Atualmente, o país registra uma média de nove casos de violência contra médicos por dia, segundo o CFM. “Os dados mostram que a situação está cada vez mais fora de controle, com o volume de queixas aumentando ano após ano. O recorde foi batido em 2023, mas os dados completos de 2024 só serão conhecidos no próximo ano”, afirmou o CFM em nota.
Ocorrências
Ao todo, foram registrados 38 mil boletins de ocorrência envolvendo médicos como vítimas de ameaça, injúria, desacato, lesão corporal e difamação dentro de unidades de saúde, hospitais, consultórios, clínicas, prontos-socorros e laboratórios. O levantamento revelou que 47% desses registros são contra mulheres. Há também registros de mortes suspeitas de médicos dentro de estabelecimentos de saúde.
Recorde
Em 2013, foram registrados pouco mais de 2,7 mil boletins de ocorrência desse tipo no país. Dez anos depois, em 2023, o número atingiu 3,9 mil casos, o maior da série histórica. “Isso significa que, em média, apenas no ano passado, foram registrados 11 boletins de ocorrência por dia devido a situações de violência contra médicos no local de trabalho”, destacou o CFM.
Autores
Os dados mostram que 66% dos casos ocorrem em municípios do interior do Brasil. A maioria dos atos violentos é cometida por pacientes, familiares de pessoas atendidas e desconhecidos. Há também casos de ameaça, injúria e lesão corporal cometidos por colegas de trabalho, incluindo enfermeiros, técnicos, servidores e outros profissionais de saúde.
Estados
São Paulo, a unidade federativa com o maior número de registros médicos do país (26% do total), contabilizou quase metade dos casos de violência em termos absolutos – 18 mil dos 38 mil registrados no Brasil. No estado, a média de idade dos médicos que sofrem violência é de 42 anos, e cerca de 45% dos registros são contra médicas. Em São Paulo, 45% dos ataques a médicos ocorreram dentro de hospitais, seguidos por postos de saúde (18%), clínicas (17%) e consultórios (9%). O restante ocorreu em laboratórios, casas de repouso e outros tipos de estabelecimentos.
O Paraná, que aparece como o quinto estado com o maior número de médicos, é o segundo no ranking de violência contra profissionais em estabelecimentos de saúde, com pelo menos 3,9 mil casos registrados entre 2013 e 2024. Curitiba concentra 12% dos registros.
Minas Gerais, o segundo estado com o maior número de médicos do Brasil, está em terceiro lugar no ranking de violência contra médicos, com 3.617 boletins de ocorrência registrados, sendo 22% deles na capital Belo Horizonte.
O Rio Grande do Norte não forneceu as informações solicitadas a tempo e o Acre informou não ter os dados em sua base. Mato Grosso e Paraná informaram dados relativos à violência em hospitais e clínicas médicas contra qualquer profissão. O CFM estimou que 10% desses casos envolveriam apenas médicos. Estimativas semelhantes foram feitas no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde os dados fornecidos não especificam a profissão da vítima ou o local da ocorrência.
Fonte: Agência Brasil