Ruído de casarões caindo

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Há poucos dias vimos ruir alguns imóveis que faziam parte da história de Santa Rosa- ou, pelo menos, de nossas memórias cotidianas. E nem quero entrar no mérito do valor histórico ou arquitetônico que tinham, afinal, não é minha área técnica (muito embora, enquanto indivíduo que vive a cultura, um certo vazio inquietante sempre permanece).

Registro o sumiço de três casarões que me saltavam aos olhos, mas que podem bem mais, com certeza, pois a cidade vive um ciclo de construções e reformas bem expressivo, em especial nas áreas centrais e seus entornos imediatos. É como se tudo estivesse se revalorizando financeiramente.

Os casarões antigos que havia ao lado do Centro Cívico (imobiliária), outro na Avenida América (acima do Sindicato dos Bancários) e a moradia dos Eidt foram ao chão. Ah, e o ginásio Moroni também (embora este seja outra discussão). Confesso que sentirei a falta de todos eles. Eles não apenas estavam no lugar, eles eram a própria paisagem.

Vemos construções, reformas e, claro, demolições. É a dinâmica da economia. Eu sempre me pergunto: será que é mesmo necessário demolir o prédio velho? Será que não é possível fazer exploração do espaço para fins comerciais/habitacionais preservando os elementos básicos que o tornou precioso aos olhos dos cidadãos?

Há poucos dias, em Santa Maria, na parte velha da cidade, percebi que muitos prédios trazem inscrições de datas e nomes de pessoas, em clara ligação com aqueles que habitavam ali ou foram donos do imóvel. É legal manter vivo esse elo com o passado. Em Guarani das Missões há muitas casas com tabuletas indicativas do ano de construção, e aí você se surpreende com aquela informação, tipo: ANO 1922.

Não sou contra o desenvolvimento. Sei que é irrefreável. Todavia, escrevo sobre esse tema porque durante a semana eu passava de Toda Hora ao largo do prédio onde funciona a Eidt Odontologia, que é – indiscutivelmente – muito singular em sua arquitetura e história. É um lugar lindo, conservado e cuidado. E nem precisa estar enfeitado para o Natal, quando fica deslumbrante.

Para mim, este é um exemplo de que é possível aliar progresso e futuro com o passado, mantendo ligações com aqueles que nos legaram essa maravilhosa cidade para viver. O casarão da Eidt Odontologia mostra que preservar também pode ser belo. E, nem sempre precisa entrar em cena a grana.

Temo que, no ritmo avassalador com que derrubam prédios em nossa cidade, logo teremos uma cidade moderna e dinâmica, mas fria. Eu ainda sou de andar a pé, olhar para os lados e lembrar que naquele lugar…

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1 COMENTÁRIO

  1. Belo texto. Infelizmente essa (falta) de cultura da destruicao do patrimonio se repete por todos os rincoes do Brasil. Vale lembrar que a vizinha Santo Angelo com mais de 300 anos de historia nao conservou praticamente nada do seu patrimonio historico, e o caso de Sao Luiz Gonzaga, onde a reducao jesuitica permaneceu intacta ate parte do seculo passado, quando foi totalmente destruida para dar lugar a terrenos baldios e uma nova igreja.

    Deve-se preservar e valorizar o passado. Predios como os do Santander, Camara de Vereadores, Correios e antiga Biblioteca Publica deveriam estar tombados e preservados.

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