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Governos estadual e federal investiram apenas 5,5% do previsto na recuperação de rodovias do RS até agora
Desde a enchente de maio no Rio Grande do Sul, os governos estadual e federal investiram cerca de R$ 237,9 milhões na recuperação de rodovias gravemente afetadas pela tragédia. Esse montante representa apenas 5,5% dos R$ 4,3 bilhões inicialmente projetados para essa finalidade. Segundo o governo estadual, a chuva e as cheias de rios afetaram aproximadamente 13,7 mil quilômetros de estradas no Estado, incluindo 5.288 quilômetros de rodovias federais e 8.434 quilômetros de trechos estaduais. Mais de cinco meses após o evento, ainda há 47 pontos com bloqueio total ou parcial, e tanto o governo estadual quanto o federal preveem um prazo de até dois anos para a recuperação total da malha rodoviária.
Estado tem 30 trechos prioritários
A maioria das estradas afetadas pela enchente é administrada pelo estado. Em junho, o governo estadual identificou 30 trechos prioritários para restauração, utilizando critérios como a condição da rodovia, tempo adicional de deslocamento, número de pessoas afetadas, impacto na economia local, saúde, mobilidade urbana e volume de tráfego. O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) estima investir cerca de R$ 3 bilhões na recuperação desses trechos, com recursos provenientes do Funrigs, o fundo criado para centralizar recursos destinados à reconstrução.
Até o momento, o governo estadual investiu R$ 117,7 milhões nas rodovias estaduais, provenientes do Tesouro do Estado, direcionados principalmente à limpeza e desobstrução emergencial de trechos bloqueados entre maio e julho. Entre agosto e setembro, o Daer elaborou anteprojetos para análise dos 30 trechos priorizados, com a expectativa de contratar as empresas responsáveis pelas obras de restauração até o final do ano.
Reconstrução de pontes também é desafio
A reconstrução de pontes comprometidas pela enchente é uma prioridade. Atualmente, 10 travessias em rodovias estaduais precisam de restauração substancial ou reconstrução total. Essas obras, junto às de contenção de encostas, devem levar mais tempo para serem concluídas, com um prazo projetado de até dois anos.
Dessas pontes, apenas uma teve a obra iniciada, localizada na ERS-130, sobre o Rio Forqueta, entre Arroio do Meio e Lajeado. A nova ponte terá 172 metros de extensão, 51 metros a mais e cinco metros mais alta do que a anterior, com previsão de conclusão em dezembro e custo estimado em R$ 14 milhões, financiados pela cobrança de pedágio da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).
Na quinta-feira (17), o governador Eduardo Leite e o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, assinaram a ordem de início das obras de outra ponte, na RS-431, entre São Valentim do Sul e Santa Tereza, na Serra. A obra custará R$ 31,3 milhões, com R$ 24,4 milhões provenientes do governo federal e R$ 6,9 milhões do governo estadual. A nova estrutura, com 320 metros, deverá ser concluída em até 18 meses a partir do início das obras, previsto para janeiro de 2025.
Além disso, foi confirmada a liberação de R$ 11,7 milhões do governo federal para a construção da nova ponte na RS-843, em Feliz, com início das obras também projetado para janeiro de 2025 e prazo de conclusão em 15 meses.
Outras pontes em Faxinal do Soturno, Itati, Sinimbu, Dilermando de Aguiar e Relvado já têm empresas definidas para a realização das obras. A nova ponte em Vista Alegre do Prata, na RS-441, ainda está em processo de seleção da construtora.
Investimentos do governo federal
Nas rodovias federais do Rio Grande do Sul, há quatro travessias que precisam ser reconstruídas: na BR-116, entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis; na BR-471, em Rio Pardo; na BR-153, em Cachoeira do Sul; e na BR-287, em São Vicente do Sul. Todas receberão recursos do Ministério dos Transportes. A ponte entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis já teve a reconstrução iniciada, com custo estimado em R$ 31 milhões e previsão de conclusão em dezembro.
A ponte do Fandango, na BR-153, está em fase de adequação do projeto para execução, com orçamento de R$ 60 milhões e início das obras previsto para novembro. A ponte na BR-287 em São Vicente do Sul já tem empresa contratada, com obras previstas para o final de 2024. O chamamento público para a ponte na BR-471, em Rio Pardo, está previsto para novembro.
O governo federal inicialmente projetou investir R$ 1,185 bilhão na recuperação completa das estradas federais gaúchas. Até o momento, foram gastos R$ 120,2 milhões, com R$ 350,1 milhões já empenhados e R$ 491,1 milhões contratados. Hiratan Pinheiro, superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, destacou que o investimento total pode chegar a R$ 2 bilhões devido à complexidade das obras necessárias.
Fonte: GZH