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Paulo Schultz

? Que tiro foi esse ?

Paulo Schultz

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Quase 180 mil novas armas de fogo foram registradas na Polícia Federal em 2020.

Resultado direto da facilitação legal promovida de forma obcecada por Bolsonaro.

Para além do evidente interesse dos fabricantes e vendedores de armas, a quem mais interessa a flexibilização da compra, do porte e uso de armas ?

Bolsonaro, é bem provável que não saiba, por nunca ter gostado de ler ou estudar( o que é nítido), tem uma concepção anarcocapitalista de sociedade.

Em uma forma primária, quase selvagem.

Uma concepção doente, onde as pessoas se movem livres, sem regras, e sem proteção ou intermediação do Estado.

Uma existência bárbara, onde os mais fortes subjugam os mais fracos, e estes, de acordo com a mentalidade doentia do ex-capitão, devem se adequar.

Quando, de forma insana, ele afirma que um povo armado não se deixa escravizar, ele parte do pressuposto de que uma força externa e diabólica supostamente poderia “escravizar as pessoas” sob determinadas regras, e tirar a liberdade destas de se mover e existir de forma individualista e sem regras ou limites sociais.

Bom, esse é o essencial do pensamento e da obsessão por armas do capitão Messias.

Mas, para além dele, quem se beneficia e quem tem essa obsessão quase que erótica por armas ?

Por óbvio que a facilitação de compra, porte e uso de armas enche de alegria as milícias.
E fortalece seu poder paralelo.

Mas… e quanto aos cidadãos aparentemente normais… (que são em número considerável, mas ainda bem que não majoritário no pais)..

Qual é o gosto… Qual a razão… O que se esconde por trás desse apoio e desejo por armas ?

Seria a visão patrimonialista…. de defender suas posses de qualquer pessoa ou grupo de pessoas a quem se possa rotular de bandidos, delinquentes, etc ?

Seja a visão patrimonialista do ponto de vista urbano ou do ponto de vista rural.

É possível.

É possível que essa visão patrimonialista seja fator, assim como a visão de merecimento e mérito, de que alguns tem porque merecem, e outros não porque não merecem, e, portanto, devem ser afastados a bala das posses dos “cidadãos merecedores e de bem”.

Mas há um outro grupo, para além desse centrado no patrimonialismo.

O grupo dos obcecados em se exibir com armas.

Uma relação quase que erótica como o fato de se ter uma arma na cintura, com parte dela dentro da roupa.

Ou aquela cena típica de faroeste… do valentão com um rifle escorado no ombro.. como que ostentando o seu poder de definir o que é o bem e o mal.

Existe aí um perigo profundo… de que esse gosto, esse prazer por armas e sua ostentação, estimulado pela facilitação e pelo incentivo, libere monstros internos de barbárie e de instinto letal.

E aí corremos o risco…
de termos uma situação no país, onde os marcos de existência coletiva e de respeito humano, e convivência social regrada e civilizada, sejam rompidos de forma a criar uma situação caótica de extrema violência e desagregação.

O tema é complexo.

Mas as ponderações que levanto aqui devem ser consideradas, de forma séria.

Do contrário, vamos nos saturar de ouvir uma mesma pergunta:

“Que tiro foi esse ?”

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Paulo Schultz

Coragem & Sorte

Paulo Schultz

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As duas primeiras bizarrices que o Brasil teve na presidência da República – Jânio Quadros e Collor – não completaram seus ciclos de mandato.

Julguei que Bolsonaro também não completaria.

Mas, nesta altura, quase no fim de fevereiro de 2021, e diante das circunstâncias atuais do país, creio que a pior das bizarrices já empoderadas no país vá até o fim do seu tempo concedido de governo.

O que significa um estrago considerável.

Não quero me ater aqui a esmiúçar e analisar a figura Bolsonaro, nem seu não-governo ( isso já foi feito exaustivamente).
Quero focar em outro aspecto….

A primordial necessidade de se ter coragem, uma estratégia correta, e a sorte que deve acompanhar sempre quem luta do lado certo da história.

