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O Abismo entre a universidade e o mercado de trabalho

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Um estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no último mês chamou a atenção. O documento revela um cenário alarmante sobre a vulnerabilidade dos jovens brasileiros durante a pandemia causada pelo novo coronavírus.

 

De acordo com os dados da pesquisa, a porcentagem daqueles que não estão no mercado de trabalho e também não estão estudando bateu recorde e chegou aos preocupantes 29,33%. Esse número significa que a cada 100 jovens, 29 não estão trabalhando, e nem estudando. O levantamento avaliou o ano de 2020 inteiro e o ápice foi durante o segundo semestre do ano.

Com um olhar mais atento, podemos perceber que a empregabilidade dos jovens — ou a falta dela! — não é um problema pandêmico, mas sim um problema antigo. Mesmo em 2019, um ano antes de estourar a pandemia, 41,8% da população de 18 a 24 anos fazia parte do grupo dos subutilizados, ou seja, estavam desempregados, desistiram de procurar emprego ou tinham disponibilidade para trabalhar por mais horas na semana.

Em números absolutos, já eram 7,33 milhões de jovens brasileiros subutilizados — destes, 4,26 milhões estavam desempregados, em busca de uma colocação —, o maior número já registrado até aquela época desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) começou a ser realizada, em 2012. E esses números podem piorar.

Aqui chegamos ao ponto de inflexão deste artigo. Pode ficar cada vez pior se o abismo entre a universidade e o mercado de trabalho não sofrer mudanças significativas nos próximos anos. Uma pesquisa realizada pela Gallup apresenta esse cenário. Enquanto 96% dos gestores acadêmicos acreditam que a formação acadêmica atual é adequada para suprir as necessidades do mundo do trabalho, apenas 11% dos líderes empresariais, ou seja, quem está na ponta do setor produtivo, acreditam que a formação acadêmica é adequada.

Esse foi um levantamento realizado nos EUA, que sabemos que está muito à frente em termos de educação do que o Brasil. Para termos uma ideia, enquanto os americanos emplacaram em 2021, três universidades entre as cinco melhores do ranking internacional da QS Quacquarelli Symonds, empresa de análise do Ensino Superior, o Brasil só aparece na 121ª posição, com a Universidade de São Paulo (USP). Entretanto, existem pesquisas brasileiras que também apontam esse gap entre academia e trabalho no Brasil.

A Educa Insights elaborou uma pesquisa no primeiro trimestre de 2021 para entender o que os gestores educacionais, estudantes e líderes empresariais pensam sobre o nível de preparo dos recém-formados para exercer sua profissão. Enquanto mais de 60% dos estudantes e gestores acadêmicos acreditam que preparam e estão preparados para exercer as suas profissões, apenas 39% dos líderes empresariais acreditam que o preparo é adequado.

Além disso, a pesquisa destaca que os líderes empresariais acreditam que mais de 70% das faculdades hoje no Brasil ofertam disciplinas muito distantes das necessidades do mercado de trabalho.

E também que mais de 50% dos gestores acadêmicos e estudantes reconhecem ter poucas aulas práticas em suas instituições de ensino, e poucas parcerias com o setor produtivo. As empresas, quem de fato reconhece (ou deveria reconhecer) a qualidade dos serviços educacionais prestados, não estão no seleto hall de relacionamento com a educação.

Por outro lado, quando se questiona aos gestores educacionais se fariam alguma alteração nas suas grades curriculares atuais para melhor adequá-la às demandas do mercado de trabalho, 75% respondem que sim.

Outra pesquisa, esta da empresa de treinamento CMOV — Construindo Carreiras, feita em 2018, revelou que 80% dos universitários brasileiros não sabem o que fazer profissionalmente. Foram entrevistados 2 mil jovens, que também não têm ideia de como se capacitar para o mercado de trabalho.

Todos esses dados não surpreendem, porque são eles que justificam também boa parte da evasão escolar e da falta de empregos, em outras palavras, dessa geração “nem-nem”. Parte disso pode ser explicado pela forma como o sistema educacional ainda funciona e que é totalmente desconectado da nova realidade dos jovens.

Um estudo feito pela Dell Technologies ao Institute For The Future (IFTF), que analisou os impactos das novas tecnologias no mercado de trabalho, constatou que 85% dos trabalhos que existirão em 2030 ainda nem foram inventados, ou seja, eles ainda sequer existem.

É preciso então virar a página da Era do emprego e da empregabilidade, que funcionou de 1960 a 2000. Os alunos não querem mais crescer profissionalmente em uma mesma organização realizando uma única tarefa. E também não podem se dar ao luxo de desenvolver apenas algumas competências técnicas e especializações, pois isso já não é mais suficiente para a nova Era do trabalho.

Sendo assim, torna-se necessário revermos rapidamente os modelos de ensino e aprendizagem atuais e analisar mais profundamente as formas como analisamos as competências técnicas e comportamentais dos alunos. Hoje o jovem não é movido por uma carreira linear, mas por uma carreira exponencial e essa conexão com essas mudanças exige um novo olhar, uma completa avaliação sobre o todo. Diante disso, não há como negar: esse é o futuro, que aliás já começou há tempos.

