Para o trabalhador, isso representa R$ 15 a mais do que o valor previsto no Orçamento, de R$ 1.509. No entanto, para as contas públicas, o impacto é muito maior: esse reajuste implicará um gasto extra de R$ 13,3 bilhões além do que estava previsto, dificultando ainda mais o cumprimento da meta fiscal zero.
A diferença reside na variação considerada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de renda mais baixa e é utilizado como referência para o reajuste do mínimo e de benefícios que superam o piso nacional.
Na apresentação do Orçamento, em agosto, o governo considerava que o INPC nos 12 meses acumulados até novembro (data utilizada para atualizar o mínimo) seria de 3,82%. Mas a XP agora estima que deve chegar a 4,9%, conforme o relatório dos economistas Alexandre Maluf e Tiago Sbardelotto. O valor final do salário mínimo só será definido em dezembro, quando saem os dados oficiais do IBGE e o presidente da República assina um decreto com o valor.
Para o ano, a previsão para o INPC era de 3,65% na proposta orçamentária, mas a projeção mais recente da instituição financeira é de 5,0%. Desde agosto, houve pressão nos custos de energia e alimentos. O governo deve atualizar os parâmetros orçamentários na próxima semana.
Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.412. No ano passado, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva retomou a política de reajustes acima da inflação para o piso nacional, que havia sido encerrada na gestão de Jair Bolsonaro. Essa política prevê, além da recuperação do poder de compra, um ganho real referente à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Em 2023, houve um crescimento de 2,9%.