Expectativas revisadas para o PIB gaúcho
Bruno Lavieri, economista-chefe da 4intelligence, explica que a projeção inicial para o crescimento do PIB gaúcho em 2024 era de cerca de 5%. No entanto, após a tragédia, a previsão foi revisada para uma queda de 1,5%. Atualmente, estima-se que o PIB do estado fique próximo de uma estabilidade, com variação perto de zero. Apesar da recuperação, ele ressalta que o impacto da enchente ainda representa uma redução de cerca de cinco pontos percentuais no crescimento projetado. “Isso é significativo e reflete os efeitos negativos da tragédia”, afirma Lavieri.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, é mais otimista, prevendo um crescimento de aproximadamente 3% para o estado em 2024. Embora abaixo da estimativa pré-enchente, que variava entre 4,5% e 5%, ele destaca a força da reação econômica subsequente. “Apesar da gravidade da enchente, a recuperação foi rápida, com ações importantes para reativar o estado nos meses seguintes”, observa. Ele cita o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que aponta um crescimento acumulado de 2,3% no estado até agosto, embora abaixo dos 3,3% registrados até abril.
Desafios estruturais e impacto setorial
O Rio Grande do Sul já enfrentava dificuldades antes da tragédia de maio. Nos dois anos anteriores, o estado cresceu menos que a média nacional devido a safras agrícolas desfavoráveis. Em 2022, o PIB estadual caiu 1,2%, enquanto o nacional cresceu 3%. Em 2023, a economia gaúcha cresceu apenas 0,3%, frente a 2,9% no país. A expectativa para 2024 era que uma safra forte impulsionasse a recuperação, mas parte dela foi perdida devido às chuvas.
O comércio lidera a retomada econômica, impulsionado por estímulos financeiros, linhas de crédito e repasses dos governos estadual e federal. “As famílias têm consumido alimentos e substituído bens perdidos na enchente, o que reflete no comércio”, explica Lavieri. Contudo, a indústria de transformação, que foi duramente atingida em maio, e o setor de serviços ainda mostram recuperação lenta. Para 2024, estima-se que o setor de serviços no estado tenha uma queda de 2,6%, enquanto a indústria deve crescer 1%, principalmente devido à base comparativa baixa de 2023.
Projeções para o Brasil e o Rio Grande do Sul
Enquanto o PIB nacional deve crescer 3% em 2024, com alta de 3,1% na indústria e 3,3% em serviços, o desempenho gaúcho deve ficar novamente abaixo dessa média. Segundo Lavieri, o estado terá crescimento desigual entre os setores, dificultando um avanço mais expressivo.
Após o momento de reconstrução e reposição de bens, é esperado que o ritmo de crescimento desacelere. No entanto, Sergio Vale alerta para os impactos de longo prazo das mudanças climáticas no estado. “As empresas podem repensar decisões de investimento e localização, buscando áreas menos vulneráveis a enchentes ou secas, que têm se tornado frequentes”, conclui o economista.
Fonte: Jornal o Sul