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Medicina & Saúde

O que muda com a decisão da Anvisa de liberar remédios à base de maconha em farmácias do Brasil

Pável Bauken

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O acesso a remédios em farmácias, ainda que com custo caro, é o possível cenário desenhado por especialistas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar, na manhã desta terça-feira (3), a compra e a venda de remédios à base de maconha no Brasil. A mudança entra em vigor daqui a três meses.

Na prática, farmácias poderão importar remédios estrangeiros e vendê-los com a bula traduzida para o português, desde que haja receita médica. Como a Anvisa proibiu o cultivo da planta para fins medicinais — o plantio para pessoas comuns não estava em questão —, as indústrias farmacêuticas que desejarem produzir remédios no país precisarão importar os subprodutos da planta, como óleos, sais e extratos. A importação da planta ou de partes dela segue proibida.

Há estudos apontando benefício para enfermidades como epilepsia, esquizofrenia, Parkinson, Alzheimer, autismo, dores crônicas, ansiedade, depressão e efeitos da quimioterapia.

Ao justificar o sinal verde para comercializar produtos à base da maconha para a saúde, a Anvisa diz que buscou “uma forma para garantir o acesso, pela via da assistência farmacêutica, assegurando um mínimo de garantia para os usuários dos produtos”.

— Isso vai gerar um boom no mercado de produtos à base de Cannabis, com um controle de qualidade, mas sem controle de segurança e eficácia, porque não serão feitos ensaios clínicos — afirma Renato Filev, pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A possibilidade de expansão da indústria nacional e consequente baixa no preço de remédios, no entanto, é desacreditada pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

— Se o governo regulamentasse o plantio, daria incentivo à industria nacional. Como não fez, precisaremos importar produtos de grandes indústrias farmacêuticas internacionais. O acesso será mais fácil na questão burocrática, mas o preço seguirá alto, inviável para a população brasileira. É como importar um derivado de feijão para fazermos uma sopa de feijão. Não faz sentido. A burocracia será facilitada, mas o preço seguirá caro — analisa.

Hoje, apenas um remédio à base de maconha é comercializado no Brasil: o Mevatyl. Liberado para venda no ano passado, essa droga passou por ensaios clínicos que comprovam os bons efeitos para quem tem esclerose múltipla. No início, era vendido por, em média, R$ 2,5 mil ao mês. Hoje, pode ser encontrado por R$ 1,5 mil.

Fora dessa exceção, quem desejasse se tratar com um remédio à base de Cannabis precisava pedir autorização da Anvisa para importar de outro país. De 2016 a 2018, a Anvisa autorizou a importação de 78 mil medicações do tipo, algumas custando até R$ 7 mil, segundo Filev, da Unifesp. O preço sempre foi pago pelo paciente. Para esses pacientes, a burocracia será menor, já que a importação será feita pelas farmácias e a compra será feita no balcão.

Há, ainda, famílias que conseguem autorização da Justiça para cultivar em casa a planta e, assim, produzir óleos e extratos — via de regra, conseguem habeas corpus com a justificativa de que o uso desse tipo de remédio muda a vida do paciente. Para esses casos, diz Ribeiro, da SBPC, o cenário segue o mesmo, uma vez que o plantio foi proibido.

Para pacientes com casos graves de epilepsia, remédios à base de Cannabis melhoram a qualidade de vida. Em uma crise de epilepsia, os neurônios ficam agitados e entram em atividade intensa. Os remédios feitos com insumos da maconha fazem os neurônios se acalmarem e funcionarem corretamente.

Em junho deste ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgaram nota conjunta na qual se posicionaram contra a liberação do cultivo para fins medicinais. As entidades afirmaram, à época, que a Anvisa “desconsidera evidências científicas e não garante efetividade e segurança para os pacientes”. O presidente do CFM, Carlos Vital, salientou que há “vastas evidências” sobre a possibilidade de dependência. CFM e ABP não puderam se manifestar até a conclusão desta reportagem.

À época, a Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (SBEC) criticou o documento e afirmou que as críticas eram baseadas “no abuso crônico da Cannabis” — portanto, não poderiam ser aplicadas ao uso de remédios feitos com base na maconha.

Como era até agora?

Por lei, a venda e a compra de remédios importados à base de Cannabis era proibida, com a exceção do Mevatyl. A exceção era para pacientes que importassem com autorização da Anvisa ou para famílias que obtivessem autorização judicial.

Como vai ficar?

