Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego analisaram os dados de um grupo de 890 pessoas, incluindo 357 homens e 533 mulheres. Os hábitos alimentares dos participantes foram minuciosamente examinados, e eles realizaram testes cognitivos. Os resultados mostraram que as mulheres que consumiam ovos apresentavam um menor declínio na fluência verbal ao longo do tempo, com uma capacidade superior de nomear categorias de itens, como animais, em comparação com aquelas que não consumiam o alimento.
Resultados semelhantes foram observados em outros estudos. “Embora os pesquisadores enfatizem a necessidade de mais investigações para confirmar esses achados, algumas substâncias presentes no ovo têm sido associadas a efeitos benéficos para o cérebro”, afirma a nutricionista Serena del Favero, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Um dos nutrientes a ser destacado é a colina, uma vitamina do complexo B encontrada na gema. Ela é fundamental para a síntese de acetilcolina, um neurotransmissor que desempenha um papel importante na regulação da aprendizagem e da memória.
Além disso, o ovo contém luteína e zeaxantina, dois carotenoides que possuem forte ação antioxidante. “Essas substâncias ajudam a proteger o cérebro do estresse oxidativo e da inflamação”, explica a nutricionista. Assim, elas atuam como guardiãs dos neurônios e de outras estruturas cerebrais.
Embora a colina, luteína e zeaxantina sejam essenciais para as funções cognitivas, o ovo também oferece outras vantagens. Seu conteúdo proteico é bastante apreciado. Embora a gema contenha uma quantidade menor de proteína, a clara é rica em aminoácidos, que são os componentes básicos da proteína, responsáveis por proteger o embrião em desenvolvimento dentro do ovo.
Em nosso corpo, as proteínas são fundamentais para a formação de tecidos e órgãos, contribuindo para a saúde de unhas, cabelos e pele, além de serem essenciais na construção e reparação muscular.
Sobre o colesterol
Se hoje o ovo é amplamente aceito, sua história foi diferente. Na década de 1970, foi excluído de muitos cardápios por ser acusado de aumentar o risco de doenças cardiovasculares, devido à sua alta concentração de colesterol.
Somente nos anos 2000 é que estudos revelaram que apenas uma pequena parte do colesterol no corpo provém da dieta, sendo cerca de 70% produzido pelo fígado. “A ciência demonstrou que, para a maioria das pessoas, o colesterol dietético tem pouco impacto nos níveis circulantes”, afirma Serena del Favero.
Atualmente, entende-se que o excesso de gorduras saturadas e trans — presentes em carnes, óleo de coco, biscoitos recheados, entre outros — é o que pode elevar o LDL, o colesterol ruim, e prejudicar as artérias.