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Trechos de pista simples concentram 84% das mortes em rodovias no RS

Pável Bauken

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Oito em cada 10 mortes em rodovias no Rio Grande do Sul, no primeiro semestre de 2019, ocorreram em trechos não duplicados. No período, 484 pessoas perderam a vida nas estradas federais e estaduais, segundo dados repassados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS).

Desse montante, 406 (84%) foram registradas em áreas de pista simples. O levantamento feito por GaúchaZH não contabilizou como faixa duplicada pontos onde há apenas terceira pista ou acessos a municípios.

As BRs 386 e 116 estão no topo do ranking de estradas com mais mortes no Estado no primeiro semestre, totalizando 88 óbitos — 18% do total registrado no período. Além de comportar boa parte do tráfego, essa duas rodovias têm mais um fato em comum: duplicações parciais em seus trechos.

O Estado conta com apenas 623 quilômetros de rodovias de pista dupla, segundo dados da última pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada em 2018. A soma representa somente 7,1% dos 8.855 quilômetros avaliados pelo órgão em solo gaúcho.

O Rio Grande do Sul está atrás de Estados como São Paulo (54,52%) — 9.983 quilômetros analisados — e Santa Catarina (16,45%) – 3.234 quilômetros pesquisados — no quesito.

Os números da CNT e do Detran-RS jogam luzes sobre um fator que aparece combinado com frequência em acidentes com mortes em rodovias no Estado: colisões registradas em trechos de pista simples. Um dos casos que entrou nas estatísticas no primeiro semestre ocorreu na madrugada do dia 19 de abril, no km 257 da BR-386, em Fontoura Xavier, no Norte. Seis pessoas — cinco integrantes da mesma família — morreram após um choque entre dois veículos do ponto não duplicado.

Fora do levantamento do primeiro semestre, dois acidentes fatais em vias com faixa simples ganharam repercussão no Estado em agosto. O primeiro tirou a vida de quatro pessoas na BR-116, em Cristal, no Sul, em 18 de agosto. Uma bebê de apenas um dia de vida estava entre as vítimas da colisão entre dois carros no km 421 da rodovia. Doze dias depois, seis pessoas de uma mesma família morreram no km 236, da BR-386, em Soledade.

Cronograma

No início de agosto, o presidente Jair Bolsonaro entregou 47 quilômetros duplicados da BR-116 no Estado. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) projeta entregar os 211,22 quilômetros de pista dupla, de Pelotas a Guaíba, até dezembro de 2021. O investimento é de R$ 1,6 bilhão.

Sob administração da CCR ViaSul desde fevereiro deste ano, a BR-386 terá mais 230,3 quilômetros da rodovia duplicados entre 2021 e 2036, conforme prevê o contrato de concessão. Boa parte do trecho atual entre Canoas e Lajeado já possui pista dupla, mas alguns pontos não têm acostamento adequado e nem divisão entre os dois sentidos.

Engenheiro civil e doutor em Transportes da UFRGS, João Fortini Albano afirma que rodovias duplicadas são importantes, pois diminuem a possibilidade de choque frontal entre veículos. Albano destaca que, ao trafegar em um trecho com duas faixas e divisão adequada, o motorista tem mais segurança para dirigir e alternativas para enfrentar eventuais adversidades no trânsito.

— A pista dupla praticamente elimina o choque frontal, com a presença de canteiro central e mureta divisora. Isso evita passagem de um lado para o outro da pista. É muito mais seguro. A batida frontal é a mais violenta, porque as energias se somam. Nessa situações, a chance de óbito é grande — diz ele.
Demanda

No entendimento do engenheiro, para justificar duplicação, uma rodovia deve ter passagem de pelo menos 10 mil veículos por dia. Albano avalia que o número de estradas para serem duplicadas no Rio Grande do Sul está na média, quase “caindo para o negativo”.

— Temos (áreas de) rodovias que registram grande volume de veículos, como a BR-290 e a RS-324 (norte do Estado), que ainda não foram duplicadas — exemplifica.

Dados do relatório de acidentalidade do Detran-RS no primeiro semestre fazem coro ao entendimento do especialista. Dos 733 acidentes fatais registrados no período (em estradas estaduais, federais e municipais), 253 (34,5%) foram causados por colisão frontal, traseira ou transversal.