Se, nesta altura, é muito difícil movimentar forças suficientes para interromper a desgraça que é este governo do ex-capitão, é preciso coragem, estratégia e sorte, não só para parar ou minimizar os estragos, mas também para evitar que se criem condições necessárias para que essa bizarrice destrutiva e insana não tenha prorrogação com um segundo mandato.

É preciso ter a coragem e a estratégia dirigente e militante ativa em todas as forças da esquerda no país, para liderar um movimento político e social, que, debatendo e agregando outras forças políticas que tenham um patamar razoavelmente comum de comprometimento com valores humanos, respeito à vida e à pluralidade, compromisso com os pilares básicos de uma república e de uma democracia de fato, enfim…

Para que se criem as condições necessárias para interromper ou minimizar o ciclo destrutivo pelo qual passa o país, e que se faça necessariamente a construção sólida de uma alternativa que vede uma segunda onda de 4 anos de poder dessa monstruosidade chamada bolsonarismo.

O que não é uma tarefa fácil.

E aqui a questão, antes de debater e cravar uma frente ampla única, provavelmente seja estabelecer o que se quer, e como fazer para atingir isso.

A ideia de frente, seja ela como for, é um passo a posterior.

Até porque, considerando a dificuldade real de se estabelecer uma frente única, é possível sim, que por mais de uma via, se faça o combate certeiro do alvo principal.

E que, passada uma etapa dessa disputa, se faça uma unificação em uma segunda etapa da mesma.

Absolutamente factível isso.

Factível e desejável, e, claro, deve contar com o desprendimento livre de rancores e mágoas.

Bom, mas se acertar na estratégia e na intensidade de coragem é possível, também há que se contar com outro fator: sorte.

A história nos conta que toda boa batalha ou disputa vencida contou com coragem e estratégia, mas teve também a presença essencial da boa sorte.

A sorte que acompanha aquele lance final, onde se joga tudo numa distante cesta de 3 pontos, ou onde se coloca a bola no ângulo num chute já nos descontos finais do jogo..

É dessa sorte que eu estou falando.

É a sorte que sai do brilho nos olhos de quem luta do lado certo da história, e a sorte de quem conta com o poder simples, mas forte, do argumento da vida, e por ela, e para que ela seja para todos.

Palavras e ações.

E um trevo de quatro folhas no bolso.

Ao trabalho.

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Paulo Schultz

Sacudindo o tabuleiro

Paulo Schultz

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em



Uma visão ampla e certeira é o que é preciso ter nesse momento….

Muito mais do que indicar um nome para concorrer a presidente, a questão foi mexer no tabuleiro político..
provocar movimentação e discussão política no país…

Para que se entenda do que é que nós precisamos nos livrar ( do perverso e do sinistro).. e o que é que nós precisamos construir.

Esse é o sentido que precisa ser captado da colocação pública do nome de Fernando Haddad como possível candidato a presidente em 2022.

Ora, vamos lembrar que no segundo turno de 2018, com toda a carga de ódio, antipetismo e em plena euforia a favor de Bolsonaro, a candidatura de Fernando Haddad atingiu 45% dos votos, 6% somente a menos do que Dilma fizera em 2014, quando venceu a eleição de forma apertada com 51% dos votos, em percentuais arredondados.

Isso é um capital político que só alguém de visão muito parcial pode desprezar.

Pois esse movimento de colocação pública de Haddad como possível candidato, movimenta toda cena política do país, desde a esquerda, passando pelo centro, chegando na direita e na extrema direita.

É a famosa batida na mesa… aquela que desacomoda… aquela que tira da zona de conforto, tanto quem está numa posição de poder, quanto quem está numa posição ruim, e mesmo assim, letárgica.

Porque ela levanta hipóteses, cenários, e remete para trás, de uma forma que se pensa ….
” poderia ter sido diferente em 2018″.

E ela também remete para frente, porque põe a população a pensar, de forma rasa ou mais elaborada, se em 2022 o caminho a seguir deve ser um caminho diferente.

