Onde o medo não nos leva – Portal Plural
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Paulo Schultz

Onde o medo não nos leva

( Há tanta vida lá fora )

Paulo Schultz

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Em “Como uma onda”, Lulu Santos diz….
“… Não adianta fugir, nem mentir prá si mesmo agora… Há tanta vida lá fora”

Há uma possibilidade infinita de experiências e de vivências únicas de sensações e sentimentos das quais o medo nos poda.

É nesse campo infinito de vida, onde o medo não nos leva.

Ter medo do novo, ter medo de viver o novo ou de permanecer vivenciando o novo.

Prende e limita.

O conhecido é mais seguro.

E pode até ser bom, mas a gente pode mais.

Sempre há tanta coisa a se fazer, sempre há a vida que segue, os fatos do dia, arrumações, limpezas e as preparações necessárias para o dia seguinte, a semana, etc.

Mas… porque não ir além disso?

Sair do quadrado seguro.

Pôr os pés para fora desse quadrado, sem necessariamente ter que abandoná-lo.

Agregar, ousadamente.

Ter e manter a coragem de ousar, deixar fluir sem resistências, se permitir o novo.

Não boicotar o querer, permitir que este querer vire atitudes e acontecimentos.

O “quem sabe um dia” é uma forma de se prender ao medo, ao receio, ao seguro, e é também uma forma cruel de diminuir a amplitude do que qualquer um pode viver.

Foi e é assim com tudo e com todos.

Lula precisou persistir 4 vezes, até que as pessoas se permitissem experimentar o “sem medo de ser feliz”.

E o novo venceu o medo.

Nessa direção, todo e cada mandato do PT, ou de qualquer outro partido de esquerda, não nasceu para fazer o trivial da democracia liberal.

Nasceu para ser e fazer diferente.

Para ousar dentro e para além da institucionalidade.

Senão não tem sentido nenhum de existir.

Fora do quadrado….criar, enfrentar, arriscar, construir, para fora do quadrado.

Falando especificamente dos governos Lula e Dilma, o resultado de querer e viver o novo foi fantástico.

Com erros, o que é absolutamente normal e humano.

Mas o acerto prolongado e ousado do novo foi muito maior.

Milhões puderam viver algo que nunca haviam experimentado.

Um tempo em que prevaleceu o bom e a felicidade trazida pela coragem de se experimentar e manter o novo.

E depois que a gente ousa querer mais, a gente não volta atrás.

Salvo se formos boicotados, interna ou externamente.

Nesse campo político, é bom lembrar que o país, a maioria dos brasileiros, foram boicotados de 2016 para cá.

E muitos se perdeu. E muito de alegria sumiu.

E a vida da maioria entristeceu.

E se entristeceu porque a vida foi comprimida a voltar ao seu quadrado.

Há um ajuste a se fazer, nesse aspecto.

Há um país que precisa se reencontrar com o novo, com a alegria e com a vida.

Mas, sobretudo, e antes disso que é algo coletivo, é preciso um movimento interno individual.

É preciso que cada pessoa perceba onde o medo não a deixa ir, onde o medo não a leva, o que se perde de vida com o medo.

Porque a gente pode muito mais.

Há muita vida para fora do quadrado.

E quando a gente dá um passo e diz “vou”, o novo nos acolhe e nos permite.

Há tanta vida lá fora.

Vamos a ela, com desejo.
______

I wanna write my name using a flake of white cloud in a BLUE SKY
In a Free falling

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Paulo Schultz

❓Como será o último espetáculo❓

Paulo Schultz

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O último espetáculo, que marcou o Gran finale do período bizarro e nefasto do governo de Donald Trump nos Estados Unidos, foi a invasão do congresso americano por uma pequena parte da horda trumpista.

Naquele lindo espetáculo, uma figura ficou mundialmente famosa.

Um fiel adepto usando um chapéu viking e uma vestimenta ao estilo “macho man”, lembrando Viilage People.

Patético e ridículo, como Trump e seus seguidores.

