Saúde
Dor no peito: saiba quando pode ser sinal prévio à morte súbita e como agir
A dor no peito nunca deve ser ignorada, pois pode indicar problemas sérios. Embora nem toda dor no peito tenha origem cardíaca, se a causa for o coração, pode se manifestar como angina. Esse sintoma ocorre quando o músculo cardíaco não recebe oxigênio suficiente, o que pode levar a um infarto, parada cardíaca e até morte súbita, conforme a Associação Americana do Coração (AHA).
Médicos recomendam que, ao sentir dor no peito, você deve informar alguém próximo, ligar para o Samu pelo número 192, ou procurar atendimento de emergência imediatamente. Agir rapidamente é crucial, pois o tempo pode ser determinante para a abertura de uma artéria bloqueada e evitar danos ao coração. “Tempo é músculo, tempo é vida,” afirma Sérgio Timerman, diretor do Centro de Parada Cardíaca e Ciência da Ressuscitação do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da USP (FMUSP). Ele abordou o tema no 2° Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB).
“Dor torácica é comum, mas se não for diagnosticada corretamente, pode ter consequências graves,” acrescenta Timerman. A avaliação da dor no peito geralmente considera o histórico do paciente, outros sintomas e características da dor.
Reconhecendo a Dor Cardíaca
A angina apresenta três características principais:
- Localização: Dor centralizada no lado esquerdo do peito.
- Irradiação: Dor que se espalha para braços e ombros (principalmente o esquerdo), além de pescoço e costas.
- Tipo: Sensação opressiva, como se o peito estivesse sendo comprimido. Alguns pacientes descrevem o peito como “pesado” ou com sensação de “rasgo”.
Históricos médicos que aumentam a probabilidade de angina incluem:
- Histórico familiar de problemas cardíacos
- Idade avançada
- Hipertensão
- Diabetes
- Colesterol elevado
- Sobrepeso ou obesidade
- Tabagismo
- Consumo abusivo de álcool
Outros sintomas associados podem incluir sudorese excessiva, pele fria e pegajosa, e fadiga. Se o paciente estiver consciente e conversando, pode estar sofrendo um infarto, em que um coágulo bloqueia parcial ou completamente o fluxo sanguíneo. Se o paciente desmaiar, pode estar em parada cardíaca, e a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada imediatamente para evitar a morte súbita.
Outras Possíveis Causas de Dor no Peito
Além de infartos, outras condições podem causar dor no peito:
- Dissecção Aórtica: Ruptura de uma artéria principal, geralmente com dor aguda e lancinante.
- Embolia Pulmonar: Bloqueio de artérias pulmonares por coágulos.
Além das causas cardíacas, a dor no peito pode ter outras origens:
- Pulmonar: Problemas como embolia, pneumonia, inflamação da membrana do pulmão, ou perfuração espontânea. A dor pode piorar ao inspirar, segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS).
- Gastrointestinal: Refluxo, azia ou indigestão, com dor geralmente após refeições.
- Muscular: Lesões durante exercícios podem causar dor muscular.
- Colecistite: Inflamação da vesícula biliar, próxima ao abdômen superior.
- Inflamação na Costela ou Cartilagem: Dor associada à inflamação da costela.
- Psiquiátrica: Ataques de pânico ou ansiedade podem simular dor no peito semelhante à de um infarto.
Dor no Peito e Exercício
Dor no peito durante o exercício não é normal. Timerman ressalta que o exercício é benéfico para o coração, e a dor durante a atividade física deve ser avaliada. A cardiomiopatia hipertrófica, uma condição que provoca aumento do músculo cardíaco, é uma causa comum de morte súbita em atletas. Dores musculares durante o exercício são normais, mas dores em aperto que pioram com o esforço e melhoram com o repouso não são.
A orientação principal dos médicos é não negligenciar dores no peito. “É como barulho no motor de um carro: se você ignorar, pode piorar,” diz Scuro. Para quem tem mais de 40 anos, é recomendado realizar consultas regulares com um cardiologista para avaliar a saúde cardíaca e realizar exames apropriados.
Fonte: Estadão