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Muralha na água e parceria com a Nasa: o que é feito no País contra o avanço do nível do mar

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Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Grandes cidades litorâneas brasileiras correm o risco de serem inundadas nas próximas décadas se o aquecimento global continuar no ritmo atual. Essas localidades estão adotando medidas de prevenção e mitigação dos possíveis danos.

Os planos de ação incluem desde a redução de emissões de gases até a instalação de sistemas de monitoramento e alertas para eventos extremos. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma parceria com a NASA foi estabelecida para monitorar e antecipar o avanço do mar. Outras cidades em risco incluem Fortaleza (CE), Salvador (BA), Recife (PE), Porto Alegre (RS), São Luís (MA) e Santos (SP).

Organizações científicas internacionais projetam que a temperatura da Terra aumentará 1,5ºC até 2050, podendo chegar a 3ºC até o final do século, acelerando o derretimento das geleiras e elevando o nível do mar. Dados da Organização Meteorológica Mundial indicam que o aumento médio do nível do mar nos últimos dez anos foi mais do que o dobro da taxa registrada entre 1992 e 2002.

Medidas nas Cidades

Rio de Janeiro: Estudos indicam que áreas como Barra da Tijuca e Baixada de Jacarepaguá correm risco de alagamento. A prefeitura, em colaboração com a NASA, desenvolve políticas para lidar com essas mudanças, com destaque para o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS).

Recife: A prefeitura está criando o Parque Alagável do Rio Tejipió, alargando a calha do rio para evitar inundações. Além disso, o Projeto Orla Parque visa manter áreas adjacentes às praias livres de construções, reduzindo os prejuízos em caso de avanço do mar.

Fortaleza: Um lago subterrâneo está sendo construído sob a Avenida Heráclio Graça para conter alagamentos. O projeto inclui um sistema de drenagem para armazenar e escoar a água das chuvas.

Santos: A cidade instalou barreiras de geobags na Ponta da Praia para evitar que as ressacas avancem sobre áreas urbanas. O projeto será expandido para outras praias, em parceria com a Autoridade Portuária de Santos.

Salvador: A capital baiana está desenvolvendo um plano para enfrentar a elevação do nível do mar, com metas de neutralidade de emissões de gases de efeito estufa até 2049. A cidade também conta com um centro de monitoramento para emergências climáticas.

Porto Alegre: A prefeitura lançou o Plano de Ação Climática para reduzir emissões de gases e adaptar a cidade às mudanças climáticas. Medidas incluem o uso racional da água e a proteção das áreas verdes.

Pesquisadores destacam a necessidade de planos mais ambiciosos e adaptativos. É importante investir em infraestrutura que facilite a infiltração da água e considerar a relocação de populações em áreas críticas. A ciência e a engenharia devem trabalhar juntas para desenvolver soluções eficazes.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima está elaborando um novo Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que inclui estratégias de mitigação e adaptação. O projeto AdaptaCidades visa fomentar a elaboração de planos de adaptação em 260 municípios.

O avanço do nível do mar representa um desafio significativo para o Brasil, exigindo ações coordenadas e colaborativas entre governos, cientistas e a sociedade civil. Medidas preventivas, planejamento urbano sustentável e investimentos em infraestrutura são essenciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas nas áreas costeiras.

Fonte: Estadão

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