Papo reto…com espinhos – Portal Plural
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Paulo Schultz

Papo reto…com espinhos

Paulo Schultz

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em



Fechadas as eleições de 2020, não quero me ater ao balanço do que já é conhecido.

Que o bolsonarismo se esfarinhou e voltou ao seu tamanho de gueto.

Que o centrão e a velha direita saíram vitoriosos.

Que a esquerda teve algumas retrações, mas se mostrou numérica e qualitativamente forte e resiliente, com o germinar e a consolidação de novos quadros e lideranças, tendo sido eles vitoriosos ou não em suas disputas.

Isso está posto.

Meu olhar está no fato de que uma das leituras do resultado deste processo eleitoral, para o conjunto da esquerda brasileira, é que o germinar e a consolidação de novos quadros e lideranças, e seus respectivos espaços políticos, estão alicerçados em algo bem claro: um discurso e uma narrativa consistentes, com conteúdo, focados na esperança, na dignidade e na cidadania, e no deixar de lado o discurso da concertação social.

Venceu, dentro da esquerda, quem foi claro incisivo, e não temeroso.

Venceu quem soube dizer, sem medo, que há sim uma disputa de classes, em cada município, e no país como um todo.

Venceu quem soube dizer com firmeza que o fosso social, que as diferenças sociais, que a ausência de cidadania, e a carência de milhões não se resolvem com concertação paliativa.

Venceu quem foi visceral ao tocar em problemas e suas responsabilidades, sem medo de ferir setores de cima da sociedade, nem de melindrar fundamentalistas.

Venceu quem soube captar que o mundo do trabalho mudou após a reforma trabalhista feita no governo Temer, e que o discurso para os milhões de trabalhadores desse novo e vampiresco mundo do trabalho, é o discurso que eles existem, são cidadãos, e devem ter suas profissões colocadas dentro de um enquadramento de proteção social e amparo legal humano.

Venceu, na esquerda, quem soube captar e dizer que o povo da periferia não deve ficar embretado entre as milícias e a vigarice ordinária do fundamentalismo religioso.

Venceu,na esquerda, quem soube aliar um sentimento de esperança à uma fala vigorosa.

Quem soube dizer que é preciso ousadia e coragem, e que,se for preciso, se deve enfrentar setores da sociedade, em nome da defesa da maioria, daqueles que são relegados ou normalmente tratados com migalhas.

Venceu quem disse que é necessário inverter prioridades, e que o crescimento econômico deve ser desconcentrado e possibilitado a todos os setores.

Por fim, venceu, pela esquerda, sendo vitorioso ou não na eleição em si, quem foi genuinamente esquerda.

Semeando esperança, coragem e ousadia, e afirmando que é possível, e que essa possibilidade requer a verdade e algum enfrentamento, sem passar pano prá ninguém.

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Paulo Schultz

O tempo não pára

Paulo Schultz

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Fim de 2020.

Hora do retrô…sem passar pano….

O que se viu por aí…..

Candidato marionete , gestado e bancado pelo poder econômico e pela turma do triângulo, ser vencedor, mesmo deixando claro que não conhecia até então parte substancial da cidade que irá governar.

Tendo, inclusive, que ler em debate, perguntas e respostas escritas previamente por sua assessoria, tamanho o despreparo da “criança”.

Quase 200 mil brasileiros mortos pela pandemia do coronavírus, e o governo do capitão Messias c….. e andando prá isso, e o próprio demonstrando quase que diariamente o quão asqueroso e pervertido se pode ser, e , como sempre, falando merda.

Um comportamento praticamente inacreditável dos bolsonaristas raiz, sendo contrários a qualquer vacina contra o covid, e defendendo de forma bizarra, patética e tresloucada a “santa cloroquina”.

Milhares de americanos imbecis fazendo protestos contra um suposto roubo ou fraude na eleição presidencial americana, onde seu “mito” Trump saiu derrotado.

! Sim, a imbecilidade contemporânea não é exclusividade dos bolsonaristas.

“Yes, nós temos gado também”, pensa Trump.

Filhos de Bolsonaro têm imóveis comprados com dinheiro vivo, praticamente uma confissão de movimentação financeira “não-contabilizada” – caixa 2.

Flávio Bolsonaro tem movimentação de milhões no esquema das rachadinhas, mas nada acontece – seu pai montou um esquema para blindá-lo, inclusive utilizando aparato público da ABIN.

O país fecha o ano com 14 milhões de desempregados, e com mais de 32 milhões de brasileiros vivendo de bico e/ou na precariedade do trabalho informal.

Em 2021, sob efeito de vários fatores, como o fim do auxílio emergencial, o quadro deverá ser pior.

Mais desemprego, mais precariedade, mais carestia, mais fome, mais miséria.

Violência de gênero e de raça aflora com força no país.

Sim, Bolsonaro conseguiu: despertou o que há de pior em uma parcela significativa da população.

Sentem-se autorizados a serem assim, pois a primeira figura do país os encoraja a mostrarem como de fato são.

Parte significativa dos brasileiros torna explícito que não são simpáticos, empáticos e nem bonzinhos – é maldade e preconceito na veia.

