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Desastre climático contribui para queda superior a 19% nas exportações da Indústria de Transformação no Rio Grande do Sul
As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio causaram uma significativa queda nas exportações da Indústria de Transformação do estado. Com plantas industriais paralisadas e rotas de transporte interrompidas, a retração foi de 19,3% em comparação com o mesmo mês de 2023, afetando 18 dos 23 segmentos que realizaram embarques.
“Além de fábricas fora de operação, a infraestrutura danificada resulta em maiores custos para a indústria gaúcha, tanto em transporte como na produção. A maioria das plantas industriais está em municípios atingidos pelo desastre climático”, afirmou Gilberto Porcello Petry, presidente da Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul).
Apesar de um faturamento de US$ 1,2 bilhão com exportações, a Indústria de Transformação do RS vendeu US$ 282,5 milhões a menos do que no mesmo período do ano anterior, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O desempenho foi diretamente afetado por uma redução de 18,9% na quantidade de produtos enviados ao mercado externo, com variação mínima nos preços médios (-0,6%).
A queda de 36,5% (US$ 214,3 milhões) no segmento de Alimentos (US$ 373,1 milhões) foi influenciada principalmente por uma redução de 34,2% na quantidade de mercadorias exportadas. Os preços apresentaram uma retração de 3,4%. Óleos vegetais em bruto, abate de aves e abate de suínos foram os principais produtos afetados, com destinos predominantes para a Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos e China, respectivamente.
Em contraste, o segmento de Tabaco registrou um aumento de 39,4% nas receitas, alcançando US$ 206,5 milhões. A demanda externa por produtos dessa indústria manteve-se forte, com aumento tanto na quantidade (+14,3%) quanto nos preços (+22%).
O segmento de Químicos, com um faturamento de US$ 99,6 milhões, apresentou uma ligeira queda de 3,4% (US$ 3,5 milhões). Outros setores também registraram retrações, incluindo Couro e calçados, Veículos automotores, Máquinas e equipamentos, e Produtos de metal.
Em maio, o Rio Grande do Sul importou US$ 772,2 milhões em mercadorias, uma redução de 41,2% (US$ 540,9 milhões) em relação ao mesmo período de 2023. A menor demanda por bens intermediários e bens de capital sinaliza um mercado interno menos aquecido, refletindo uma diminuição no consumo de insumos e maquinários pela indústria gaúcha. O segmento de Químicos foi o mais importado, totalizando US$ 226,6 milhões, uma queda de 31,6% (US$ 104,8 milhões).
O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, registrou uma redução significativa nas operações de importação e exportação devido às enchentes. As exportações foram de US$ 1,2 milhão, uma queda de 72,1% (US$ 3,1 milhões) em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações somaram US$ 3,5 milhões, uma redução de 91,5% (US$ 37,5 milhões).
Apesar do estado de calamidade, o Porto de Rio Grande, principal local de embarque das exportações gaúchas, manteve-se em pleno funcionamento. No entanto, as rotas de transporte até os portos e alfândegas foram significativamente afetadas, aumentando os custos de transporte e dificultando o processo produtivo da indústria gaúcha.
Fonte: Jornal o Sul