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Exercício sem esforço? Saiba se eletroestimulação muscular têm o mesmo efeito do treino tradicional

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Foto: teksomolika/Adobe Stock

Quem viveu os anos 90 provavelmente se lembra do slogan “Não é magia, é tecnologia”, popularizado pela Feiticeira, personagem de Joana Prado em comerciais de TV. A promessa era que uma cinta com eletrodos, ao emitir correntes elétricas, estimulava os músculos e ajudava a ganhar músculos e queimar calorias sem esforço.

Hoje, a eletroestimulação muscular voltou a ganhar popularidade, com algumas academias promovendo-a como uma alternativa que seria até seis vezes mais eficiente do que o treino convencional. Mas será que ela realmente funciona? Vamos explorar o que a ciência tem a dizer.

Os músculos esqueléticos, que são responsáveis pelos movimentos do corpo, são ativados de forma voluntária, ou seja, o cérebro envia sinais para que eles se contraiam e produzam movimento. Essa contração é impulsionada por sinais elétricos que percorrem os nervos até os músculos.

A eletroestimulação, por sua vez, usa correntes elétricas artificiais aplicadas diretamente sobre a pele para provocar contrações musculares involuntárias. Essas contrações são diferentes das voluntárias, pois não envolvem um recrutamento rotativo das fibras musculares. Em vez disso, as mesmas fibras são continuamente recrutadas, o que pode causar fadiga mais rápida e intensa, além de aumentar o risco de dor muscular e pequenas lesões.

Embora a eletroestimulação possa aumentar o gasto de calorias, como qualquer tipo de contração muscular, isso não garante emagrecimento. A perda de peso efetiva requer um déficit energético sustentável ao longo do tempo, algo que a eletroestimulação isolada não necessariamente proporciona.

Não há evidências substanciais de que a eletroestimulação possa substituir o treino convencional em termos de hipertrofia muscular significativa. A promessa de que 20 minutos de eletroestimulação sejam equivalentes a duas horas de exercícios tradicionais é, portanto, exagerada.

No entanto, a eletroestimulação pode ser eficaz para aumentar a força muscular, produzindo resultados semelhantes aos do treino de força convencional. Combinada com o treinamento tradicional, pode até resultar em ganhos superiores aos obtidos com o treinamento convencional isolado. Para que a eletroestimulação seja efetiva, é necessário que o volume e a intensidade das contrações sejam comparáveis aos do treino convencional.

Portanto, a eletroestimulação não deve ser vista como um substituto do exercício físico voluntário, que oferece diversos outros benefícios além da força muscular. No entanto, para atletas de alto nível, pode servir como uma ferramenta complementar.

Para pessoas com limitações físicas, como idosos ou pessoas com mobilidade reduzida, a eletroestimulação pode oferecer benefícios significativos, ajudando na recuperação e na melhoria das condições clínicas, mesmo que de forma discreta.

Fonte: Estadão

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