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‘O Brasil pode liderar a agenda verde global, o mundo anseia por isso’, diz ex-presidente da Irlanda

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À frente da presidência do G-20 e prestes a sediar a COP-30 no próximo ano, o Brasil está sob os holofotes globais, com expectativas de que assuma um papel de liderança nas questões climáticas. Contudo, enfrenta um dilema crítico: abrir ou não novas frentes de exploração de petróleo. Essa é a análise de Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e líder do grupo The Elders, fundado por Nelson Mandela, que reúne figuras globais dedicadas a temas como mudanças climáticas e direitos humanos. Entre seus membros estão o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o colombiano e Nobel da Paz Juan Manuel Santos, e o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon.

Robinson visitará o Brasil no fim de maio para a reunião do conselho do The Elders, onde deve se encontrar com representantes do governo. Em entrevista ao Estadão, durante o Fórum Skoll, em Oxford, ela manifestou oposição à exploração de novos poços de petróleo, como os planejados na Margem Equatorial, próximos à foz do Rio Amazonas. “É necessário parar de subsidiar o que nos prejudica e investir em energia limpa”, defendeu, referindo-se aos incentivos governamentais à indústria do petróleo.

A Crítica aos Países Ricos

Robinson também criticou a atuação dos países ricos no combate às mudanças climáticas. Segundo ela, apesar de políticas climáticas avançadas, na prática, sua implementação é insuficiente. “A União Europeia tem uma boa política, mas os países membros não a seguem plenamente. Estamos longe de cumprir nossas metas até 2030”, destacou, usando a Irlanda como exemplo. Para ela, os subsídios aos combustíveis fósseis, que somam US$ 1,8 trilhão anuais no mundo, são um entrave para o progresso e precisam ser redirecionados.

As Expectativas para o Brasil

Robinson vê no Brasil uma oportunidade única de liderar a agenda climática, impulsionada pela presidência do G-20 e pela realização da COP-30. No entanto, reconhece que o país enfrenta um dilema: equilibrar a necessidade de recursos econômicos, como os gerados pela exploração de petróleo, com o compromisso ambiental. Ela defende que o Brasil pode liderar globalmente mesmo em meio a essas contradições, desde que demonstre vontade política clara e implemente ações concretas. “O mundo quer apoiar o Brasil nesse papel de liderança”, afirmou.

Transição Justa e Dilemas Econômicos

Sobre a exploração de petróleo na foz do Amazonas, Robinson enfatizou a necessidade de uma “transição justa” em dois níveis: para os trabalhadores das indústrias fósseis, que precisam de apoio na migração para setores sustentáveis, e para ampliar o acesso à energia limpa de forma inclusiva. Ela reconhece as limitações enfrentadas pelo governo brasileiro, mas reforça que novas explorações não são compatíveis com os compromissos climáticos. “Sou contra novas explorações de petróleo e gás. A Agência Internacional de Energia é clara: não podemos nos dar ao luxo de começar novos projetos desse tipo”, disse.

O Papel do Brasil na COP-30

Apesar das contradições, Robinson acredita que o Brasil tem potencial para liderar as discussões sobre a eliminação dos combustíveis fósseis na COP-30. A realização do evento em solo brasileiro, aliada à presidência do G-20, coloca o país em uma posição estratégica para influenciar a agenda climática global. “O Brasil tem boas intenções e pode oferecer uma liderança significativa. O mundo espera por isso”, concluiu.

Fonte: Estadão

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