Professor da escola politécnica da PUCRS e mestre em Engenharia de Transporte e Logística, Rafael Roco de Araújo afirma que a conduta do motorista é o principal fator que pode impactar na redução de acidentes fatais, independentemente do tipo de via. No entendimento do engenheiro, com pista em boas condições e bem sinalizada, o condutor tem condições de trafegar com segurança, respeitando as regras e orientações de trânsito:

— A questão é o motorista respeitar a regra. Duplicação só em caso de rodovia onde o volume está saturado. O motorista é responsável.

PRF orienta condutores

Chefe da comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, Cássio Garcez afirma que trechos de pista simples demandam mais atenção dos condutores, mesmo em locais onde a ultrapassagem é permitida:

— Os motoristas devem respeitar a legislação, principalmente a sinalização para ultrapassagem. E nos locais onde a ultrapassagem é permitida, é importante que o motorista tenha realmente a segurança para realizar essa manobra. A gente vê muitas vezes, mesmo em área onde a ultrapassagem é permitida, motoristas transitando no limite de velocidade, portanto a ultrapassagem não seria necessária e há dificuldade de conseguir a aceleração suficiente.

O inspetor cita a sonolência como outro fator que aparece com frequência em acidentes de trânsito fatais ou com lesões graves. Garcez afirma que esse problema costuma ser negligenciado pelos condutores na hora de pegar a estrada. Segundo o chefe da comunicação da PRF, motoristas podem driblar essa questão trafegando durante o dia.

Gaúcha/ZH

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Vacina desenvolvida por americanos apresenta resultados “robustos” em fases 1 e 2

Estudo foi publicado nesta quarta pela revista Nature

Pável Bauken

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Mais uma vacina contra a Covid-19, desta vez desenvolvida por pesquisadores americanos, apresentou resultados positivos nas fases 1 e 2 da testagem, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira (12), na Nature. O imunizante da BioNtech e da Pfizer induziu uma resposta imune “robusta” e não provocou efeitos colaterais graves em adultos saudáveis.

Os níveis de anticorpos neutralizantes produzidos pela BNT162b1 nos voluntários foram de 1,9 a 4,6 vezes maiores do que os apresentados por pacientes que tiveram a doença, de acordo com os resultados preliminares do estudo.

As fases 1 e 2 têm por objetivo testar a segurança e a resposta imunológica induzida pelo imunizante e o número de participantes é reduzido. No caso, foram 45 pessoas saudáveis com menos de 55 anos. Somente na fase 3 será testada a eficácia da vacina em grupos maiores.

O trabalho revelou ainda que a resposta imunológica apresentada pelos participantes aumentou conforme a dose aplicada até um determinado ponto e também foi mais intensa após uma segunda dose, de reforço, da vacina.

Segundo o estudo, a resposta imune foi muito mais forte no grupo que recebeu 30 microgramas de imunizante do que no grupo de recebeu 10 microgramas. Ambos os grupos receberam doses de reforço após 21 dias. Mas mesmo antes da segunda dose já apresentavam anticorpos contra o Sars-CoV-2.

No entanto, não houve diferenças notáveis na resposta imune entre os participantes que receberam 30 microgramas e os que receberam 100 microgramas. No entanto, os voluntários que receberam a dose maior também experimentaram mais efeitos colaterais. Por isso, não receberam a dose de reforço.

Entre os efeitos colaterais apresentados, que aumentaram com o volume da dose, estão dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça, febre e distúrbios do sono. Essas reações adversas, segundo os pesquisadores, são consideradas “leves e moderadas”.

Idosos de 65 a 85 anos também participam do estudo, mas os resultados dos testes neste grupo etário ainda não foram divulgados. Nas próximas fases, os pesquisadores querem dar prioridade à inscrição de populações mais diversas (37 dos 45 participantes das primeiras etapas eram brancos) e incluir ainda pacientes com doenças crônicas, mais vulneráveis à infecção.

“Apesar de nossa população de adultos saudáveis de 55 anos ou menos ser apropriada para um estudo de fase 1 e 2, ela não reflete com precisão a população de maior risco para a Covid-19”, escreveram os autores.