  1. Se, hoje, pacientes precisavam pedir autorização da Anvisa para importar os remédios (lidando, por conta própria, com a burocracia), agora as farmácias importarão e venderão o produto para os pacientes. A compra só será permitida com receita médica.
  2. Indústrias farmacêuticas e universidades não poderão importar a maconha em planta, apenas remédios já prontos ou subprodutos da Cannabis, como óleos, extratos e sais.
  3. Esses insumos poderão ser usados para pesquisas científicas e para a produção de remédios nacionais à base de maconha. A expectativa é de que o custo baixe, mas não tanto quanto seria possível se o plantio fosse liberado. É como em uma linha de produção: os laboratórios produzirão os medicamentos, mas uma “peça” (os subprodutos da maconha) virá de outros países.

Quais são as doenças que podem ser tratadas com esse tipo de remédio?

Os melhores resultados encontrados até hoje são para doenças neurológicas, mas problemas psiquiátricos e mesmo dores físicas já foram atenuados com uso de remédios à base de Cannabis. Dentre os exemplos, estão casos graves de epilepsia, Parkinson, Alzheimer, esquizofrenia, esclerose múltipla, autismo, ansiedade, insônia, depressão, dores crônicas, além de náuseas e vômitos oriundos de quimioterapia.

Gaúcha/ZH

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Medicina & Saúde

Médica oferece dicas para cuidar da pele durante tratamento contra o câncer

Reporter Plural

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Ilustração Google

Se o tratamento for com quimioterapia, podem ocorrer vários efeitos dermatológicos, como ressecamento da pele, coceiras, alterações na pigmentação, surgimento de acne

A pele de quem faz acompanhamento contra o câncer sofre muito com os tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Quem afirma é a médica Julianne Wagmacker. “Pessoas que estão em tratamento oncológico, a pele pode sofrer algumas alterações, que são chamados de efeitos colaterais cutâneos. Esses efeitos colaterais variam de acordo com os medicamentos utilizados, as doses administradas e também podem variar de paciente para paciente”, explica.

Se o tratamento for com quimioterapia, podem ocorrer vários efeitos dermatológicos, como ressecamento da pele, coceiras, alterações na pigmentação, surgimento de acne, problemas nas unhas devido à baixa da imunidade, muita sensibilidade ao sol e queda dos cabelos.

Já com a radioterapia o principal efeito é a radio dermatite, uma vermelhidão causada pela exposição à radiação, que ocorre em aproximadamente 95% dos pacientes. Além disso, inchaço, dor, coceira e bolhas também podem aparecer, mas são mais raros.

Por isso, a médica dá dicas para cuidar da pele durante o tratamento contra o câncer.

1 Hidratação da pele

É importante hidratar a pele de forma intensiva e com o uso apropriado de dermocosméticos, e também é fundamental evitar se expor ao sol e o uso de fotoprotetores deve ser permanente. Busque produtos para pele sensível, pois eles possuem fórmulas hipoalergênicas, com ingredientes rigorosamente selecionados.

2 Proteção solar

Durante o tratamento é importante evitar a exposição solar. Mas quando não for possível o ideal é optar por produtos com fator de proteção alto, por exemplo, 50 FPS.

3 Cuidado com o uso de maquiagem

Cobrir essas imperfeições, que muitas vezes incomodam, é importante quando com o uso de maquiagem está associado à melhora da autoestima e consequentemente da qualidade de vida dos pacientes. Mas é importante estar atento ao tipo de produto utilizado, para não agravar lesões ou irritar a pele.

Opte por maquiagens hipoalergênicas. Como a pele está mais sensibilizada, escolha texturas fáceis de aplicar e de remover, como as texturas mousses e evite o uso de maquiagem em pó.

4 Use água termal

A presença de água termal em produtos promove um maior conforto para a pele e trazem uma ação calmante, que é importante para peles mais fragilizadas e sensíveis.

FONTE  R7

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Medicina & Saúde

Saúde bucal na gestação é discutida em palestras virtuais

Pável Bauken

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Gestantes precisam de mais cuidados com os dentes - Foto: Freepik

Os avanços e os desafios do atendimento de saúde bucal no Estado e no município de Porto Alegre estão no foco de uma série de palestras e debates virtuais que serão realizados de 19 a 23 de outubro. A programação faz parte da 19ª Semana Estadual de Saúde Bucal e da 10ª Semana Municipal de Saúde Bucal, que têm por objetivo desenvolver a conscientização da população sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal para a qualidade de vida.

