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Jogo de 2026 depende da decisão de Lula sobre candidatura, mas cada um no PT diz uma coisa
A cirurgia realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na madrugada desta terça-feira (10) trouxe à tona discussões sobre a sucessão presidencial de 2026. Antes mesmo de Lula passar pelo procedimento para drenar um hematoma causado por hemorragia intracraniana, o tema já agitava os bastidores políticos e econômicos.
Dentro do PT, não há consenso sobre a possibilidade de Lula disputar um quarto mandato daqui a dois anos. A incerteza é reforçada por declarações contraditórias do próprio presidente, que costuma adaptar suas afirmações ao interlocutor. O partido até criou uma metáfora para seu estilo: “Lula é como a Bíblia: cada um interpreta como quer.”
Completando 45 anos em 2025, o PT depende de Lula para sustentar seu projeto de poder. Parte dos dirigentes defende com veemência sua candidatura, argumentando que sua idade — ele terá 81 anos em 2026 — não deveria ser motivo de preconceito. Esse grupo acredita que Lula está decidido a concorrer, sobretudo porque nunca permitiu que outro líder do partido ocupasse seu lugar no protagonismo político.
Outra ala, no entanto, adota uma postura mais cautelosa, destacando que a decisão de Lula dependerá não apenas de sua saúde, mas também do desempenho do governo e da economia nos próximos anos. Esse grupo já previa a necessidade de um “plano B” antes mesmo do acidente no Palácio da Alvorada, em outubro, que resultou na queda e no hematoma do presidente.
Embora a recuperação de Lula pareça promissora, cresce entre os petistas a especulação de que ele poderia começar a construir alternativas para sua sucessão. Em junho, Lula declarou que deseja concorrer novamente para impedir que “trogloditas” voltem ao poder. Porém, no mês passado, disse que espera não ser necessário se candidatar: “Eu não preciso ser o candidato.”
Nesse cenário, o nome mais cotado é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em 2018, quando estava preso, Lula inicialmente preferia Jaques Wagner como candidato, mas diante da recusa do ex-governador da Bahia, apontou Haddad como seu sucessor natural. Desde então, a proximidade entre Lula e Haddad se intensificou, apesar das críticas internas que o ministro enfrenta dentro do partido.
No contexto político brasileiro, onde até o passado é incerto — como dizia Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda —, a sucessão de 2026 ainda está em aberto. A esquerda não tem candidato definido, Jair Bolsonaro (PL) está inelegível até 2030 e tenta manter sua influência sobre a direita, enquanto o centro permanece apático.
Lula sabe que a disputa pelo comando do país começará a esquentar em 2024, quando se inicia a segunda metade de seu governo. Contudo, é sua decisão de ser ou não candidato que determinará os movimentos do tabuleiro político. Até lá, todos os partidos permanecem atentos, esperando o desfecho desse jogo. Como diria Chacrinha, “o programa só acaba quando termina.”
Fonte: Estadão