Com base em um recente estudo sobre os hábitos alimentares de mais de 34 mil adultos nos Estados Unidos, divulgado pelo The New York Times, quase 60% das pessoas entrevistadas consideraram normal realizar refeições após as 21h. Especialistas alertam que fazer dessas refeições noturnas um hábito regular pode ter consequências indesejadas para a saúde, especialmente quando feitas pouco antes da hora de dormir.
O corpo humano evoluiu para processar nutrientes durante o dia e para conservar e armazenar energia à noite, explicou Marie-Pierre St-Onge, cientista de nutrição e sono da Universidade de Columbia. Perturbar esse ritmo natural pode causar problemas, como a piora dos sintomas de azia ou refluxo ácido quando se janta até três horas antes de dormir. Além disso, algumas pesquisas indicam uma associação entre comer uma a três horas antes de dormir e uma redução na qualidade do sono.
Estudos também destacam possíveis efeitos negativos na saúde metabólica e ganho de peso associados à alimentação noturna. Uma pesquisa realizada em 2019 com adultos norte-americanos revelou que aqueles que consumiam cerca de 100 calorias ou mais duas horas antes de dormir tinham aproximadamente 80% mais chances de estar acima do peso ou ter excesso de peso.
Segundo a pesquisa do Brigham and Women’s Hospital, é aconselhável evitar a última refeição do dia no máximo entre três e quatro horas antes do horário habitual de dormir. Para aqueles que trabalham em turnos não convencionais, onde comer tarde pode ser inevitável, a sugestão é optar por refeições ou lanches menores e mais nutritivos, evitando alimentos ricos em gordura ou açúcares adicionados.
A nutricionista Greice Furlanetto Arraes reforça que a alimentação muito tardia não é a melhor opção devido à resistência à insulina durante a noite. Recomenda-se evitar refeições ricas em carboidratos muito tarde, pois isso pode aumentar as chances de ganho de gordura corporal. Alinhando-se ao ciclo circadiano, o ideal seria ficar pelo menos duas horas sem comer antes de dormir.
Fonte: G1