De acordo com o Ministério da Saúde, essa alteração segue uma tendência global de utilização da VIP, que é composta por partículas inativadas do vírus, ao invés da versão oral, que utiliza o vírus atenuado.
O médico infectologista Fernando Chagas destaca que um dos benefícios da substituição é a possibilidade de vacinar mais pessoas. Como a VIP não contém o vírus vivo atenuado, até mesmo indivíduos com imunodeficiência podem receber a vacina.
A médica pediatra e infectologista Silvia Nunes Szente Fonseca acrescenta que outra razão importante para a troca é a questão da transmissão ambiental. A VOP, sendo um produto oral, faz com que uma parte do vírus atenuado seja excretada nas fezes das crianças vacinadas, disseminando o chamado “vírus vacinal da poliomielite”.
No passado, essa eliminação através das fezes ajudava a população a entrar em contato com o vírus enfraquecido, especialmente em áreas sem saneamento básico, estimulando a produção de anticorpos. No entanto, em casos raros, o vírus pode sofrer mutações no ambiente e causar a doença. “A vacina injetável, com o vírus inativado, elimina o risco de mutação ambiental”, afirma Silvia.
Além disso, a mudança simplifica o esquema vacinal. Todas as doses da vacina agora serão injetáveis. As três primeiras doses, que já eram da VIP, continuarão a ser administradas aos 2, 4 e 6 meses de idade. Aos 15 meses, as crianças receberão uma dose de reforço injetável, substituindo a “gotinha”.
A segunda dose de reforço, que antes era oral aos 4 anos, não será mais necessária. “A vacina foi melhorada, então a versão injetável não requer uma segunda dose de reforço”, explica Chagas.
Zé Gotinha
Entre 1968 e 1980, o Brasil registrou 25.183 casos confirmados de poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. Em 1980, o país iniciou a vacinação em massa e, em 1989, registrou o último caso da doença. Em 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o Brasil livre da pólio.
Grande parte do sucesso das campanhas de vacinação ao longo das décadas pode ser atribuída ao personagem carismático Zé Gotinha. Criado em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa, Zé Gotinha tem um papel importante no imaginário popular. “Quando vemos o personagem, sabemos que ali há vacina, que as pessoas estão cuidando da saúde e implementando uma estratégia de proteção coletiva”, afirma Chagas.
Mesmo com a mudança para a vacina injetável, o Ministério da Saúde garante que a figura do Zé Gotinha continuará sendo o símbolo das campanhas de imunização. (AE)
Fonte: O Sul