Sacolas biodegradáveis se mantêm quase intactas em teste de exposição ambiental de três anos

Pesquisa de universidade inglesa aponta que sacos plásticos do tipo não são tão eficientes no combate à poluição

Objetos foram expostos ao ar, solo e mar para uma análise | Foto: Lloyd Russell / Universidade de Plymouth / Divulgação / CP
Apoiadores:

Sacos plásticos biodegradáveis ​​e compostáveis não são completamente eficazes em seu processo de decomposição e ainda capazes de transportar compras até três depois de serem expostos ao ambiente natural, segundo um estudo publicado no domingo na revista científica Environmental Science and Technology. Pesquisadores da Unidade Internacional de Pesquisa de Lixo Marinho da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, examinaram a degradação de cinco modelos de sacola amplamente disponíveis no varejo no Reino Unido. Elas foram deixadas expostas ao ar, solo e mar – locais em que poderiam ser descartadas por usuários como lixo – para uma análise.

Foram utlilizadas duas oxibiodegradáveis, uma biodegradável, uma compostável e uma de polietileno de alta densidade (convencional). Nenhuma delas se decompôs completamente em todos os ambientes. Os objetos foram monitorados em intervalos regulares, e a deterioração foi considerada em termos de perda visível na área de superfície e desintegração, bem como avaliações de mudanças mais sutis na resistência à tração, textura da superfície e estrutura química.

Os exemplares biodegradáveis, oxibiodegradáveis ​​e convencionais continuaram funcionais como sacolas de transporte após permanecerem no solo ou no ambiente marinho por mais de três anos. Já as compostáveis desapareceram completamente após três meses no ambiente marinho. Contudo, estavam presentes no solo 27 meses depois de terem sido enterradas, ainda que, quando testadas como meio de carregamento, não conseguiam segurar nenhum peso sem rasgar.

A pesquisa, intitulada “Deterioração ambiental de sacos transportadores plásticos biodegradáveis, oxibiodegradáveis, compostáveis e convencionais no mar, solo e ao ar livre por um período de 3 anos” foi assinada pelo professor Richard C. Thompson e sua orientanda no programa de doutoramento Imogen E. Napper. O documento questiona se os produtos seriam confiáveis para oferecer uma taxa de degradação suficientemente avançada para proporcionar qualquer solução realista ao problema ambiental. A questão já havia sido levantada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que realizou um estudo, em 2015, informando que os plásticos biodegradáveis são “bem intencionados, mas errados” e indicando que alguns polímeros exigem compostores industriais e temperaturas acima de 50°C para serem desintegrados. Houve também evidências sugerindo um aumento da propensão pública de despejar o lixo em locais impróprios.

Estudo usou cinco tipos de sacolas diferentes
Sacola biodegradável após cinco anos de exposição à água | Imogen Napper / Divulgação / CP
Conforme Napper e Thompson, é necessário mais trabalho para estabelecer quais são os produtos de decomposição e para considerar quaisquer possíveis conseqüências ambientais. Eles citam um relatório da Comissão Europeia em 2013 que aponta que cerca de 100 bilhões de sacolas plásticas estavam sendo emitidas a cada ano, embora vários governos (incluindo o Reino Unido) tenham introduzido impostos projetados para lidar com isso. “Coletivamente, nossos resultados mostraram que nenhuma das sacolas poderia ser usada para mostrar qualquer deterioração substancial ao longo de um período de 3 anos em todos os ambientes. Por conseguinte, não é claro que as formulações oxibiodegradáveis ​​ou biodegradáveis ​​proporcionem taxas de deterioração suficientemente avançadas para serem vantajosas no contexto da redução do lixo marinho, em comparação com os sacos convencionais”, relatam em um resumo do texto.

Chefe da Unidade Internacional de Investigação de Lixo Marinho da Universidade de Plymouth, o professor também participou do inquérito do governo que levou à introdução da taxa de 0,05 libras esterlinas sobre cada sacola plástica no ano passado. “Esta pesquisa levanta uma série de questões sobre o que o público pode esperar quando vê algo rotulado como biodegradável. Nós demonstramos aqui que os materiais testados não apresentaram nenhuma vantagem consistente, confiável e relevante no contexto do lixo marinho. Preocupa-me que estes novos materiais também apresentem desafios na reciclagem. Nosso estudo enfatiza a necessidade de padrões relativos a materiais degradáveis, delineando claramente a via de descarte apropriada e as taxas de degradação que podem ser esperadas”, afirma em um vídeo divulgado pelo centro de ensino.

A Universidade de Plymouth vem realizando pesquisas sobre os impactos ambientais de sacolas plásticas por mais de uma década. Em 2004, Richard Thompson e sua equipe mostraram que as partículas de microplásticos se acumularam nos oceanos desde a década de 1960 e estão agora presentes em todo o mundo. A International Marine Litter Research Unit descreveu o acúmulo de fragmentos de detritos plásticos nos oceanos e muito do seu foco está nesses microplásticos. O trabalho mostrou que detritos microplásticos agora contaminam as linhas costeiras em todo o mundo; que eles estão presentes em quantidades substanciais em locais remotos, como o Ártico. Uma variedade de organismos marinhos, incluindo espécies comercialmente importantes, pode ingerir essas peças e estudos de laboratório mostraram que há potencial para isso levar a efeitos prejudiciais.

