizar o bem-estar psicológico, uma mensagem que reverbera ainda mais fortemente hoje.

Desde então, muitos atletas e técnicos têm se aberto sobre suas próprias lutas com a saúde mental, abordando questões como depressão, ansiedade e síndrome do pânico. A crescente transparência sobre esses desafios reflete uma mudança significativa na forma como o sofrimento psicológico é tratado no esporte.

À medida que a Olimpíada de Paris se aproxima, com início marcado para o próximo dia 26, o Comitê Olímpico anunciou a inclusão de instalações para as famílias dos atletas na vila olímpica, uma mudança notável em relação aos Jogos de Tóquio, onde familiares, amigos e patrocinadores eram proibidos de entrar na vila. Durante aqueles Jogos, a ausência das redes de apoio mais essenciais, como a família e os amigos, mostrou-se prejudicial ao bem-estar mental dos atletas.

A decisão de separar atletas mães de seus filhos e afastar os atletas de seus entes queridos durante a competição revelou-se um equívoco. A presença da família e dos amigos é crucial para o suporte emocional, e a experiência de Tóquio demonstrou que isolá-los não contribui para uma melhor saúde mental.

Embora a questão da saúde mental entre atletas não seja nova, ainda há um estigma significativo associado ao tema, semelhante ao que ocorre em ambientes corporativos. O estigma em torno da saúde mental muitas vezes leva a uma negligência dos problemas reais enfrentados por atletas e profissionais em alta pressão.

Profissionais do esporte enfrentam pressões intensas semelhantes às de outros trabalhadores que lutam para atingir metas difíceis. O burnout, a ansiedade e a depressão são problemas que também afetam esses indivíduos, e o estigma em torno desses problemas precisa ser abordado.

Líderes em cargos elevados também enfrentam a pressão de atender às expectativas e alcançar resultados, muitas vezes enfrentando desafios mentais semelhantes aos dos atletas olímpicos. Assim como atletas só chegam a uma Olimpíada após atingir altos padrões, líderes alcançam suas posições por demonstrar competência e resultados, enfrentando a mesma pressão.

Estilos de treinamento opressivos, que assemelham-se ao bullying moral e minam a saúde mental dos atletas, podem ser encontrados também em algumas organizações, afetando negativamente seus colaboradores.

A Olimpíada de Tóquio ensinou a importância de os atletas falarem sobre seu sofrimento e buscarem ajuda. Essas lições estão se refletindo nas mudanças que já estamos vendo em Paris. O que podemos aprender e aplicar em nossos próprios contextos para promover um ambiente de trabalho mais saudável e solidário?

Fonte: Forbes Brasil

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