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Carro elétrico: evolução rápida e concorrência chinesa aceleram desvalorização e dificultam revenda

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Foto: Felipe Iruatã / Estadão

O mercado global de carros elétricos passa por uma reviravolta, com uma desaceleração nas vendas nos Estados Unidos e Europa, o que está resultando em queda nos preços de revenda e acúmulo de estoques em lojas e fábricas. No Brasil, embora as vendas ainda estejam crescendo, a depreciação desses veículos 100% elétricos também gera preocupações. Modelos com dois ou três anos de uso e baixa quilometragem têm sido vendidos com desvalorização de até 45%, alguns sendo revendidos por menos da metade do preço de um carro novo.

O empresário paulista Maurício de Barros, por exemplo, após rodar 54 mil km em dois anos e meio com um Peugeot e-208, adquirido por R$ 249 mil, decidiu vendê-lo. Sem conseguir propostas em quatro meses de anúncios, acabou entregando o veículo a uma concessionária por R$ 100 mil como parte da troca por outro elétrico. Ele admite que pagou o preço por ser um dos primeiros a adquirir um carro totalmente elétrico, mas se consola com a compra de um BYD Yuan Plus, mais moderno e com maior autonomia.

A rápida evolução tecnológica dos carros elétricos, a infraestrutura de recarga ainda limitada e a guerra de preços iniciada pelas montadoras chinesas, que forçou a redução dos preços de outros fabricantes, são os principais motivos para a desvalorização dos seminovos. Enquanto isso, os modelos híbridos apresentam um comportamento mais estável em relação à depreciação.

Por exemplo, um Nissan Leaf Tekna 2023, com preço sugerido de R$ 298,4 mil, pode ser encontrado nas concessionárias por R$ 252,1 mil, um desconto de 15%. Já o mesmo modelo com 14 mil km rodados é vendido por cerca de R$ 196,1 mil, uma desvalorização de 22%. No caso de troca, o valor pago pelos lojistas pode ser até 37% menor.

A maior plataforma online de venda de veículos do Brasil, Webmotors, registra uma desvalorização média de 12% nos preços de carros elétricos e 6% para híbridos neste ano. Enquanto isso, veículos convencionais perdem em média 2,25% do valor. Mesmo com a crescente demanda por carros eletrificados, a infraestrutura deficiente e o receio quanto à durabilidade das baterias ainda afetam a aceitação desses modelos no mercado de usados.

Além disso, concessionárias como a Amazon, autorizada da Volkswagen, suspenderam a compra de carros elétricos devido ao longo tempo que permanecem nos pátios. Até locadoras de veículos, que tradicionalmente são grandes compradoras, reduziram suas aquisições. Veículos comprados por preços elevados há poucos anos, como o Nissan Leaf e o Renault Zoe, foram revendidos com desvalorizações de até 45%.

Enquanto isso, as montadoras chinesas BYD e GWM, que têm ganhado espaço com modelos mais acessíveis e tecnológicos, adotaram estratégias para mitigar a desvalorização de seus carros. Elas oferecem programas de recompra dos veículos seminovos com valores próximos à tabela Fipe, além de garantias estendidas para as baterias, um dos principais fatores de preocupação para os compradores.

O mercado de veículos eletrificados ainda é pequeno, mas está em crescimento. Em 2023, as vendas de carros elétricos e híbridos aumentaram significativamente no Brasil. Contudo, especialistas acreditam que a desvalorização continuará a ser uma questão relevante nos próximos anos, até que o segmento se estabilize em termos de tecnologia e oferta. Mesmo assim, a tendência é que o mercado de novos veículos eletrificados continue atraente, à medida que mais opções chegam ao consumidor.

Fonte: Estadão

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