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Açúcar ou adoçante? Conheça os riscos de substitutos artificiais no corpo
Quando os adoçantes artificiais foram introduzidos no mercado americano na década de 1950, os fabricantes prometeram satisfazer o desejo por doces sem os efeitos negativos do açúcar, como as calorias e problemas de saúde associados. No entanto, as preocupações sobre esses substitutos do açúcar têm sido debatidas por cientistas e autoridades de saúde pública ao longo das décadas, revelando que esses produtos podem também apresentar riscos para a saúde. As pesquisas sobre o impacto desses adoçantes no corpo humano ainda são iniciais, complexas e, por vezes, contraditórias.
“Eles não foram estudados com a profundidade necessária em humanos”, afirma Dariush Mozaffarian, cardiologista e diretor do Food is Medicine Institute da Tufts University.
Tipos de Substitutos
Os substitutos do açúcar englobam diversas substâncias com sabor doce, mas sem as calorias do açúcar. Alguns são centenas ou até milhares de vezes mais doces, o que significa que são usados em quantidades muito pequenas. Eles são encontrados em muitos alimentos e bebidas “sem açúcar” e “diet”, como refrigerantes, chicletes, doces, produtos assados e sobremesas congeladas, além de estarem disponíveis como produtos independentes, em pó ou líquidos.
Os substitutos do açúcar são classificados em diferentes grupos:
- Adoçantes Artificiais: São aditivos alimentares sintéticos que são de 200 a 20.000 vezes mais doces que o açúcar de mesa. Desde a década de 1970, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou seis tipos: aspartame, sucralose, sacarina, acessulfame de potássio, neotame e advantame.
- Adoçantes à Base de Plantas e Frutas: Feitos a partir de folhas ou frutos de certas plantas e são pelo menos 100 vezes mais doces que o açúcar, conforme a FDA. Exemplos incluem extratos de estévia e fruta do monge. A taumatina, um adoçante de baixa caloria menos comum vendido sob a marca Talin, é extraída da fruta katemfe da África Ocidental.
- Álcoois de Açúcar: Embora tenham sabor doce, esses carboidratos não são nem açúcares nem álcoois e contêm menos calorias e carboidratos que o açúcar. Exemplos incluem sorbitol, xilitol, manitol e eritritol, encontrados naturalmente em frutas e vegetais como abacaxi, ameixa e cogumelos.
Benefícios e Riscos
“Algumas evidências sugerem que trocar bebidas açucaradas por suas versões dietéticas pode ajudar na perda de peso, desde que não se compense com mais calorias de outras fontes”, explica Maya Vadiveloo, professora de nutrição na Universidade de Rhode Island.
Uma revisão de 2022 de 12 ensaios clínicos, a maioria com duração de seis meses ou menos, indicou que substituir bebidas açucaradas por opções com poucas ou nenhuma caloria pode levar a uma pequena perda de peso (cerca de um quilo em média) em adultos com sobrepeso ou obesidade e em risco de diabetes.
Karl Nadolsky, endocrinologista e professor clínico associado da Universidade Estadual de Michigan, observou essa perda de peso, e muitas vezes mais, em pacientes que trocaram bebidas açucaradas por dietéticas.
No entanto, estudos de longo prazo sobre os substitutos do açúcar não encontraram benefícios claros para a perda de peso e, em alguns casos, indicaram possíveis danos. Por esse motivo, a Organização Mundial da Saúde recomendou em 2023 que se evite o uso de substitutos do açúcar para controle de peso ou melhoria da saúde, citando pesquisas que associam seu consumo a riscos aumentados de problemas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, obesidade e morte prematura.
Fonte: Jornal o Sul