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A bebê sequestrada por nazistas em experimento para criar ‘raça superior’

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Ingrid von Oelhafen só descobriu aos 58 anos que foi objeto de um sinistro experimento social nazista. Não apenas ela havia sido sequestrada pelos nazistas quando bebê, como havia uma outra pessoa vivendo sua vida.

Quando Ingrid tinha 3 anos, a Alemanha vivia as caóticas consequências da Segunda Guerra Mundial. O casal que a criava não era formado por seus pais biológicos, mas ela não sabia. Durante a guerra, eles se separaram e ela acabou sendo levada para um orfanato.

“Era Natal no dia em que cheguei [no orfanato]. Era um enorme salão com muitas mesas de madeira e estavam distribuindo presentes. Havia bolos de nozes e bolos de laranja. Deve ter me impressionado muito porque me lembro bem.” Mas aquela lembrança agradável foi o prelúdio de um momento triste. Embora sua mãe “não fosse muito calorosa”, Ingrid estava desesperada para morar com ela, como revelam suas cartas da sua infância.

“Eu sempre choro se alguém fala sobre você ou se eu penso em você. Querida, querida mamãe, por favor, venha me buscar”, escreveu a menina em uma carta, alguns anos depois de chegar no orfanato.

Erika?

Quando Ingrid tinha 11 anos, seu pai reapareceu em sua vida. Um dia ele a levou a uma consulta médica onde, para sua surpresa, ela foi chamada de Erika Matko.  Ela começou a perceber que esse era o nome que aparecia em todos os seus documentos oficiais. A menina não teve coragem de falar com seu pai sobre isso, mas falou com sua governanta.

“Ela me disse que eu não era filha biológica dos meus pais e que ninguém sabia realmente de onde eu era. Eu não queria que isso fosse verdade.”

Em 1999, quando tinha 58 anos e administrava sua própria clínica de fisioterapia, ela recebeu um telefonema da Cruz Vermelha perguntando se ela estava interessada em saber mais sobre seus verdadeiros pais.

“Eu imediatamente disse que sim e eles me colocaram em contato com um historiador para me ajudar a descobrir um pouco sobre minha história.”

Enquanto isso, Ingrid revisou alguns documentos que havia encontrado e notou algo incomum.

“Eu tinha uma ficha de vacinação contra catapora. O documento foi assinado por um nazista, Dr. Hesch, e tinha meu nome, data e local de nascimento. Dizia que eu era cidadã alemã. Mas também tinha a palavra Lebensborn”, conta.

Ela nunca tinha ouvido essa palavra, então começou a pesquisar, até encontrar a seguinte descrição:

“O objetivo do Lebensborn é acomodar e cuidar de mulheres grávidas racial e geneticamente valiosas, que, após cuidadosa investigação de suas famílias e dos pais das crianças, podem dar à luz crianças igualmente valiosas”.

“A ideia me parecia repugnante”, diz Ingrid.

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