O estudo destacou que o aumento nas taxas de mortalidade entre mulheres negras resulta de fatores sociais e econômicos, como acesso limitado a cuidados de qualidade, educação inferior e renda mais baixa. Mesmo após ajustes para essas variáveis, a cor da pele negra continuou associada a um maior risco de complicações como hipertensão na gravidez, aumentando os riscos de mortalidade materna.
Entre 2017 e 2022, a taxa de mortalidade materna foi mais elevada entre mulheres pretas, alcançando 125,8 mortes por 100 mil nascidos vivos, em comparação com 64 mortes entre mulheres pardas e brancas. Essa tendência persistiu durante a pandemia de Covid-19, abrangendo todas as regiões do Brasil, com maior incidência no Norte, onde a taxa atingiu 186 mortes por 100 mil nascidos vivos entre mulheres negras.
O estudo também revelou que, mesmo dentro de grupos vulneráveis, as mulheres pretas enfrentam maior risco de mortalidade do que as mulheres pardas, exceto na região Norte. Essas descobertas destacam a necessidade urgente de políticas públicas e intervenções direcionadas para mitigar as disparidades e proteger a saúde das mulheres negras durante e após o período gestacional.
Os pesquisadores planejam agora analisar bases de dados nacionais adicionais sobre mortalidade materna para identificar padrões mais específicos e embasar intervenções mais eficazes, visando reduzir essas mortes evitáveis.