AE

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Câmara repassa R$ 1 milhão ao Executivo

Pável Bauken

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A Câmara de Vereadores de Santa Rosa repassou na manhã desta terça-feira, 11, cheque no valor de R$ 1 milhão ao Executivo, em ato realizado no gabinete do prefeito Alcides Vicini.

O valor foi entregue pelo presidente do Legislativo, Aldair Melchior, a Vicini, que agradeceu e ponderou que este valor, devido a articulação com o Poder Legislativo, será repassado ao Hospital Vida & Saúde, como forma de contribuir na aquisição do Abosco. A entrega contou com a presença do presidente do Vida & saúde, Rubens Zamberlan, e membros da diretoria da instituição e Câmara de Vereadores.

Aldair Melchior agradeceu o apoio que recebeu da Mesa Diretora e os demais vereadores, que compreenderam que o repasse de R$ 1 milhão do orçamento do Legislativo, era imprescindível nesta hora. Destacou que isso só é possível graças à política de economicidade colocada em prática na Câmara.

Lembrou que a Câmara, através da Comissão de Saúde, vem há tempo articulando com todos os envolvidos uma solução para este tema e que com a aquisição, por parte do Hospital Vida & Saúde, vai possibilitar a ampliação dos serviços em saúde e fomentar a economia local, já que o valor arrecadado com o leilão deverá ser destinado ao pagamento de créditos trabalhistas dos ex-funcionários do antigo Hospital Dom Bosco.

A Comissão de Saúde, Direitos Humanos e Assistência Social da Câmara é formada pelos vereadores Osório Antunes dos Santos (Presidente), Márcia Carvalho (Vice-presidente), Marcos Knorst e Sonia Conti (membros).

Em leilão judicial ocorrido nesta terça-feira, 11, o Vida & Saúde arrematou o prédio do Hospital Dom Bosco, que era mantido pela Abosco, por R$ 9,35 milhões. Dará R$ 2,5 milhões de entrada e pagará o restante em 30 parcelas.

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Musicanto terá triagem regional

Pável Bauken

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O Musicanto lançou uma novidade, e quer oportunizar um encontro da criatividade, originalidade e a sofisticação das canções compostas por autores regionais. Por este motivo acontecerá o Musicanto Local, uma triagem para as fases seguintes do festival, que ocorrerá no palco do Centro Cívico e Cultural Antônio Carlos Borges, no centro de Santa Rosa, no domingo, 11 de outubro de 2020.

Segundo o coordenador do Musicanto, Fernando Keiber, as inscrições podem ser feitas até o dia 10 de setembro, no site da FENASOJA 2020. “A ideia é reviver as antigas fases locais do Musicanto, que mobilização a comunidade e davam uma sensação de pertencimento com relação ao festival”, salientou. A retomada da fase local busca oportunizar a participação de artistas das cidades na região Noroeste, do Rio Grande do Sul. Podem se inscrever no Musicanto Local artistas de Alecrim, Alegria, Boa Vista do Buricá, Campina das Missões, Cândido Godói, Doutor Maurício Cardoso, Giruá, Horizontina, Independência, Nova Candelária, Novo Machado, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Santa Rosa, Santo Cristo, São José do Inhacorá, São Paulo das Missões, Senador Salgado Filho, Três de Maio, Tucunduva e Tuparendi.

Critério de participação: Serão aceitas apenas composições de autores dos Municípios da AMUFRON, conforme regulamento e cada compositor pode inscrever até três canções. As músicas devem ser inéditas em qualquer plataforma e enviadas juntamente com a letra e a ficha técnica com o nome dos músicos. Já as canções em letras estrangeiras devem conter a tradução em língua portuguesa e não há limite mínimo ou máximo de músicos participantes e de tempo de duração da música.

Serão dez músicas classificadas para a fase local com prêmio de R$ 1000 cada. Os dois primeiros lugares têm vaga garantida para o Musicanto Oficial.

Pelo segundo ano o Musicanto integra a programação oficial da Fenasoja e em 2020 traz ainda mais pluralidade e originalidade para o palco. A FENASOJA 2020 acontecerá de 27 de novembro a 06 de dezembro, no Parque de Exposições de Santa Rosa.

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