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Implante sob a pele é nova aposta para evitar gravidez em adolescentes
O governo do Rio inaugurou na quinta-feira, 3, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Jornalista Susana Naspolini, na zona sul da capital, que vai abrigar o Projeto Acolhe, uma iniciativa inédita de prevenção da gravidez não planejada. A grande novidade é que, além dos métodos de contracepção disponibilizados amplamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), um implante contraceptivo subdérmico será oferecido a adolescentes. Ele é reconhecido pela baixíssima taxa de falha.
“Uma gravidez não planejada, principalmente na adolescência, afasta a menina da vida escolar e de uma carreira futura”, disse o secretário da Saúde do Rio, Luiz Antônio Teixeira, conhecido como Doutor Luizinho, ao Estadão. A taxa de gravidez na adolescência no Brasil está acima da média mundial. A gestação não planejada nessa fase da vida está associada à pobreza e evasão escolar.
A Secretaria anunciou que o atendimento será destinado a adolescentes de até 19 anos. Mas, segundo a ginecologista Ana Teresa Derraik, que já desenvolveu projeto semelhante em 2016, no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, a ideia é atender o maior número de jovens possível, independente de recorte etário. Segundo a médica, que é fundadora do Nosso Instituto, ong que trabalha pelos direitos sexuais e reprodutivos, os grandes pilares do projeto são informação sobre contracepção e gravidez às mulheres e a promoção do acesso ao implante e a outros métodos contraceptivos. Ela observa que, mesmo quando esses recursos estão disponíveis no SUS, contar com eles não é tão simples.
Isoladamente, a idade não contraindica qualquer método contraceptivo, de acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define que a jovem, independente da idade, tem direito de autonomia e confidencialidade nos consultórios médicos – desde que haja consciência (informação) e consentimento. A Febrasgo recomenda que, para menores de 16 anos, haja autorização dos pais antes da prescrição.
Iniciativa inédita
Segundo o secretário do Rio e especialistas ouvidos pelo Estadão, é a primeira vez que o implante contraceptivo subdérmico, de nome comercial Implanon, é disponibilizado para esse grupo etário de forma mais abrangente pela rede estadual. Em 2021, o implante foi incluído no SUS, mas com indicação para uso em um grupo específico de mulheres em situação de vulnerabilidade (em situação de rua; com HIV/AIDS e em uso de dolutegravir; em uso de talidomida; privadas de liberdade; cis trabalhadoras do sexo; e em tratamento de tuberculose, usando aminoglicosídeos). “Decidimos ampliar o foco”, diz Luizinho.