Diante da devastação no Rio Grande do Sul, que além de sofrer com perdas humanas enfrenta prejuízos sociais, materiais e econômicos, destaca-se a ação do empresariado gaúcho. Esse grupo tem colaborado com o poder público e a sociedade civil na reconstrução do estado, criando fundos e destinando recursos para enfrentar a catástrofe. Até agora, seis grandes fundos arrecadaram um total de R$ 176 milhões.
— O Estado e os governos têm pessoas brilhantes, mas muitas vezes não podem fazer o melhor por conta de burocracia e excesso de controle — afirma Leonardo Fração, presidente do Instituto Cultural Floresta (ICF), que redirecionou suas ações filantrópicas para agilizar a recuperação, promovendo um processo decisório mais flexível e racional.
Desde 2016, o instituto estava preparado para ajudar, contando com a confiança de doadores que já possibilitaram a arrecadação de R$ 80 milhões de diversas regiões do país. Historicamente, as doações vinham de grandes famílias do RS, mas a magnitude da catástrofe fez com que a ajuda dessas famílias fosse ainda maior e mais direta.
A família Gerdau Johannpeter, por exemplo, idealizou o RegeneraRS, com a meta de arrecadar R$ 100 milhões para apoiar projetos em educação, habitação, soluções urbanas e negócios. O fundo, gerido pela Din4mo Lab, recebeu uma doação inicial de R$ 30 milhões do Instituto Helda Gerdau.
— A ideia é um fundo de fundos, aberto a todos, com forte governança para escolher as iniciativas a serem apoiadas — afirma Beatriz Johannpeter, diretora do instituto, destacando a importância de estimular a cultura da doação.
Em 13 de maio, na abertura da Bolsa de Valores de Nova York, Alexandre Birman, CEO da Arezzo, anunciou a criação do fundo Movimento Próximos Passos, que arrecadou R$ 6 milhões apenas na primeira noite. As doações continuam sendo recebidas e direcionadas a entidades de auxílio nas cidades afetadas.
— Sinto-me honrado em representar o Estado e ampliar a voz sobre a necessidade de um plano urgente para a sua reconstrução — declarou Birman.
A criação desses fundos privados, inspirados por estratégias de investimento social e parcerias multissetoriais, ganha visibilidade em momentos críticos como o atual no Rio Grande do Sul. Essas iniciativas, além de promoverem desenvolvimento, oferecem maior controle e transparência sobre os recursos, evitando alocações inadequadas e desperdícios.
— Essas iniciativas são uma combinação de responsabilidade social corporativa, desejo de inovação social e modelos internacionais de filantropia, focados em impacto de longo prazo — explica Manoel Gustavo Neubarth Trindade, advogado e economista.
Os fundos privados oferecem benefícios fiscais, como isenção de ICMS para doações relacionadas às enchentes, conforme o Decreto Estadual n.º 37.699/1997. Além disso, permitem maior liberdade e acompanhamento dos investimentos, promovendo um ambiente de negócios e bem-estar social adequado para a recuperação do estado.
Algumas das iniciativas incluem:
Movimento Próximos Passos
- Inspiradores: Alexandre Birman (Arezzo) e outros empresários da indústria calçadista
- Meta: R$ 20 milhões
- Doação inicial: R$ 6 milhões de Alexandre Birman junto ao Banco Master
RegeneraRS
- Inspiradores: Família Gerdau Johannpeter
- Meta: R$ 100 milhões
- Doação inicial: R$ 30 milhões do Instituto Helda Gerdau
Fundação Marcopolo
- Inspiradores: Empresas Marcopolo
- Doação inicial: R$ 5 milhões do Grupo Marcopolo
Instituto Ling
- Inspiradores: William Ling (holding Évora)
- Doação inicial: R$ 50 milhões da Família Ling
Gerando Falcões e Gerdau
- Inspiradores: ONG Gerando Falcões
- Doação inicial: R$ 5 milhões do Grupo Gerdau
Instituto Cultural Floresta (ICF)
- Inspiradores: Empresários fundadores em 2016
- Arrecadação até o momento: R$ 80 milhões
Fonte: GZH