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Paulo Schultz

? Onde foi que erramos ?

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Para deixar acontecer uma circunstância que levou uma criatura torta, tosca, bizarra e perigosa como Bolsonaro a ocupar o cargo de presidente?

Para ter que, ainda hoje, em 2021, escutar /ler/assistir algum militar bobalhão querer roncar grosso e ameaçar democracia e instituições, caso vontades e posturas de membros das Forças Armadas sejam questionadas, ou contrariadas ?

Para ver o governo federal ter milhares de militares ocupando cargos de confiança, numa intensidade maior do que na ditadura militar?

Para ver uma massa de gente agir como descerebrados, idolatrar um imbecil rotulado como mito, sentir orgulho de ser ignorante, não ter nenhum senso do ridículo, e defender ideias e posições inacreditavelmente muares, se vangloriando assim nas ruas e redes sociais?

Para ver o estado do Rio Grande do Sul ser governado em sequência por um bloco de partidos de centro e de direita liberal, e que, invariavelmente prioriza torrar a preço vil empresas públicas estratégicas para a população gaúcha, como se delas fossem donos ?

E, pior, ver a pasmaceira inerte da grande maioria da população, assistindo isso sem reação?

Para ter na Assembléia Legislativa gaúcha uma quantidade enorme de cabeças de bagre ocupando cadeiras como deputados ?

Para ter, na Câmara dos Deputados, crescentes levas eleitas de bancadas da bala, do boi, da PQP, menos as que mais deveriam importar para a maioria dos brasileiros ?

Para ver que, após ter saído do mapa mundial da fome, o Brasil ter hoje mais da metade da população em situação de insegurança alimentar ( de leve a extrema) ?

Para pagar mais de R$ 6,00 ( até chegar a R$ 7,00) por um litro de gasolina, sendo o Brasil autossuficiente em petróleo ?

Para assistir o governo federal tentar, de forma prioritária, liquidar empresas públicas estratégicas e fundamentais para o desenvolvimento e a soberania do país ?

E ver a grande maioria da população alheia a isso, sendo ela a que mais precisa de políticas públicas e de um estado indutor, devido sua fragilidade social ?

Por não conseguir formar uma consciência individual e coletiva mínima no país, de que tem coisas que não se deve aceitar (sob alegação alguma) , e que tem limites de tolerância e dignidade os quais não são “negociáveis”, sob pena de continuar penando por insistir nos mesmos erros.

Há uma lógica a ser invertida.

E ao invertê-la, teremos a clareza de afirmar onde é que acertamos, e por onde vamos, enquanto pessoas, enquanto país.

Errar é humano, insistir no erro é burrice, e sofrimento desnecessário.

Vida que segue, de preferência, acertando.

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Paulo Schultz

Apesar dos castigos

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Apesar de tudo que o país, e, em especial, a grande maioria do povo brasileiro tem sofrido, desde 2016 para cá, nós resistimos.

Apesar da fome, apesar do desemprego, apesar da precariedade, apesar da dureza, da aspereza, da morte, e da mão fria e invisível do mercado e seus operadores políticos, nós vamos resistir.

E nós não vamos só resistir – nós vamos enfrentar.

E nós não vamos só enfrentar – nós vamos impor uma derrota de projeto, uma outra construção de país- e dessa vez, espero, sem concertação.

Porque não deve haver concertação com quem não merece.

Há uma conta em aberto – e essa conta não é monetária.

É uma conta que diz respeito à dignidade, que diz respeito à cidadania, e que diz respeito, sobretudo, ao respeito à todas as formas de vida e de relação humana.

E essa conta nos é muito cara.

Porque quem produziu toda essa conta, vai ter que assistir quietinho ela ser zerada.

Sem concertação e sem arrego.

Depois do arranjo forjado da deposição de Dilma, e da instalação rápida de um processo destrutivo para muitos, e enriquecedor para poucos, tivemos que suportar mais.

Tivemos que ver se instalar um tempo sombrio, de mais destruição, de maneira mais bárbara, e não civilizada.

O espetáculo anarco comandado por um espantalho da morte.

E nesse tempo todo fomos vendo somente sofrimento e ausência para muitos.

E uma bonança inaceitável para muito poucos.

Esse tempo precisa, e vai acabar.

O Brasil há de renascer.

Vamos vencer o espantalho da morte.

E resgatar a cidadania de milhões.

Uma construção que não será fácil.

Mas que, justamente por não ser fácil, nos estimula a fazê-la.

Com todas as forças sociais protagonistas dessa resistência e da posterior reconstrução, e também com aquelas que porventura se derem conta de que aquele caminho tomado lá em 2016, e carimbado em 2018, é um caminho absolutamente errado, um caminho danoso, causador do que pode haver de pior.

O fato é que a gente cansou, não de resistir, mas de ver isso tudo.

Sabe aquela coisa…” a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte e, sobretudo, viver.”

Então… é isso.

Estamos por aí, querendo resistir, enfrentar, e começar um novo tempo.

Apesar dos castigos.. faremos, com firmeza.

Vida que segue.

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Paulo Schultz

Um paraíso infernal

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Ele prometeu. E cumpriu.

Quando o capitão Messias disse que,se vencesse as eleições, traria a liberdade,ele não estava mentindo – em parte.
Porque ele trouxe a liberdade.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio fazer chover agrotóxicos à vontade sobre suas imensas áreas.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio desmatar, queimar e avançar sobre áreas protegidas, com a complacência ou a omissão dos órgãos que deveriam coibir isso.

Ele deu liberdade para o agronegócio se armar de maneira ostensiva, e liberdade para usar esse armamento na defesa de seus interesses.

Armas acima de tudo, bala para cima de quase todos.

Também no quesito armamento, ele deu toda a liberdade que lhe foi possível dar até aqui.

Liberou quantidades e tipos de armas e liberou munição.

Liberdade, portanto, para milícias, e para os famosos “cidadãos de bem”, que podem andar armados e usar esse armamento na defesa de sua “liberdade”.

Uma liberdade individual que se sobrepõe a qualquer responsabilidade coletiva, e que se sobrepõe a qualquer regulamentação e mediação do Estado para proteger e preservar a vida humana e as relações entre as pessoas.

O capitão também deu liberdade para garimpeiros avançarem em atividades ilegais, inclusive dentro de áreas protegidas e áreas indígenas.

Em relação à áreas indígenas e quilombolas, o governo Bolsonaro estabeleceu uma política de fechar o olho e veladamente estabelecer o vale tudo.

Nestas áreas, conforme a liberdade prometida, é possível invadir, desmatar, queimar, explorar, ameaçar e matar.

Uma liberdade infernal.

Também há o estímulo à liberdade de comunicação e expressão.

E não importa que seja liberdade para ofender e ameaçar de morte, ou incitar fechamento de instituições pilares da República – como Congresso e STF.

Sobretudo o estímulo à liberdade para mentir de forma sequencial e difundir estas mentiras de maneira solta, sem qualquer regulamentação legal.

É mentira acima de tudo, e fake news prá cima de todos, para tentar convencer a muitos.

Liberdade para a política de preços dos combustíveis, executada pelo governo federal, que, ao estabelecer que a política de preços se guie pelo mercado internacional, faz com que o litro da gasolina esteja na faixa de R$ 7, e o litro do óleo diesel na casa dos R$ 5 .

O que automaticamente gera liberdade para aumento de custos, aumento de preços de maneira generalizada ( sobretudo de alimentos ), aumento de custo de vida, e, claro, ocasionando empobrecimento e miséria de milhões.

Liberdade também para o avanço das igrejas evangélicas prá cima da população mais vulnerável e fragilizada.

É fé fundamentalista e monetária prá cima de quase todos.

O Brasil está tendo a liberdade prometida por Bolsonaro, portanto.

Uma liberdade anárquica e violenta.

Sem mediação do Estado, e na base da lei do mais forte.

Quem tem o poder econômico e quem tem o poder das armas tem liberdade ampla.

Para os demais, como o próprio Bolsonaro diz, que “se adequem”.

Ele prometeu. E cumpriu.

Liberdade posta.

Um paraíso.

O paraíso de Bolsonaro e seus apoiadores – um paraíso infernal.

É como diz aquele meme..

“Queima, Jeová, queima ! ”

Infernal, não é mesmo ?

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Paulo Schultz

Não é permitido desanimar, nem ser pessimista

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Todos os ativistas, todos os lutadores sociais, todos os militantes.. nesse momento da história brasileira não há espaço para fraqueza, não há espaço para titubear, não há espaço para medo.

Não temos o direito de desanimar.

Não temos o direito de sermos pessimistas.

Existe a tarefa ofensiva de ser ousado, intenso, radical e certeiro.

Porque há milhões de brasileiros que dependem dessa luta, deste enfrentamento.

Resistir e confrontar ofensivamente a situação de empobrecimento, de fome, de desemprego, de precariedade, de ausência e de carência, de alta excludente no custo de vida, de retirada brutal de direitos de proteção ao trabalho e direitos de cidadania.

É preciso fazer um enfrentamento duro para pôr fim ao tempo do espantalho da morte.

É preciso também fazer um enfrentamento duro para que, após encerrarmos o tempo do espantalho, não se tenha que viver sob o tempo da crueldade polida, bem vestida e perfumada de tucanos e seus adjacentes.

É preciso lembrar que sob o discurso encantador da linda democracia de mercado e de consumo, há uma voraz armadilha de acumulação de riqueza de poucos e exclusão de muitos.

Ela se fantasia sob o nome requintado de “terceira via”.

Até porque, ao final de tudo, as forças do espantalho e as forças da terceira via querem majoritariamente a mesma coisa – a diferença está no método.

Então é preciso confrontar.

E é preciso semear.

Confrontar espantalhos grotescos e cruéis requintados.

Semear a certeza de que é possível resgatar a cidadania de milhões.

Estabelecer soberania, estabelecer possibilidades.

Se me pergunta se isso é fácil – direi que é sempre duro e custoso.

Porque é sempre assim remar contra quem tem a força de ordenar a direção da correnteza.

Como se sabe, para se semear algo novo é preciso esforço, capacidade e inteligência.

Para continuar fazendo mais do mesmo, basta ser gado e agir de forma burra e não-reflexiva.

Então, diante de todo este quadro e da tarefa enorme que cabe a cada ativista que queira ser protagonista na construção de uma situação nova e melhor para o país, não cabe desorientação, recuo ou medo.

É preciso ter a coragem e a intensidade necessárias para que ao longo do que temos de tempo em 2021, e no decorrer de 2022, se faça todo o movimento que nos leve a começar um outro período da vida do país.

Como dizia Belchior.. “viver é melhor que sonhar..”

E se há perigo na esquina.. a gente constrói o movimento, e coletivamente vai até lá enfrentar ele.

E assim seguimos.

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