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IA pode identificar AVC com o dobro de precisão, mostra estudo
Um modelo inovador de inteligência artificial (IA) promete revolucionar o tratamento de acidentes vasculares cerebrais (AVC), ao identificar com maior precisão o momento em que o derrame ocorreu e avaliar se os danos podem ser revertidos. O estudo foi publicado na revista científica NPJ Digital Medicine, vinculada à Nature, no início de dezembro.
Desenvolvimento e precisão do software
O software foi desenvolvido por pesquisadores do Imperial College London (Reino Unido), da Technical University of Munich (Alemanha) e da Edinburgh University (Escócia). Seu grande diferencial é a capacidade de determinar o início do AVC e a reversibilidade do dano, dois dos maiores desafios no tratamento de pacientes que sofreram derrame.
Segundo o estudo, o software é duas vezes mais preciso que o método convencional, que envolve a análise de tomografias computadorizadas por médicos especializados. O modelo tradicional baseia-se na observação de áreas mais escuras nas imagens, indicando a extensão do dano cerebral.
O que é um AVC?
O AVC ocorre quando há interrupção na circulação sanguínea no cérebro, seja por obstrução (AVC isquêmico) ou por rompimento de um vaso (AVC hemorrágico). Essa interrupção provoca a morte rápida das células cerebrais, e o sucesso do tratamento depende diretamente da rapidez com que ele é iniciado.
Conforme explica Paul Bentley, do Departamento de Ciências Cerebrais do Imperial College, os tratamentos são mais eficazes em um período limitado de tempo:
- Até 4,5 horas: Pacientes podem receber medicamentos e intervenções cirúrgicas.
- Até 6 horas: Apenas tratamentos cirúrgicos são indicados.
- Após esse período, avaliar a reversibilidade do dano se torna mais complexo.
“É crucial que os médicos saibam o momento exato do início do AVC e se os danos podem ser revertidos, pois isso determina quais tratamentos serão benéficos”, ressalta Bentley.
Como funciona a IA?
O algoritmo foi treinado em 800 exames cerebrais com horários conhecidos do AVC. Ele analisa automaticamente as áreas afetadas no cérebro, avaliando características como textura e variações internas das lesões, para estimar o tempo do derrame e sua gravidade.
Em testes com cerca de 2 mil pacientes, o software se mostrou duas vezes mais preciso que o método visual tradicional. Além disso, ele conseguiu estimar a “idade biológica” das lesões, indicando se ainda há chance de reversão.
Impacto na prática médica
O uso do software pode aumentar significativamente o número de pacientes tratados de forma adequada. De acordo com Adam Marcus, autor principal do estudo, até 50% mais pacientes poderiam se beneficiar de tratamentos graças à precisão da IA.
“Nosso software oferece informações cruciais em emergências, ajudando médicos a decidir rapidamente os tratamentos mais adequados. Além de ser mais preciso que os métodos atuais, ele é totalmente automatizado, agilizando o diagnóstico quando o AVC se torna visível em exames de imagem”, afirma Bentley.
O objetivo é implementar o software no sistema de saúde britânico (NHS), integrando-o a ferramentas analíticas já existentes, ampliando o acesso a um diagnóstico mais eficiente e salvando mais vidas.
Fonte: CNN