E esse seguir um caminho diferente quer dizer avaliar a vida coletiva da grande maioria das pessoas do país, e mais do que isso, avaliar a vida individual de cada um e cada uma da grande maioria dos brasileiros.

Esse é o sentido desse movimento.

Pensar o passado… avaliar o presente… tentar perceber o futuro.

Natural que hajam contrariedades, rusgas, alguns ciúmes, etc.

Faz parte do jogo.

Mas o mais importante é o efeito que esse movimento vai fazer: será posto de forma clara o que é que vivemos de 2019 para cá, e o que é possível construir para interromper esse quadro destrutivo e por vezes desumano.

O resto a gente faz no caminho.

No resumo das coisas… a colocação do nome do Haddad equivale àquele velho ditado..

” Não há mal que dure para sempre, e que não possa ser destituído por um novo bem maior”.

Ao trabalho.

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Paulo Schultz

Quando você passar…pode ficar com seu mundinho

Paulo Schultz

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Com que se parece o ser que hoje ocupa o cargo da presidência da república ?

Bem, lembra aquele cara que vai para o bolicho da esquina, encher a cara, e volta para casa horas depois, bêbado, e bate na mulher e nos filhos, em seguida vai deitar na cama sujo e fedendo, e vomita no tapete.

Esse é o grau de abjeção e asquerosidade que se equivale à figura do atual primeiro mandatário do país.

Acabou a tolerância e a paciência (e até a complacência conivente) da grande maioria dos brasileiros com ele e seu governo.

Setores conservadores e liberais que até há pouco ainda mantinham apoio ao governo estão engrossando o movimento, ainda que por outras razões, daqueles que querem o impedimento legal e necessário de Jair Bolsonaro do cargo de presidente.

É muita destruição em dois anos.

Do ponto de vista social,econômico, ambiental, de relações internacionais, e sobretudo das relações humanas entre os próprios brasileiros.

É muita falta de compostura, muita ignorância, muita tosquice, muito negacionismo.

É também falta de capacidade intelectual, falta de sensibilidade humana, e um comportamento diário perverso que transpira daquele corpo opaco e sinistro.

O ápice disso tudo vem sendo este período de quase um ano de pandemia, com negacionismo, uma postura ignorante e messiânica de defender medicamentos inúteis, negar medidas sanitárias de precaução, estimular uma horda de fanáticos imbecis a concordar com tudo isso, e, por fim, fazer de tudo para atrapalhar e postergar um processo de vacinação que possa por fim ao ritmo de mais de 220 mil mortes.

Daria para explanar e citar muito mais, mas esse não é o foco aqui.

O fato é que, seja através de impeachment – o que é desejável para esse ano de 2021- , ou seja através de derrota eleitoral no ano de 2022, Bolsonaro e tudo de ruim que ele trouxe consigo precisam passar.

Porque, como disse, os estragos já foram em número e intensidade além do suportável para maioria dos brasileiros.

E quando esse tempo de Bolsonaro passar, é preciso que disso tudo que o país viveu, fique a lição, de que a bizarrice, quando alçada a um patamar de poder, pode se revelar um monstro perverso e empoderado, e nocivo.

Quanto a figura em si, esta deve voltar ao lugar insignificante de onde saiu.

E ao fazer isso, pode, com toda a liberdade, levar todo seu mundinho junto.

Toda essa horda de seguidores fanáticos e imbecis, todos os colaboradores e redes de fake news, todos os pensadores lunáticos, todos os falsos moralistas, todos os vigaristas, todos os preconceituosos, todos os milhares de verde-olivas, e tudo mais de ruim, perverso e abominável.

Sim, capitão Messias, quando você passar… pode levar e ficar com todo o seu mundinho…

Porque nós que somos a maioria, a grande maioria da população do país, não estaremos nem aí.

Só queremos ter a certeza de acordar um dia após o outro sem sentir no ar nenhuma presença pestilenta a nos tumultuar e dificultar a vida.

Vai dar trabalho e muito enfrentamento, mas vai valer a pena porque isso vai passar.

Há de ser melhor – e será.

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