? Como será o último espetáculo do período de Bolsonaro ?

Teremos algo tão ridículo e bisonho… ou bizarro ?

Sim, porque Bolsonaro tem sérias limitações intelectuais, mas é espertalhão o suficiente para perceber duas coisas..

A primeira é que terá sorte se concluir seu mandato.

A segunda é que, chegando até as eleições do ano que vem, Bolsonaro sabe que irá perder a disputa pela reeeleição.

Por várias questões óbvias, com pouquíssima possibilidade de reversão.

Bem, o mote já está dado… não haverá voto impresso, portanto as eleições serão fraudadas.

Esse é seu alimento – argumento diário para a horda bolsonarista bovina.

A partir da derrota supostamente fraudada, teremos reações violentas, bizarras e/ou estúpidas.

Dentro do esperado.

A única dúvida que fica é: qual será o último ato, o último espetáculo dessa gente toda, absolutamente imbecilizada, que compõe o chamado bolsonarismo ?

Já.vimos tanta coisa, e dá para dizer que tenhamos visto quase de tudo vindo desse pessoal.

Mas temos que imaginar que, como último espetáculo, eles vão preparar algo grandioso para fechar com chave de ouro esse período de quatro anos bizarro e pestilento.

Algo que resuma de maneira inquestionável o tanto de nefasto e imbecil que marcou esse período no país.

Aliás é preciso que se diga que foi uma circunstância única e infeliz que levou esse momento a acontecer.

Às vezes é preciso provar do ruim para saber que nunca mais se faça o mesmo erro de novo.

Tem andorinhas que fazem só um verão.

No caso de Bolsonaro.. trata-se de um corvo.

Não achei que chegaria até o final do seu vôo bizarro, mas pelo jeito vai chegar…

Porém…

Vamos parar por aqui, na primeira experiência – o estrago já foi grande demais em tantos aspectos…

E assim como nos Estados Unidos a horda Trump se recolheu aos seus aposentos, após 4 delirantes anos…

Aqui teremos o mesmo.

Então, vivamos como possível até lá, e vamos esperar para conferir o último espetáculo lá pelo final do ano que vem…

Creio que não sentiremos saudade..

Mas não custa dar esse gosto de uma saideira especial para quem ganhou notoriedade mostrando ser imbecil, tosco e primitivo, e tendo orgulho disso.

Já dizia Zé Ramalho…

“Ê ôô.. vida de gado.. povo marcado… povo feliz.”

Sigamos em frente….
por outro caminho, evidentemente.

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Paulo Schultz

Sob o chão incandescente – afetos enrijecidos

Paulo Schultz

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Há um sentimento de exaustão no ar.

Um período duro de crises, bizarrices, sandices, ignorâncias, animosidades e mortes.

Que se prolonga de forma demasiada.

E que provoca o bruto, o inerte e o risco explosivo.

No Brasil de 2021, esse é o quadro – denso.

O bruto se manifesta através do poder central e de suas hordas seguidoras.

Daí vem a bizarrice, a sandice, a ignorância, a pestilência.

O inerte vem das camadas altas do país, e de parte considerável da camada mediana.

Inerte porque só pensa em si, no seu patrimonialismo,no seu egoísmo fechado em torno dos seus.

Despreza, por princípio, tudo e todos que não são do seu círculo de consideração.

São, por exemplo, os que fazem carreatas pedindo volta à normalidade, desde que a normalidade aglomerada e sob risco seja para os outros…a plebe.

O risco explosivo vem do chão incandescente…

O que alimenta essa incandescência são as milhões de situações de ausências e carências…. de trabalho, de renda,de seguridade, de amparo, de alimentação insuficiente ou inexistente.

É um conjunto de fatores que vai tornando o chão fissurado.

E pelas fissuras é que se avoluma e se expande a crescente torrente de brasas no chão por onde pisamos.

Para o bruto e o inerte, sem problemas – andam com os pés gelados.
Sempre.
As brasas não os afetam.
São ignoradas.

