O tribunal de Avignon, presidido por Roger Arata, declarou Pelicot culpado de estupro agravado. Todos os outros 50 réus também foram condenados, com penas variando entre três e 15 anos de prisão. As condenações totalizaram 428 anos de prisão, segundo a AFP. A advogada de Dominique, Beatrice Zavarro, afirmou que ele está considerando recorrer da sentença. Dominique e os outros réus têm até 10 dias para apresentar recurso.
As penas para os outros 50 réus foram menores do que o esperado, com a mais leve sendo três anos de prisão, sendo dois com liberdade condicional, e a mais severa, 15 anos de detenção. Os ativistas feministas presentes manifestaram decepção com as sentenças, e os filhos de Gisèle também expressaram descontentamento.
Gisèle Pelicot, que exigiu um julgamento público para “fazer a vergonha mudar de lado”, agradeceu o apoio recebido e afirmou que sua luta é pelos filhos e netos. Ela confia em um futuro melhor, onde homens e mulheres convivam com respeito mútuo.
O julgamento começou em 2 de setembro em Avignon. Dominique confessou ter dopado a mulher por 10 anos e convidado mais de 70 homens para estuprá-la, registrando quase 200 estupros. Gisèle só descobriu os estupros após a prisão de Dominique em 2020 por importunar sexualmente três mulheres. A polícia mostrou a ela fotos e vídeos encontrados no computador do marido.
Durante o julgamento, Dominique admitiu que dava tranquilizantes a Gisèle sem seu conhecimento, misturando-os na comida e bebida, e convidava homens através de um site de encontros para estuprá-la. Os estupradores eram instruídos a não acordá-la e tiravam a roupa na cozinha para evitar deixá-la no quarto do casal. Dominique filmava os crimes e não cobrava dinheiro em troca.
Dos 50 réus, alguns alegaram desconhecer que Gisèle estava drogada, enquanto Dominique afirmou que todos sabiam. O julgamento revelou também que Dominique tinha fotos nuas de sua filha Caroline, que abandonou a sala de audiência ao descobrir.
Outro réu, Jean-Pierre Marechal, afirmou ter copiado o método de Dominique para estuprar sua própria esposa. Marechal também se tornou réu no caso, apesar de não ter abusado de Gisèle.
Na última audiência, Dominique pediu perdão à família e elogiou a coragem de Gisèle por tornar o caso público. A promotora Laure Chabaud pediu a pena máxima de 20 anos, que foi acatada pela Justiça. A maioria dos outros réus foi acusada de estupro agravado, com penas entre 10 e 18 anos.
Fonte: G1