A fuga ocorreu por volta das 21h30 (horário local). Amanda, de 30 anos, vestia roupas escuras, chapéu e tênis claro no momento da evasão. As circunstâncias que facilitaram a fuga ainda estão sob investigação.
Após a fuga, agentes penitenciários iniciaram as buscas por Amanda. Unidades policiais também foram notificadas e começaram operações de busca, que continuaram ao longo de quarta-feira (7). A Secretaria de Comunicação do governo de Rio Negro informou que medidas administrativas e judiciais foram tomadas para apurar como a fuga aconteceu.
Amanda foi condenada pelo assassinato de Eduarda Santos de Almeida, de 26 anos, em fevereiro de 2022, perto de uma rodovia em Bariloche. A vítima, também brasileira, era mãe dos filhos de Amanda. Eduarda foi morta com nove tiros disparados a menos de 1,2 metro de distância. Após o crime, Amanda voltou para casa e informou à polícia sobre o desaparecimento de Eduarda. O corpo foi encontrado por um turista, e Amanda acabou confessando o crime.
De acordo com fontes judiciais, Amanda e Eduarda se conheceram no Brasil anos antes do crime. Amanda se mudou para Bariloche e se casou com um homem. Como o casal não podia ter filhos, contrataram Eduarda para ser barriga de aluguel. Ela engravidou e teve gêmeos, que foram registrados pelo marido de Amanda. Eduarda retornou ao Brasil, engravidou novamente e, a pedido de Amanda, voltou à Argentina, onde Amanda prometeu registrar a nova criança. O companheiro de Amanda faleceu em 2021.
Amanda começou a se incomodar com a ideia de compartilhar a guarda dos filhos com Eduarda e desejava retornar ao Brasil, mas Eduarda não concordava. Os investigadores acreditam que isso motivou o crime.
O procurador Martín Lozada descreveu o homicídio como “traiçoeiro”, observando que a vítima não teve chance de se defender, estando em um local escuro e isolado. Durante o julgamento, foi ressaltada a violência de gênero sofrida por Eduarda, que era mãe, financeiramente dependente de Amanda, e não tinha apoio de familiares ou amigos.
A defesa de Amanda tentou reduzir a pena de prisão perpétua, alegando que era “cruel, desumana e degradante” e que Amanda apresentava “características paranoicas” na época do crime. No entanto, o juiz Juan Martín Arroyo rejeitou essa argumentação, afirmando que o relatório psiquiátrico não indicava que Amanda tivesse perdido a noção da realidade durante o ato.
Em julho de 2023, um júri popular descartou a acusação de feminicídio, pois Amanda afirmou se identificar como mulher. Ela foi condenada por homicídio doloso qualificado por uso de arma de fogo, traição e posse ilegal de armamento.
Fonte: Notícias ao minuto