Ao invés de ajudar quem está sendo agredido, filma-se o “evento” , e deixa-se a barbárie acontecer.

É tempo da conivência ao vivo, e em rede.

Assim caminha a humanidade…

Tem muito mais ….

Um ano é um período de tempo complexo e extenso…

Em todos os aspectos da vida…

Não se esgota em um texto tudo isso…

Afinal, de tudo só se tem uma certeza: o tempo não pára.

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Paulo Schultz

? Como vai você hoje em dia….

Paulo Schultz

Publicado

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O emprego tá difícil .. o desemprego tá grande…
Viver de bico.. sem direito a nada… na precariedade… sem descanso… sem um mínimo de tranquilidade…

Se aposentar ficou pior… é preciso mais tempo.. para depois receber menos…

Comer também ficou complicado… custos em alta e renda em baixa…. alimentos básicos transformados em preço de mercadoria rara…

A saúde precarizou… e 2020 trouxe uma pandemia que daqui a pouco vai bater em 200 mil mortes no país… e junto com a pandemia… um pandemônio chamado Bolsonaro.

A fome voltou… A miséria que havia diminuído… tornou a ser a dura realidade de milhões..

Se vive um ambiente de não-governo…

Uma situação bizarra e bárbara… Como que estivéssemos numa sociedade de faroeste anarcocapitalista… cujo comandante é um perverso com perturbações evidentes…

Como vai você hoje em dia ?

? Como vão os milhões de brasileiros pobres, imensa maioria da população do país..

? Como vai uma parte da classe média…que empobreceu… mas não baixa a crista e nem move um dedo fora do seu mundinho egoísta…

O ano de 2020 fecha numa ressaca de várias coisas..

E é bom que todos os que puderem…

Olhem para sua vida há pouco tempo atrás…

Percebam o que tinham e não têm mais….

Não só de coisas materiais… Mas principalmente de dignidade humana e cidadania…

E ao fazer esse movimento… De ver o que está logo ali atrás e o agora…

Pense …de forma subjetiva, objetiva e sincera..

? Como vai você hoje em dia ?

Tem escolhas erradas que fazem efeito não só em quem erra ao cometê-las… Mas atingem a todos.. ou quase todos..

Não carregue um escorpião nas tuas mãos… A natureza dele é sempre te destilar veneno.

Vida que segue….

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Paulo Schultz

Perguntas curtas, respostas longas

Paulo Schultz

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Será que tem remédio prá funcionário público, seja professor, policial, ou seja de qualquer função, que nunca aprende, mesmo se lascando, e muito, com governos de partidos de centro direita que ele (ou ela) persiste em votar e eleger?

Será que tem possibilidade de mudança para uma quantidade gigantesca de pessoas das periferias das cidades, que persistem votando e dando poder a quem não sabe sequer onde fica o local onde essa gente mora dentro da sua cidade?

Sim, porque temos um exemplo local recentíssimo de um candidato vitorioso, que entrou em uma vila da cidade pedindo desculpas no microfone, por nunca ter estado ali antes, e por sequer saber onde esse local ficava dentro da cidade para a qual ele estava se colocando como candidato a governar.

Tem o que fazer com a maioria do povo da periferia da cidade de São Paulo, que insiste em votar e manter na prefeitura, sequencialmente, por longos anos, os tucanos do PSDB, que governam pautados pelos interesses do poder econômico da turma do alto da Avenida Paulista?

Tem como mudar o parâmetro de decisão de alguém que escolhe e vota tendo como fator determinante alguma coisa tosca ou ignorante?

Tem como transformar o espírito de patrimonialismo, egoísmo e preconceito da classe média brasileira?

Tem como dialogar racionalmente com um bolsonarista raiz ?

Tem como conceber que milhares de fiéis acreditem piamente nas palavras e manipulações de líderes pregadores do fundamentalismo religioso, que são, sem filtro, hábeis charlatões, vigaristas e ordinários rapineiros do dinheiro alheio ?

Tem como não se exasperar vendo que os rumos do país estamos sendo capitaneados por uma criatura abjeta, perversa e sem qualquer condição para ocupar a função onde está hoje?

Tem como aceitar a complacência e a passividade com que a maioria reage àquilo que é inaceitável e injustificável, do ponto de vista de qualquer governo, de qualquer esfera ?

Tem como fazer eleições no Brasil, sem que a vontade das pessoas seja determinada corrompida e alterada pela influência do poder econômico?

Tem como fazer enxergar que a consequência de uma escolha errada recai sobre todos, e não só sobre aqueles que fizeram esse erro ?

Como explicar que mais da metade das pessoas entrevistadas em uma pesquisa de opinião recente define que o governo federal não tem responsabilidade alguma sobre as mais de 180 mil mortes de brasileiros nessa pandemia do coronavírus?

Há muito mais a perguntar, a questionar, que não cabe em um texto só.

Mas, para finalizar, só mais uma pergunta:

Porque, em determinados momentos, a gente não deixa de lado a conveniência social, e chuta o pau da barraca, respondendo, falando a verdade e mandando pedra e espinho para implodir qualquer frágil e farsesca situação que gere algum desses questionamentos ?

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