 

FONTE: TECMUNDO

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Estudo mostra que é possível reverter envelhecimento em ratos com proteína de células humanas

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Uma pesquisa realizada na China conseguiu reverter o envelhecimento em ratos e pode marcar o início do desenvolvimento de medicamentos antienvelhecimento, explicam os pesquisadores

. Os pesquisadores conseguiram estender em até quatro meses a vida dos animais e com qualidade, já que eles tiveram melhora na capacidade cognitiva e física.

No estudo, os pesquisadores focaram em uma molécula chamada miR-302b, que pode ajudar a retardar o processo de envelhecimento. Trata-se de um microRNA, um pequeno fragmento de RNA não codificado, envolvido na regulação genética.Para isso, utilizaram células-tronco embrionárias humanas cultivadas em laboratório.

Nos testes, foram utilizados camundongos vivos com idades entre 20 e 25 meses, equivalentes a cerca de 60 a 70 anos em humanos. Eles foram divididos em três grupos: o primeiro recebeu exossomos humanos normais, o segundo, exossomos carregados com miR-302b, e o grupo de controle recebeu apenas soro. Os testes foram realizados ao longo de dois anos.

Os ratos que receberam os tratamentos em vez da solução salina viveram cerca de 4 meses a mais, em média.

Além disso, eles recuperaram o cabelo que havia se tornado ralo, atingiram um peso maior, conseguiram se equilibrar em uma haste giratória por mais tempo, entre outros resultados positivos em testes de capacidade física.

Fonte: G1

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Anvisa determina que animais não precisarão mais ser usados em testes de vacinas

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Foto: Divulgação
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) introduziu um novo método na 7ª edição da Farmacopeia Brasileira, que substitui o uso de animais nos testes de segurança de medicamentos injetáveis e vacinas. Essa mudança é um marco importante na redução de experimentos com animais e representa um avanço significativo para a causa da proteção animal.

A Farmacopeia Brasileira é o código oficial que define os padrões de qualidade para medicamentos, insumos farmacêuticos e produtos de saúde no país. O novo método, agora incluído na publicação da Anvisa, é baseado em células humanas e chama-se “Teste de Ativação de Monócitos (MAT)”.

Bianca Marigliani, Estrategista Sênior de Pesquisa e Toxicologia da Humane Society International (HSI) Brasil, comemorou a inclusão do MAT na Farmacopeia, destacando que essa ação reforça o compromisso do Brasil em substituir os métodos obsoletos que envolvem animais, como o teste para liberação de vacinas e outros medicamentos.

O MAT é uma alternativa eficaz ao antigo Teste de Pirogênio em Coelhos (RPT), desenvolvido na década de 1950, e é capaz de detectar pirogênios – substâncias que podem causar febre – com mais precisão, refletindo melhor as reações do corpo humano. Com isso, coelhos não serão mais necessários para os testes de avaliação de segurança de vacinas e outros medicamentos injetáveis.

Essa mudança segue o reconhecimento do MAT pelo CONCEA em 2019 e coloca o Brasil alinhado com países como os da Europa, Índia, China e Japão, que já utilizam o método. Além de contribuir para a segurança dos pacientes, essa iniciativa também representa um avanço importante no bem-estar animal e no alinhamento regulatório global para testes de biofármacos e vacinas.

Fonte: Só notícia boa

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Papai Noel com síndrome de Down representa a solidariedade em bairro do RS afetado por enchentes

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Foto: Divulgação
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Em um bairro de Caxias do Sul, na Serra gaúcha, um Papai Noel com síndrome de Down tem sido um símbolo de união e esperança para a comunidade de Galópolis. A região foi severamente atingida pelos deslizamentos de terra durante as enchentes de maio, que causaram mortes e deixaram muitas famílias fora de casa.

No bairro, moradores criaram a “Magia de Natal no Vale Iluminado”, com diversas atrações, e Jonas Echer, um metalúrgico de 36 anos com síndrome de Down, é o responsável por ouvir os pedidos das crianças. Apaixonado pelo Natal desde sempre, Jonas sempre sonhou em ser o Papai Noel.

Durante as noites de Natal, Jonas, com seu sorriso acolhedor, recebe as crianças na casa do Papai Noel. Ele se dedica a atender com carinho cada pedido. Para Jonas, esses pedidos e o carinho das crianças são uma verdadeira fonte de alegria. “Eu amo ser Papai Noel! Isso enche meu coração de felicidade”, afirma ele.

Galópolis, localizada a 12 km do centro de Caxias do Sul, é uma região histórica, que surgiu com a imigração italiana e se desenvolveu em torno de uma fábrica de tecelagem, fundada em 1892. O nome do bairro é uma homenagem ao empresário italiano Ércole Galló. Além das decorações natalinas, os moradores também enfeitaram os prédios e, um deles transformou o carro em um trenó, conduzindo um passeio pelo vale iluminado.

Fonte: G1

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