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Feminicídios deixaram 129 órfãos de mãe em 2021 no RS
O mapa dos feminicídios, estudo realizado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na tentativa de entender os fatores que permeiam o mais alto grau da violência doméstica, traz dados alarmantes. Um deles mostra que no ano passado esse tipo de crime deixou 129 órfãos no Estado. Foram 96 mulheres assassinadas em contexto de gênero – 63 delas eram mães.
Espécie de radiografia dos feminicídios, a análise busca traçar tanto o perfil das vítimas como dos autores. O detalhamento sobre como a violência atinge os filhos demonstra que, dessas mulheres, 22 tinham filhos com autores do crime. Além da mãe, 15 perderam o pai, nos casos em que o assassino tirou a própria vida. O levantamento aponta a idade dos órfãos: 56 eram menores de 18 anos, sendo 23 de até 12 anos.
Em janeiro, Tamires Pires Pedroso, 33 anos, foi encontrada morta a tiros em Canoas, na Região Metropolitana. No mesmo apartamento, o namorado, um policial militar com quem mantinha relacionamento há 11 meses, foi encontrado sem vida, com um disparo. A investigação da Polícia Civil concluiu que se tratou de feminicídio seguido de suicídio. Descrita como responsável, alegre e trabalhadora, a manicure tinha uma filha de oito anos.
Não são raras as vezes em que policiais chegam ao local dos feminicídios e deparam com essa situação. Crianças que, além de perderem a mãe ou os pais, presenciaram o crime. Realidade trágica que a delegada Jeiselaure Rocha, titular da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam) no Estado, conhece bem.
– Quando uma mulher morre, numa violência cometida por alguém tão próximo, desestrutura toda a família. É preciso ter esse olhar para o todo. É um tipo de violência muito silenciada, que impacta em toda a sociedade. Inclusive nas crianças que crescem nesse ambiente. São vítimas secundárias e desenvolvem traumas, que, se não tratados, serão levados para a vida adulta – alerta a delegada.
Em junho do ano passado, uma criança e um adolescente presenciaram outro crime bárbaro na zona leste da Capital. Na Lomba do Pinheiro, uma adolescente de 17 anos foi morta a tiros, assim como a mãe e a tia. O autor, um jovem de 21 anos, tirou a própria vida após balear as três.