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Por que Nasa enviará balão do tamanho de estádio de futebol à estratosfera?

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Ilustração da Nasa mostra possível visual do balão de 150 m de largura ascendendo à atmosferaImagem: Laboratório de imagem conceitual do Centro Goddard de Vôos Espaciais da Nasa / Michael Lentz


A Nasa vai enviar um balão gigante inflado com gás hélio do tamanho de um estádio de futebol para a estratosfera. Mas calma, o objetivo não é realizar partidas próximas ao espaço. Planejado para ser lançado em dezembro de 2023 a partir da Antártida, o balão carregará um telescópio moderno de 2,5 metros de altura para estudar regiões de formação de estrelas e a explosão de supernovas.

O Asthros (sigla em inglês para de Telescópio Estratosférico de Astrofísico para Observações de Alta Resolução Espectral em comprimentos de onda submilimétricos) passará cerca de três semanas flutuando nas correntes de ar acima do continente gelado.

Segundo a Nasa, o balão que carregará o equipamento possui 150 metros de largura e pode atingir até 40 km de altitude, ou seja, aproximadamente quatro vezes mais alto do que os aviões comerciais voam.

Uma gôndola sob o balão levará o telescópio. O equipamento é composto por uma antena parabólica de 2,5 metros e uma série de espelhos, lentes e detectores projetados para capturar fenômenos espaciais que emitem luz infravermelha distante. Esse tipo de luz tem comprimentos de onda muito mais longos do que o visível para os humanos, e que também são bloqueados pela atmosfera da Terra.

De acordo com a Nasa, os instrumentos de infravermelho precisam ser mantidos muito frios durante a missão e, para isso, o telescópio dependerá de um criocoletor, que usará energia elétrica a partir de painéis solares e manterá os equipamentos a 268,5 graus Celsius negativos.

Durante o voo, os cientistas poderão controlar com precisão a direção apontada pelo telescópio e fazer o download dos dados em tempo real usando links de satélite.

Segundo a Nasa, os testes no equipamento começaram a ser realizados já em agosto deste ano. A equipe espera que o balão complete dois ou três circuitos ao redor do Polo Sul em cerca de 21 a 28 dias, sendo transportado pelos ventos estratosféricos. Mesmo a 40 km de altura, o balão ainda estará longe dos limites do espaço, que ficam a cerca de 100 km da superfície terrestre.

A missão

O telescópio que o Asthros levará à estratosfera poderá medir o movimento e a velocidade do gás em torno de estrelas recém-formadas. Para isso, a missão estudará quatro alvos principais —a Nasa diz que dois deles são regiões de formação de estrelas na Via Láctea.

Ele detectará e mapeará a presença de dois tipos específicos de íons nitrogênio (átomos que perderam alguns elétrons) nessas regiões. Esses íons podem revelar locais onde ventos de estrelas massivas e explosões de supernovas remodelaram as nuvens de gás nessas regiões.

Em um processo chamado de “feedback estelar”, essas violentas explosões podem, ao longo de milhões de anos, impedir a formação de estrelas e interromper o processo de formação por completo. Mas, são capazes também de agrupar o material circundante, o que acelera a formação de estrelas.

“Simulações em computador da evolução das galáxias ainda não conseguem replicar completamente a realidade que vemos no cosmos. O mapeamento de nitrogênio que faremos com o Asthros nunca foi feito antes, e será emocionante ver como essas informações ajudam esses modelos mais precisos”, disse o cientista do JPL, Jorge Pineda, pesquisador principal da Asthros.

Os outros dois alvos do telescópio são a galáxia Messier 83, onde se espera observar sinais de feedback estelar para entender seu efeito em diferentes galáxias; e a W Hydrae, uma jovem estrela cercada por um amplo disco de poeira e gás onde planetas podem estar se formando —a ideia é medir a massa total desse disco para descobrir lugares onde a poeira está se acumulando e formando planetas.

Por que um balão?

Embora possa parecer que enviar balões seja antiquado, a Nasa afirma que eles oferecem vantagens sobre as missões espaciais. O Programa Científico de Balões da Nasa opera há 30 anos, na Virgínia, Estados Unidos, e lança de 10 a 15 missões em diversos locais ao redor do mundo.

