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Estudo aponta que qualquer intensidade de atividade física contribui para reduzir a depressão
Manter uma rotina de atividade física, mesmo em intensidade leve, pode trazer benefícios significativos para a saúde mental e ajudar a reduzir sintomas de depressão. Essa é a conclusão de um estudo nacional realizado por pesquisadores do Instituto Israelita de Ensino & Pesquisa de São Paulo, do Hospital Israelita Albert Einstein e da Universidade Nove de Julho.
Publicado no Journal of Affective Disorders, o estudo analisou dados de 58.445 adultos brasileiros, com 18 anos ou mais, que participaram de triagens de saúde entre 2008 e 2022 no Centro de Medicina Preventiva do Hospital Albert Einstein. Durante 14 anos, os participantes passaram por avaliações clínicas completas e responderam a questionários sobre atividade física e sintomas depressivos.
Atividade física e redução da depressão
Os pesquisadores analisaram os dados utilizando um método estatístico chamado regressão logística para identificar a relação entre níveis de atividade física — classificados como inativo, insuficientemente ativo, ativo e muito ativo — e a presença de sintomas depressivos.
Os resultados indicam que qualquer nível de atividade física está associado a um menor risco de depressão, independentemente de sua intensidade ou finalidade. Além disso, fatores como índice de massa corporal (IMC) elevado, hipertensão, diabetes, tabagismo e altos níveis de estresse foram identificados como potenciais agravantes para os sintomas depressivos.
Diferenciais do estudo
A pesquisadora Luana Queiroga, autora do estudo, destaca que pesquisas anteriores já apontavam a relação entre exercício físico e menor risco de depressão, mas geralmente analisavam apenas a prática de atividades recreativas ou esportivas.
Ela ressalta que avaliar apenas o impacto do exercício físico no lazer pode gerar uma visão elitizada da questão. “Grande parte da população se mantém ativa por meio de deslocamentos, atividades ocupacionais e tarefas do dia a dia, que também foram consideradas no estudo”, afirma.
Atividade física x Exercício físico
Outro ponto importante do estudo é a definição de atividade física, que inclui qualquer movimento corporal que aumente o gasto calórico em relação ao repouso.
Não se trata apenas de exercício físico estruturado, como academia ou esportes, mas de qualquer movimento que envolva gasto calórico, como caminhar para o trabalho ou realizar tarefas domésticas”, explica Rafael Mathias Pitta, coordenador da análise da pesquisa.
Os pesquisadores identificaram que mesmo baixas quantidades de atividade física — entre 11 e 149 minutos semanais — já oferecem um efeito protetor contra a depressão.
Recomendações da OMS e impacto na saúde mental
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem, no mínimo, 150 minutos de atividade física moderada por semana. Esse tempo pode ser distribuído ao longo do dia em atividades como caminhadas, deslocamentos de bicicleta, tarefas domésticas ou esportes recreativos.
O estudo reforça que pequenas mudanças na rotina podem ter um grande impacto na saúde mental, ajudando a reduzir o risco de depressão e promovendo o bem-estar geral.
Fonte: CNN Brasil