À medida que se aproxima do final do seu mandato, o governador Eduardo Leite prepara alterações no secretariado e reflete sobre seu futuro político em 2026. Cada vez mais inclinado a adiar seus planos presidenciais, Leite tem como prioridade incorporar ao governo a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, amiga pessoal e sucessora de Leite na prefeitura em 2017. Ela concluirá seu segundo mandato em dezembro e já recebeu o convite para integrar o secretariado, embora o cargo ainda não tenha sido definido.
No atual cenário político do governo, Leite possui poucas opções para mudanças nos 28 cargos do primeiro escalão. Recentemente, fez alterações em cinco secretarias (Agricultura, Comunicação, Desenvolvimento Rural, Turismo e Esporte), mas não planeja mexer nas pastas controladas pelo MDB e PP, que são essenciais para a base de apoio na Assembleia Legislativa. Aproximadamente metade do governo é composta por quadros técnicos, o que limita ainda mais as possibilidades de mudanças.
Uma das opções para Paula é a Secretaria de Educação, atualmente sob a responsabilidade de Raquel Teixeira, ex-deputada federal que ocupa o cargo desde 2021. Outra possibilidade é a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, ou a de Sistemas Penal e Socioeducativo, onde ela poderia aplicar sua experiência com o programa Pacto pela Paz, que ajudou a reduzir a violência em Pelotas. Paula considera a Secretaria de Justiça mais alinhada com seu perfil político, mas isso implicaria na perda de espaço do União Brasil, um parceiro político importante.
A definição do cargo de Paula Mascarenhas ocorrerá após o retorno de Leite de uma viagem oficial ao Japão, prevista para o dia 28 de novembro. Outra figura que deve integrar o governo é o prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom, que, após eleger seu sucessor, tem conversado com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, sobre sua entrada no governo em 2025.
Quanto ao seu próprio futuro político, Leite tem refletido sobre os planos para 2026. Após perder a prévia tucana e ver seus planos de candidatura presidencial em 2022 fracassarem, ele considera encerrar seu mandato como governador sem se lançar novamente ao cargo em 2026. Leite tem declarado que só aceitaria uma nova candidatura presidencial se tivesse uma estrutura sólida para enfrentar as máquinas políticas de Lula e Bolsonaro.
Embora seja cogitado para o Senado, Leite descarta essa possibilidade, afirmando não ter vocação para o Legislativo. Com vários convites do setor privado para atuar como executivo após o fim do mandato, Leite está considerando morar em São Paulo, onde recentemente comprou um apartamento no bairro Pinheiros.