Segundo a agência, as missões de balão não só têm custos mais baixos em comparação às missões espaciais, como também são realizadas com menos tempo entre o planejamento e a implantação. Isso significa que essas missões podem aceitar os riscos mais altos associados ao uso de tecnologias novas que ainda foram ao espaço.

“Missões de balão como o Asthros são de maior risco que as missões espaciais, mas geram grandes recompensas a um custo modesto”, afirmou ao site oficial da Nasa o engenheiro do Laboratório de Propulsão a Jato da agência, Jose Siles, que também é gerente de projeto do balão.

“Nosso objetivo é fazer observações astrofísicas que nunca foram tentadas antes. A missão abrirá o caminho para futuras missões espaciais testando novas tecnologias e fornecendo treinamento para a próxima geração de engenheiros e cientistas”, disse Siles.

UOL

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Engajamento da população é vital para evitar incêndio na natureza

Projeto aposta em crianças para mudar a prática de queimadas

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© Chico-Ribeiro/Governo Mato Gross

O coordenador de Educação Ambiental do Projeto Bichos do Pantanal, do Instituto Sustentar, Mahal Massavi, disse que o engajamento da população é essencial para a prevenir incêndios. Segundo ele, a educação tem que começar desde os primeiros anos das crianças, tanto em casa quanto nas escolas.

Para o ambientalista, a prática de queimadas é uma característica do Brasil, que pode ser notada em especial no estado do Mato Grosso, entendida sempre como um forma de auxiliar na limpeza do terreno. “O comportamento não surgiu agora. É histórico, centenário, disse o coordenador. “Mato Grosso tem o perfil da cultura agrícola e a questão do fogo é mais intensa ainda ali.”

Para mudar a conduta, ele considera importante uma ação engajada da população. “O que a gente vislumbra nesse processo é realmente motivar as pessoas, através da educação ambiental, para uma nova fórmula de vínculo, uma nova forma de estar na natureza e pensar aquele espaço como um espaço meu e do outro também, de coletividade, de que o fogo, na verdade, causa muito mais prejuízos do que vantagens que, no caso aqui, seria limpeza”, afirmou.

Fora de controle

Mahal Massavi avaliou que agora, a questão ficou fora de controle. “O fogo ateado em uma propriedade dificilmente poderá ser controlado pelo proprietário da terra para ficar delimitado. Em função da estiagem, toda a vegetação no Pantanal, principalmente, que é uma região que está sofrendo bastante, fica muito seca porque as árvores perdem as folhas e isso gera um combustível muito fácil de pegar fogo.”

Segundo Massavi, dentro de casa ou na escola a criança tem que ser motivada a pensar que o fogo é prejudicial e que, se ela coloca fogo no seu quintal, em uma propriedade, aquilo vai afetar todo mundo, em uma escala local, regional e global. “Esse pequeno discurso, essa pequena construção que a gente acha inicialmente que é uma ideia romântica, vai trazer um efeito gigantesco e em escala”.

A criança passa a entender que aquele espaço é um espaço de pertencimento para ela também, onde ela vivencia experiências e que ela tem responsabilidade por esse espaço.

Para o educador ambiental, nas últimas décadas, o Brasil perdeu muito esse papel das escolas. “A escola deixa de fazer isso e a família também, onde a educação é precária, pais que não estão presentes. E esse senso de pertencimento e de responsabilidade deixa de estar nas crianças”, disse.

Despertar

O Projeto Bichos do Pantanal, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, tem como objetivo despertar nas crianças essa nova forma de vínculo, de estar na natureza, vendo-a como um espaço dinâmico, que envolve não só o espaço físico, mas tudo que está inserido ali, como os animais.

O projeto promove visitas semanais nas escolas, durante as quais acompanha professores e alunos, principalmente das séries iniciais, levando as crianças até áreas naturais ou dentro das cidades, para reforçar que elas fazem parte do espaço e que qualquer ação que provoquem vai determinar uma reação naquele local. O objetivo é mudar a mentalidade e a postura vigente até agora.

