Geral

Diante de atritos com Milei, governo sugere que pode negociar gás natural com províncias argentinas

Publicado

em

Foto: Reprodução

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu a possibilidade de negociar gás natural diretamente com as províncias argentinas em meio aos atritos com o presidente Javier Milei.

“O gás natural, especificamente, é uma riqueza das províncias”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao ser questionado sobre o impacto dos desentendimentos com Milei nos planos brasileiros para o setor energético. Ele está em Santa Cruz de La Sierra, acompanhando a comitiva do presidente Lula na Bolívia, onde o gás natural é um dos principais temas da agenda.

Sem mencionar diretamente o presidente argentino, Silveira destacou a reunião de Lula com governadores argentinos como contraponto ao “debate meramente ideológico colocado por pseudo-lideranças”. O encontro com os chefes das províncias de Neuquén e Río Negro, realizado no Rio de Janeiro no mês passado, incluiu discussões sobre o gasoduto de Vaca Muerta, um megaprojeto argentino que Lula sugeriu apoiar por meio do BNDES.

Na Argentina, o petróleo e o gás tornaram-se elementos cruciais na disputa por recursos entre as províncias e a Casa Rosada, especialmente após as políticas implementadas pelo governo Milei. Em fevereiro, os governadores da Patagônia (incluindo Neuquén e Río Negro) ameaçaram fechar o fornecimento de recursos para o resto do país se suas demandas não fossem atendidas.

“O potencial do gás na Argentina está, de fato, sob controle dos Estados”, enfatizou Silveira, negando qualquer intenção do governo brasileiro de contornar a Casa Rosada. “Os governadores de Neuquén e outras províncias produtoras de gás demonstraram completa disposição para vender gás ao Brasil, seja via Bolívia ou com a possibilidade de instalações de tratamento na região.”

O gás natural representou 86% das exportações da Bolívia para o Brasil em 2023, mas a redução na produção na Argentina tem levado o Brasil a buscar diversificar suas fontes. Esse é um dos argumentos do ministro da Economia, Fernando Haddad, ao defender investimentos em Vaca Muerta.

A partir de outubro, o contrato da Argentina com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) expira, permitindo ao Brasil comprar mais 4 milhões de metros cúbicos de gás boliviano atualmente destinados a Buenos Aires.

“Há potencial para importar mais 2 milhões de metros cúbicos de gás da Argentina sem aumentar os investimentos em gasodutos. Com a equalização dos investimentos no gasoduto Nestor Kirchner, poderíamos trazer até 15 milhões de metros cúbicos adicionais de gás via Bolívia para o Brasil”, explicou Silveira. “O Brasil está trabalhando para aumentar a oferta e, consequentemente, reduzir os preços.”

O gás natural é um dos principais temas durante a visita de Lula a Santa Cruz de La Sierra, onde ele está acompanhado por ministros e empresários brasileiros participando de um fórum promovido pelo Apex-Brasil.

Lula também planeja expressar solidariedade a Luis Arce pelo que descreveu como tentativa de golpe em La Paz e parabenizar a Bolívia pela adesão ao Mercosul. Sua visita ocorre após participar da Cúpula de chefes de Estado do bloco sul-americano, que ficou marcada pela ausência de Javier Milei.

Fonte: Jornal o Sul

Compartilhe

Trending

Sair da versão mobile