Política
Donald Trump diz que derrotar Kamala Harris será mais fácil
Após Joe Biden anunciar sua desistência da candidatura no domingo (21), Donald Trump declarou que o presidente dos EUA “não estava apto para concorrer à presidência”. O candidato republicano fez essa declaração em sua rede social, Truth Social.
Trump também afirmou acreditar que será mais fácil derrotar a vice-presidente Kamala Harris na disputa. Embora o nome de Harris ainda não tenha sido oficialmente confirmado como candidata democrata, diversos membros do partido já manifestaram apoio a ela, incluindo o próprio Biden.
“Joe Biden não estava apto para concorrer à presidência e certamente não está apto para servir – e nunca esteve! Ele só chegou à presidência por meio de mentiras, fake news e por não sair de seu porão. Todos ao seu redor, incluindo seu médico e a mídia, sabiam que ele não era capaz de ser presidente, e ele não foi – e agora, veja o que ele fez com nosso país, com milhões de pessoas atravessando nossa fronteira, totalmente sem controle e sem verificação, muitos vindos de prisões, instituições mentais, e números recordes de terroristas. Sofreremos muito por causa de sua presidência, mas vamos remediar o dano que ele causou muito rapidamente. Faça os EUA grande novamente!”, disse Trump.
Ao desistir, Biden declarou apoio à vice-presidente Kamala Harris para liderar a chapa democrata. Em um comunicado no X, Biden afirmou que cumprirá seu mandato até janeiro de 2025.
“Foi a maior honra da minha vida servir como seu presidente. E embora tenha sido minha intenção buscar a reeleição, acredito que é do melhor interesse do meu partido e do país que eu me afaste e me concentre exclusivamente em cumprir meus deveres como presidente pelo restante do meu mandato”, escreveu Biden.
A desistência ocorreu após pressões do partido e de parte do eleitorado democrata. A crise na campanha de Biden começou no fim de junho, quando ele teve um mau desempenho em um debate contra Donald Trump. Na época, a capacidade cognitiva do presidente foi questionada.
Até recentemente, Biden resistia à pressão de diversas formas. Ele deu entrevistas, reuniu-se com governadores democratas e negou alegações de que sofria um declínio cognitivo e físico. Biden afirmou várias vezes que não desistiria e que venceria a eleição.
Nos últimos dias, no entanto, os rumores de desistência aumentaram. O ex-presidente Barack Obama e a ex-líder da Câmara Nancy Pelosi, duas influentes figuras do Partido Democrata, demonstraram insegurança com Biden.
Segundo a “CNN”, Pelosi disse a Biden que ele não venceria. Já Obama expressou a pessoas próximas seu receio sobre as chances do atual presidente na eleição.
Biden foi diagnosticado com covid na última quarta-feira (17) e teve de suspender eventos de campanha. Desde então, ele está em isolamento em sua casa em Delaware. Segundo a imprensa norte-americana, diante da pressão, ele começou a refletir mais sobre sua candidatura.
Uma fonte disse à agência Reuters que a decisão foi tomada neste domingo. “Na noite passada, a mensagem era para seguir em frente com tudo, a todo vapor. Por volta das 13h45 de hoje, o presidente informou sua equipe sênior que havia mudado de ideia”. A decisão surpreendeu muitos funcionários da Casa Branca.
O Partido Democrata ainda não anunciou quem será o novo candidato para disputar a eleição contra Trump.
Durante o debate no final de junho, Biden apresentou voz rouca — atribuída a um resfriado —, pouco entusiasmo e hesitou em diversos momentos. Trump, por outro lado, apresentou suas afirmações com calma e assertividade, sem ser corrigido por Biden.
O debate foi considerado o “início do fim” para Biden, de 81 anos. Dúvidas sobre sua idade e aptidão para mais um mandato de quatro anos desencadearam uma crise no partido democrata. A ideia de substituição começou a surgir dentro do partido.
As eleições dos EUA ocorrerão em 5 de novembro. A Convenção Nacional Democrata, que oficializará o candidato do partido para disputar a Casa Branca, será entre 19 e 22 de agosto.
Após o desempenho ruim de Biden no debate, a imprensa norte-americana relatou um estado de pânico entre os democratas. Colegas de partido se preocuparam com a capacidade do presidente para mais um mandato.
Em um evento de campanha no dia seguinte ao encontro com Trump, Biden reconheceu a questão da idade e disse que não debate como antes, mas afirmou que sabe “dizer a verdade” e que pretendia vencer a eleição.
No dia seguinte, diversos veículos americanos, como “The New York Times”, “The Wall Street Journal” e a revista “The Economist” — que apoiavam Biden — publicaram editoriais pedindo para que ele desistisse da candidatura.
Mesmo com os relatos da mídia americana e de agências de notícias de que os democratas consideravam sua substituição no pleito, o apoio de políticos e figuras democratas a Biden permaneceu unânime por alguns dias.
A pressão, no entanto, aumentou com declarações de políticos democratas em exercício e figuras importantes do partido, como Nancy Pelosi.
Fonte: Jornal o Sul