O Bichos do Pantanal atua nos municípios de Cáceres e Porto Estrela, que apresentam dois biomas importantes do Brasil, que são o Cerrado e o Pantanal. Mahal Massavi afiançou, porém, que a educação ambiental alcança uma dimensão bem maior. O projeto almeja se estender para outras localidades mas, para isso, depende do orçamento que recebe através do Programa Petrobras Socioambiental.

Parcerias

O projeto tem parcerias com  o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) nas unidades de conservação. Nos dois municípios de Mato Grosso (Cáceres e Porto Estrela) há duas estações ecológicas: Taiamã, que fica ao longo do Rio Paraguai, localizada na planície pantaneira, com grandes campos inundáveis; e Serra das Araras, que fica no planalto, região de cerrado. Ali já se tem, há muitos anos, um bom controle do fogo, disse o coordenador. As queimadas nessa estação são sempre contidas com muita eficácia, graças ao trabalho dos chefes das unidades. “As crianças conseguem perceber como é importante a manutenção dessas áreas para a biodiversidade”.

Além do ICMBio, o projeto tem parcerias com prefeituras locais, escolas, fundações. “É uma rede de cooperação com outros projetos e instituições no sentido de alcançar esse objetivo, que é motivar essa nova conduta”. Por meio dessa rede colaborativa, o projeto trabalha para formar gestores que descubram potencialidades que promovam o desenvolvimento sustentável. Uma das principais linhas com essa meta é o ecoturismo local, que atua, em especial, com proprietários de grandes fazendas, que acabam deixando no passado a prática das queimadas, tão prejudicial ao meio ambiente.

Fazendeiros

Os fazendeiros que aderiram ao programa do ecoturismo deixaram de fazer queimadas. “Isso é importante, quando a pessoa passa a enxergar e se vê como parte do processo e tem um retorno financeiro. Essa geração de renda foi fundamental para que se mudasse também essa visão, para que se entendesse que a floresta em pé, que os animais vivos, trazem muito mais retorno, até retorno financeiro, do que ir lá e matar e colocar fogo”, disse Massavi.

Segundo o Projeto Bichos do Pantanal, quase a totalidade dos focos de incêndios são provocados pela ação humana, seja intencional ou acidentalmente. O projeto reitera que há necessidade de um despertar do indivíduo e da coletividade para a conservação do meio ambiente, para garantir qualidade de vida para a população e para a própria sustentabilidade.

ebc

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Eclipse lunar é usado para estudos sobre vida em outros planetas

Astrônomos da Nasa utilizaram o telescópio Hubble na pesquisa

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© Valter Campanato/Agência Brasil

Astrônomos da Nasa conseguiram detectar o ozônio da atmosfera terrestre a partir do reflexo da luz solar na Lua, durante o último eclipse lunar. A presença do ozônio é um indicativo da existência de vida em planetas, uma vez que, além de ser subproduto do oxigênio, o gás serve de escudo protetor para a atmosfera.

A constatação foi possível com a ajuda do telescópio Hubble, da Nasa (a agência espacial norte-americana), após ser posicionado entre os dois corpos celestes e fazer da Lua uma espécie de espelho para refletir a luz solar que havia passado pela atmosfera da Terra.

Na Terra, a fotossíntese, ao longo de bilhões de anos, é responsável pelos altos níveis de oxigênio e espessa camada de ozônio do nosso planeta. Essa é uma das razões pelas quais os cientistas pensam que o ozônio ou o oxigênio pode ser um sinal de vida em outros planetas. “Encontrar o ozônio é significativo porque é um subproduto fotoquímico do oxigênio molecular, que é um subproduto da vida”, explicou o pesquisador principal das observações do Hubble, Allison Youngblood – do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial em Boulder, Colorado (EUA).

Com a técnica utilizada, é possível identificar os componentes de uma atmosfera, quando ela “filtra” a luz solar que a atravessa. Com os novos telescópios que estão sendo construídos, maiores e com tecnologias ainda mais avançadas do que as utilizadas no Hubble, será possível identificar essas substâncias na atmosfera de exoplanetas (planetas ao redor de outras estrelas).

“Até agora, os astrônomos têm usado o Hubble para observar a atmosfera de planetas gigantes gasosos e superterras [planetas com várias vezes a massa da Terra] que transitam por suas estrelas. Mas os planetas do tamanho da Terra são objetos muito menores, e suas atmosferas são mais finas. Portanto, extrair essas assinaturas de exoplanetas do tamanho da Terra será muito mais difícil”, informou a Nasa.

Assim sendo, os pesquisadores precisarão de telescópios espaciais muito maiores do que o Hubble para coletar a fraca luz das estrelas que passa pela atmosfera desses pequenos planetas, quando passarem em frente ao sol de seu sistema.

Youngblood acrescenta que encontrar ozônio nos céus de um planeta extrassolar não garante que exista vida na superfície. “Você precisaria de outras assinaturas espectrais além do ozônio para concluir que havia vida no planeta”, acrescentou.

De acordo com a Nasa, a variabilidade sazonal na assinatura do ozônio pode indicar a produção biológica sazonal de oxigênio, assim como faz com as estações de crescimento das plantas na Terra. Mas o ozônio também pode ser produzido sem a presença de vida quando o nitrogênio e o oxigênio são expostos à luz solar.

Para aumentar a confiança de que uma bioassinatura é realmente produzida pela vida, os astrônomos devem pesquisar combinações com outras bioassinaturas. “Os astrônomos também terão que levar em consideração o estágio de desenvolvimento do planeta ao olhar para estrelas mais jovens com planetas jovens. Se você quisesse detectar oxigênio ou ozônio de um planeta semelhante ao da Terra primitiva, quando havia menos oxigênio em nossa atmosfera, as características espectrais da luz óptica e infravermelha não são fortes o suficiente “, acrescenta Giada Arney, do Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, Maryland (EUA).

*Com informações da Nasa / ebc

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Médicos especialistas do Rio embarcam para ajuda humanitária no Líbano

Seis profissionais vão ajudar na tragédia em Beirute

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© Reuters/ISSAM ABDALLAH?Direitos Reservados Geral

Seis médicos de grande experiência em traumas e queimaduras da rede municipal de saúde do Rio  embarcam hoje (10)  à noite para o Líbano em missão humanitária de ajuda aos milhares de feridos da explosão da semana passada em Beirute, capital daquele país. Os profissionais trabalham em  dois grandes hospitais de emergências do Rio, sendo cinco do Miguel Couto e um do Souza Aguiar. No grupo há três cirurgiões gerais, uma neurocirurgiã, um cirurgião plástico e uma clínica geral. A prefeitura do Rio também está enviando medicamentos para ajudar no tratamento dos feridos.

O prefeito Marcelo Crivella  se reuniu, no Centro Administrativo da prefeitura, com os médicos na presença do cônsul-geral do Líbano no Rio, Alejandro Bitar.  “Os médicos têm grande experiência e tenho certeza que a equipe médica vai representar o espírito solidário do povo carioca”, disse Crivella.

Todos os médicos da comitiva da testaram negativo para covid-19. Os profissionais atuarão na linha de frente da tragédia libanesa, utilizando EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) que estão levando na viagem e seguindo os protocolos sanitários de prevenção, tanto em relação ao novo coronavírus quanto a outros tipos de contaminação .

A comitiva de ajuda humanitária da prefeitura do Rio embarca às 21 h no Aeroporto Santos Dumont, com destino a Guarulhos (São Paulo). À meia-noite, o grupo viaja para Frankfurt, na Alemanha. De lá, seguirão até Beirute. De acordo com a neurocirurgiã do Hospital Miguel Couto, Gianne Leite Lucchesi  os profissionais também têm treinamento em gestão e, por conta do atendimento de emergência, estão acostumados a lidar com catástrofes.

Cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, substância usada na produção de explosivos e fertilizantes, explodiu no início da noite do dia 4 na área do porto de Beirute. A situação causou pânico e destruição na região. O acidente deixou mais de uma centena de mortos e milhares de feridos, muitos deles com queimaduras graves. O impacto da explosão foi sentido até no Chipre, a mais de 200 quilômetros da costa libanesa.

ebc

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