Mas para quem está na camada incandescente, a perspectiva é outra…

Começa nas necessidades de existência .

Mas há uma outra questão mais profunda – a dos afetos enrijecidos.

Uma questão humana que também afeta a porção que está fora da incandescência, mas que preserva a sensibilidade suficiente para sentir que seus afetos também estão engessados pelo todo adoecido.

É a porção que percebe, que sob o chão que pisamos, a incandescência aumenta e vai abrasando.

Naquilo que é essencial fazer , cabe uma urgência – o que fazer com os afetos enrijecidos, como restaurá- los de forma que a invisível linha que costura todas as relações entre as pessoas possa ser restabelecida.

Antes que o chão sob os nossos pés se incendeie, que as fissuras se tornem insuportáveis, e antes que os afetos enrijecidos explodam.

Talvez tão pior quanto o caos social, seja o caos afetivo.

O enrijecido afeto explodindo de maneira violenta, querendo calor de maneira desordenada.

Melhor não pagar para ver.

O lado escuro dos afetos abandonados pode ser tão cruel quanto a situação e os responsáveis por quem os enrijeceu.

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Paulo Schultz

Ó como é que faz !

Paulo Schultz

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Lula tem uma habilidade ímpar – ensinar como colocar um governo de direita ou extrema direita contra a parede.

Em pouco mais de uma hora de discurso, no mês passado, Lula encurralou nas cordas Bolsonaro e seu governo pestilento.

Bolsonaro tem andado de olho arregalado .. com cara de apavorado..

Antes surfava na delícia da sua pauta bizarra.

Agora, está espremido por uma pauta que não é a sua – que o coloca como incapaz, inábil, culpado.

Lula ensina que tocar nos pontos nevrálgicos que importam para a população e chamar a responsabilidade em cima de governos como o de Bolsonaro é uma grande sinuca política.

A melhor defesa é o ataque !

Pôr o dedo nas mazelas daquilo que aflige as pessoas, que esculhamba com as suas vidas, dizer que isso precisa ser resolvido, e lembrar que quem está no governo não está dando a mínima para isso, e sequer habilidade tem para tentar resolver, bem…não há estratégia melhor.

Ele também explicita que um partido que tem 30% do eleitorado do país não tem que ficar se curvando às vontades ou egos de quem possui menos de um dígito disso em intenção de voto ou em tamanho.
E isso não quer dizer desprezo,mas sim auto-respeito.

E também não tem que esconder sua trajetória.

Lula nos mostra que, sendo necessária , em uma aliança que amplie para além da esquerda, sempre a esquerda deve ter as linhas determinantes, sob pena de virar um puxadinho liberal, caso não predomine.

Lula ensina que quem quer crescer tem que fazer por onde, e botar o peito na água, sem medo, com ousadia.

Nos ensina que o medo não nos leva a lugar nenhum, e nos aprisiona na institucionalidade liberal, que, além de tudo, acomoda.

O discurso e a postura de Lula nos ensinam que é preciso apontar o bicudo e chutar o pau da barraca… de forma certeira.

Em seguida, se algo desnecessariamente se desajustou, a gente reorganiza.

Mas o principal é que aquilo que precisava ser derrubado, cai – de fato cai.

Lula nos indica que palavra certeiras nocauteiam todos que merecem a devida pancada, por conta de estarem causando danos à maioria – sobretudo àqueles que pouco ou nada podem em termos de defesa.

É preciso ter perspicácia para ouvir,entender, refletir, e a ousadia necessária para agir.

Se a gente não sabe como é que faz gol de placa, entrando a dribles, tem que ter humildade de assistir quem sabe.

Para que a gente possa fazer também – em todos os espaços da vida política, nacional, estadual ou local.

Depois que a gente pega isso..
A gente pega a bola…e com aquela ousadia de quem é atrevido, a gente vai para cima, e constrói vitórias consistentes.

E ainda se dá ao atrevimento de dizer:

” Ó como é que faz ! “

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