Os plásticos

À medida que o mundo busca soluções para o crescente acúmulo de resíduos plásticos na Terra, os produtos anunciados como biodegradáveis aumentaram muito sua comercialização, oferecendo a promessa de uma resposta amistosa ao uso de sacolas descartáveis. Plásticos são polímeros à base de carbono (moléculas de cadeia longa que repetem suas estruturas repetidas vezes) produzidas principalmente a partir do petróleo. Em média, sacos de plástico são usados por 12 minutos antes de nos livrarmos deles e podem levar 500 anos para se decompor no ambiente. São os chamados plásticos convencionais, utilizados na pesquisa junto com plásticos biodegradáveis, oxibiodegradáveis e compostáveis.

De acordo com o Dicionário Brasileiro de Ciências Ambientais, o plástico biodegradável é decomposto pela ação de organismos vivos para produzir produtos finais naturais, como água e dióxido de carbono, em um período de tempo razoável. O tempo necessário para se decompor depende completamente do material, condições ambientais, como temperatura e umidade, e localização da decomposição, de acordo com o Instituto de Produtos Biodegradáveis. Eles ​​são um subconjunto relativamente pequeno de bioplásticos que podem ser convertidos em água, dióxido de carbono (CO²) e biomassa ao longo do tempo com a ajuda de microrganismos. Eles ​​podem ser de base biológica ou de combustíveis fósseis.

O termo compostável refere-se a um material capaz de se decompor em dióxido de carbono, água e biomassa na mesma velocidade que a celulose. O plástico deste tipo também deve se desintegrar e tornar-se indistinguível no composto e não pode deixar nenhum material tóxico para trás. Eles são certificados por terceiros para aderir a padrões internacionais como ASTM D6400 (nos EUA) ou EN 13432 (na Europa). Teoricamente, eles irão se desintegrar dentro de 12 semanas e biodegradar pelo menos 90% dentro de 180 dias em uma instalação de compostagem municipal ou industrial, não em casa. Muitos materiais compostáveis ​​certificados exigem que as temperaturas mais altas dos ambientes industriais sejam biodegradadas com rapidez suficiente ou, em alguns casos, em todos os casos.

Embora frequentemente confundidos com biodegradáveis, os oxidegradáveis ​​são uma categoria em si. Eles são um plástico convencional misturado com aditivos químicos para acelerar a oxidação e a fragmentação do material sob a ação da luz ultravioleta e/ou calor e oxigênio e imitar a biodegradação. Eles ​​fragmentam-se rapidamente em pedaços cada vez menores, chamados microplásticos, mas não se quebram no nível molecular ou do polímero, como os plásticos biodegradáveis ​​e compostáveis. No ano passado, a União Europeia, com controvérsia, recomendou a proibição deles, porque a desintegração aumenta a preocupação de contaminação por microplásticos nos oceanos em todo o mundo.

Empresa se manifesta

Fundada na Escócia, em 2012 a empresa Vegware, que produziu a sacola compostável usada na pesquisa, emitiu uma nota afirmando que o estudo era um lembrete oportuno de que nenhum material era mágico e só poderia ser reciclado em sua instalação correta. “É importante entender as diferenças entre termos como compostável, biodegradável e oxidegradável. Descartar um produto no ambiente ainda é lixo, compostável ou não. Enterrar não é compostagem. Materiais compostáveis podem compostar com cinco condições principais: micróbios, oxigênio, umidade, calor e tempo”.

Porto Alegre busca soluções para sacolas plásticas

A questão do lixo plástico é um problema global e de alto impacto Brasil, quarto maior produtor de entulhos do tipo no mundo. No País, 13 capitais proibiram o uso de sacolas plásticas, incluindo São Paulo, que teria reduzido em 70% o uso de sacolas, de acordo com a Associação Paulista de Supermercados. Um projeto de lei semelhante tramita na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. No texto, o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) argumenta que depois de usadas, muitas sacolas são descartadas de maneira incorreta, aumentando a poluição e ajudando a entupir bueiros que escoam as águas das chuvas ou indo parar nas matas e oceanos.

Outra iniciativa, do mesmo parlamentar, pretende proibir o uso de material de isopor para acondicionamento de alimentos e bebidas em todos os estabelecimentos comerciais da cidade. Em dezembro do ano passado, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto de Sgarbossa: a proibição de canudos plásticos. A lei, já sancionada pelo prefeito Nelson Marchezan Jr., proíbe a oferta dos canudos plásticos em restaurantes, bares, lanchonetes, quiosques, ambulantes e similares. A matéria autoriza apenas canudos de papel ou de material biodegradável, que, conforme o estudo de Plymouth, não são totalmente eficientes.

Fonte Correio do Povo
Apoiadores:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui