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Olhar para uma moda inclusiva

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Luiza Brasil é uma daquelas pessoas que é difícil descrever com um cargo ou uma profissão. Dinâmica e versátil, ela atua em várias frentes ao mesmo tempo, o que faz com que seu currículo de 12 anos na moda seja bem extenso. Recentemente, em 8 de novembro, ela ganhou seu primeiro reconhecimento internacional: o MTV Europe Music Awards (EMA) 2020, na categoria Generation Change.

No mesmo dia, ela encerrava sua participação como âncora da mais importante semana de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week (SPFW). Aos 32 anos, Luiza comandou a transmissão de uma edição histórica do evento: a primeira após a implementação da obrigatoriedade de 50% dos modelos serem afrodescendentes, indígenas ou asiáticos.

Este ano está sendo especial para a jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, mas não foi agora que os prêmios começaram a chegar. Em 2019, Luiza foi escolhida como Mulher do Ano pelo Prêmio Geração Glamour. Em 2018, ela foi selecionada entre os Influenciadores Sociais Contra o Racismo, da Prefeitura do Rio de Janeiro. “As oportunidades no Brasil não são tão iguais, hoje a gente consegue equiparar um pouco mais.

Justiça, digamos assim. O reconhecimento está vindo agora depois de mais de dez anos de trabalho com moda e comunicação”, diz. “A moda ainda é uma conversa muito da elite. Durante muito tempo, ela foi pautada nas classes mais altas, de poder, de pessoas brancas. E por muito tempo eu me via em um espaço quase singular, reconheço meus ancestrais que via nas semanas de moda, mas eram poucas pessoas pretas.”

As semanas de moda fazem parte do repertório da profissional desde o início de sua carreira em 2008, quando entrou no site de estilo de rua do Rio, o RioETC. Em 2012, se tornou braço direito da empresária e consultora de moda Costanza Pascolato, para quem fez a coordenação de jornalismo da reedição do livro O Essencial e atuou como assessora digital. Entretanto, o ambiente virtual foi propulsor para que o nome Luiza Brasil se consolidasse.

Ela começou a ganhar relevância nas redes sociais em 2015 ao criar o Mequetrefismos, que chegou a ser conhecido como um blog. Hoje tem uma equipe de sete pessoas e se posiciona como uma plataforma de conteúdo sobre protagonismo negro com abrangência na moda, comportamento, música e arte. Com o tempo, a @mequetrefismos se tornou a pessoa pública Luiza Brasil, que tem mais de 100 mil seguidores no Instagram. “As redes sociais ajudaram a impulsionar e democratizar um pouquinho essa conversa e a trazer novas narrativas. A moda no Brasil tem um lugar que durante muito tempo oprimiu o lugar do preto não só como intelecto, enquanto editores de moda ou um espaço de pensamento, mas também recriou as nossas imagens de moda no Brasil. Quando a pessoa preta atuava nesses espaços, ela caía no lugar do exótico, do estereotipado, ou de uma única história da negritude brasileira.”

Das redes sociais, Luiza levou os temas representatividade racial e poder feminino para a revista Glamour Brasil, onde faz, desde 2008, a coluna Caixa Preta. A assinatura de Luiza Brasil está também em coleções com as marcas Aroeira Abe e Soleah. Projetos pertinentes com sua formação na área de Fashion Styling pela London College of Fashion Id. Neste sábado, 21, às 16h, ela será palestrante do TEDX São Paulo, com o tema Ideias Negras Importam.

Outros destaques

Num ano com tanto destaque para as questões raciais, era impossível não falar das modelos Thayná Santos, de 25 anos, Natasha Soares, de 24, e Camila Simões, de 23, que entraram em 2020 para a história da São Paulo Fashion Week (SPFW) e da moda. Não foi porque elas bateram o recorde de desfiles, marca que tradicionalmente é comemorada nos bastidores. Thayná já tinha alcançado o posto de modelo que fez mais desfiles em 2013, sua primeira temporada no evento. No entanto, ela tem mais orgulho de, junto com Natasha e Camila, ter “invadido” uma live de Paulo Borges, criador e diretor criativo da SPFW. Em 6 de junho, elas cobraram um posicionamento da semana de moda mais importante da América Latina sobre equidade racial. Depois, estabeleceram um processo de diálogo com a organização e criaram o coletivo Pretos na Moda. O resultado da iniciativa delas foi a semana de moda de São Paulo implementar nesta edição a proporcionalidade racial.

“É o feito mais importante da minha vida como pessoa e modelo. Não é uma questão só para mim, não mudou só a minha vida”, afirmou Thayná sobre a nova regra. No entanto, a modelo, que passou a infância no bairro do Itaim Paulista, na zona leste da capital paulistana, também celebra outras conquistas profissionais. Ela já atuou na Europa, mas se estabeleceu em Nova York. No currículo de nove anos na moda, tem trabalhos com o estilista Marc Jacobs; desfiles na New York Fashion Week; passarela da grife The Row, das gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen; campanha para a marca de maquiagem americana Smashbox.

Quando resolveu apostar na carreira de modelo, Camila Simões tinha 17 anos e estava terminando o curso de técnico em contabilidade e o ensino médio. Era vendedora em uma casa de agropecuária em sua cidade natal, Nova Era (MG). O dinheiro para pagar seu primeiro book foi emprestado pela avó, que tinha ganho três meses seguidos no jogo do bicho. Além da sorte da avó no jogo, a jovem continuou trabalhando como vendedora e saía do emprego mais cedo duas vezes por semana para fazer o curso de modelo. Apesar de toda a dedicação, Camila não acreditava muito no sucesso na moda. “Via com o meu amigo Johnatan os desfiles da Victoria’s Secret. Aquele mundo das supermodelos era algo surreal, inalcançável. Por isso, eu não almejava tanto essa carreira, um dos motivos era porque não enxergava a beleza em mim, principalmente sendo uma garota negra, pobre e desengonçada do interior de Minas Gerais. Hoje agradeço ao tempo, às mulheres que vieram antes de mim, ao meu esforço e ao meu círculo de amor e amizade, por me darem novas perspectivas de futuro.” Além de ser protagonista de uma trajetória impressionante, Camila também já foi capa das revistas Harper’s Bazaar e da francesa Madame Figaro.

Já a carioca Natasha Soares atualmente é modelo curvy e mora em Paris. Ela começou a carreira em 2017 e, desde então, trabalhou com Lancôme, Givenchy e Fenty, marca da artista Rihanna.

Por Gabriela Marçal

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Alimentos arrecadados no show do grupo Tholl são entregues

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A Cotrirosa juntamente com a RBF Acabamentos, Clube Fenasoja e Indumóveis Week entregou nesta terça-feira, 15, os alimentos que foram arrecadados por ocasião da apresentação do Grupo Tholl.

O espetáculo, que foi transmitido online, também proporcionou que o público pudesse assistir no Espaço Fenasoja, na forma de drive in. Os ingressos foram trocados por alimentos que foram entregues para a APAE de Santa Rosa.

A apresentação fez parte das programações do aniversário de 53 anos da Cotrirosa, que serão completados no próximo dia 29 de junho. As doações também integram as ações do Dia C – Dia de Cooperar.

 

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Economia

Proibição do corte de energia elétrica por inadimplência é prorrogada para consumidores de baixa renda

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A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu, nesta terça-feira (15), que vai prorrogar por mais três meses a proibição do corte de luz por inadimplência para os consumidores de baixa renda em todo o País.

 

A informação foi divulgada pelo diretor-geral da Aneel, André Pepitone, durante audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados para tratar da crise hídrica.

Em março, a Aneel havia decidido suspender o corte de energia por inadimplência para essa faixa de consumidores até 30 de junho. Com a prorrogação, a proibição valerá até o fim de setembro.

A medida não isenta os consumidores do pagamento pelo serviço de energia elétrica, mas tem como objetivo garantir a continuidade do fornecimento para os que, em razão da pandemia de coronavírus, não têm condições de pagar a sua conta.

A iniciativa, segundo a Aneel, deve beneficiar aproximadamente 12 milhões de famílias que estão inscritas no Cadastro Único, com renda mensal menor ou igual a meio salário mínimo por pessoa. Também terão direito ao benefício famílias com portador de doença que precise de aparelho elétrico para o tratamento, com renda de até três salários mínimos e com integrante que receba o Benefício de Prestação Continuada.

“Essas ações vêm permitindo resguardar o consumidor de energia elétrica mais carente, sem que haja o comprometimento econômico e financeiro das concessionárias dos serviços de distribuição”, disse Pepitone.

 

FONTE: O SUL

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Seminário discute violência financeira contra idosos e fake news

Secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Regina Becker, foi convidada para abertura do seminário

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- Foto: Divulgação Stas

A violência financeira através das fake news contra as pessoas idosas foi tema do Seminário Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa, realizado na tarde desta terça-feira (15/6) pelo Conselho Estadual da Pessoa Idosa (CEI).

“Leis e normas justas, temos. Setores da sociedade lutaram desde sempre, na história do país, por um Brasil com cidadania para todos, o que inspirou nossa Constituição, onde se concretizaram as mais humanitárias garantias dos direitos humanos. Para que estas normas legais sejam cumpridas em sua plenitude, há uma luta da mesma dimensão, agora com o auxílio das novas tecnologias de comunicação, que formam redes poderosas e que podem transformar uma cultura perversa, como a que temos hoje”, observou a secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Regina Becker. “Estamos aqui para combatermos um silêncio e trabalharmos para a sensibilização e a conscientização da sociedade. O coletivo aqui é o que mais importa. Com ele vem a vigilância, a notificação, o cumprimento à lei, o reconhecimento do problema pela sociedade, a pressão social e política”, acrescentou.

Junho Violeta

O dia 15 de junho, Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, foi oficialmente reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2021, após solicitação da Rede Internacional de Prevenção ao Abuso de Idosos (Inpea), que estabeleceu a comemoração em 15 junho de 2006.

O Junho Violeta é um mês de mobilização da sociedade para a proteção das pessoas idosas. Conforme dados do Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos, o número de denúncias de violência e de maus-tratos contra a pessoa idosa cresceu 59% no Brasil durante a pandemia. A negligência, a violência psicológica e o abuso financeiro ou econômico estão entre as violências mais praticadas.

No Brasil, 20% dos lares têm na pessoa idosa a principal fonte de renda da família, no caso dos vulneráveis o torna ainda mais suscetível à violência doméstica. “Sabemos o quanto o preconceito contra idosos cresceu na pandemia. Foram as primeiras vítimas do vírus, com suas comorbidades muitas vezes precoces, produto de uma vida de privações. Cabe ressaltar que, no âmbito da administração pública, um número significativo de iniciativas já implementadas, dizem respeito ao zelo que a família, a sociedade e o Estado devem à pessoa idosa”, disse a secretária Regina.

Rede de proteção

O preconceito contra idosos cresceu na pandemia, pois foram as primeiras vítimas do vírus, com suas comorbidades muitas vezes precoces, produto de uma vida de privações. Cabe ressaltar que, no âmbito da administração pública, um número significativo de iniciativas já implementadas, dizem respeito ao zelo que a família, a sociedade e o Estado devem à pessoa idosa.

Também o governo federal lançou em 2020 o Pacto Nacional de Implementação da Política de Direitos da Pessoa Idosa, ao qual o Rio Grande do Sul foi o primeiro a aderir.

Participaram do encontro virtual a presidente do CEI, Iride Caberlon; chefe de gabinete da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, Paula Hofmeister; presidente Emater/RS, Geraldo Sandri; presidente da Federação Estadual do Clubes de Terceira Idade do Rio Grande do Sul (Fectirgs), Afonso Kotz; deputado estadual Gerson Burmann; gerente de Educação, Assistência Social e Cultura do Sesc/RS, Sílvio Bento; coordenadora da Comissão de Apoio aos Conselhos Municipais, Jussara Rauth; e coordenadora da Comissão de Monitoramento e avaliação da Violência à Pessoa Idosa, Joana Veras.

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