Neste ano, a coordenação estadual da Política de Saúde Bucal da Secretaria da Saúde do Estado (SES/RS) está com o olhar voltado para as gestantes e puérperas (mulheres que tiveram filhos a menos de 45 dias). Conforme a coordenadora da Política de Saúde Bucal da SES, Tatiana Lafin, no período da gestação é muito importante que as mulheres tenham cuidados com a boca, porque problemas dentais podem causar partos prematuros, entre outros agravos. “As alterações hormonais tornam as mulheres mais suscetíveis a lesões e cáries e isso pode influenciar na saúde do bebê”, alerta.

Tatiana considera que é necessário “educar a população sobre a necessidade da ida ao dentista durante a gestação, incentivando a autonomia das mulheres em procurar o cuidado, desmistificando as questões relacionadas ao atendimento odontológico durante esse período”.

A coordenadora avalia que houve avanço no desempenho dos serviços de saúde bucal no Rio Grande do Sul, com a ampliação do atendimento nas unidades de saúde. “Inclusive as gestantes, que necessitam de um cuidado especial, foram atendidas junto com as consultas do pré-natal”, enfatiza.

Segundo ela, mesmo com a pandemia de coronavírus, os atendimentos de urgência e emergência na área não pararam. “O SUS nunca deixou de atender, por exemplo, pacientes com suspeita de câncer na boca”, informa. Houve também ampliação da cobertura do atendimento nas unidades básicas de saúde. “Em janeiro de 2020 a cobertura populacional era 45% e até abril foi registrada no RS uma cobertura populacional de 46% no número de equipes de saúde bucal na atenção básica” comemora. Também houve aumento do número de laboratórios regionais de próteses dentárias. Em 2019 o RS possuía 89 unidades, em maio de 2020 chegou a 140 laboratórios.

Acesso à programação

As palestras do dia 19/10, às 15h, “Previne Brasil – Indicador de desempenho de atendimento odontológico à gestante” e “Abordagem integral em saúde bucal da gestante e da puérpera” serão transmitidas ao vivo pelo canal Webex https://rsgov.webex.com

Para assistir ao vivo as palestras do dia 20/10, às 13h, com o tema “Trajetória profissional do dentista negro e a pauta antirracista na odontologia” é preciso fazer a inscrição acessando https://doity.com.br/52-semac-ufrgs

As demais palestras serão transmitidas ao vivo pelo canal youtube.com/saudepoa

Programação completa Semana da Saúde Bucal

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Medicina & Saúde

Diagnóstico de infecção respiratória: quais são os sintomas?

Reporter Plural

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ilustrativa google

Muitas vezes as infecções respiratórias não recebem a atenção devida por conta de sua recorrência. A normalidade trazida à situação resulta em pacientes com tratamento inadequado e, como consequência, estes acabam por ter um grande impacto quando o assunto é qualidade de vida

Ainda assim, quaisquer que sejam os sintomas, não devem ser ignorados: uma vez que a gripe mata até 650 mil pessoas todos os anos, segundo dados da OMS, Organização Mundial da Saúde, e a nova pandemia causada pela COVID-19 também afeta o trato respiratório, fica claro que um diagnóstico não só traz uma solução, como também evita que problemas maiores sejam desencadeados

Para o Doutor Diener Frozi, a situação precisa mudar. E foi com isso em mente que o médico trouxe à tona uma solução: trata-se do projeto Viva sem Alergia.

Democratizando

Tratar, controlar e até mesmo prevenir doenças imunológicas e alergias. Essa é a missão imposta pelo projeto, que busca democratizar o acesso a tratamentos que, até então, não eram acessíveis para todos.

“Cada vez mais, vemos o desenvolvimento acelerado de alergias. Podemos atribuir à superlotação e poluição das cidades, alimentação e, até mesmo, à rotina corrida. Por isso, entendemos que oferecer uma equipe médica dedicada, em conjunto com a Cruz Vermelha de São Gonçalo, que é capaz de acompanhar caso a caso de perto, fará diferença na vida de muitas pessoas”, diz Diener.

O médico conta que, todos os dias, novos pacientes chegam e podem ter acesso a atendimento especializado, seguido de um diagnóstico e possibilidade de realizar um tratamento adequado – sem precisar desembolsar grandes valores. “A maior parte do nosso atendimento é gratuito. E, quando um paciente avança para um tratamento pago, não é constrangido a continuar, somos flexíveis e humanitários quanto a isso”, compartilha

Devolvendo a qualidade de vida

Para atender a ampla gama de problemas que abrangem o trato respiratório – e trazer ênfase para alergias de diferentes segmentos, o Viva Sem Alergia tem diferentes especialidades, testes e modelos de consulta em seu portfólio. Entre eles, estão:

Alergia e Imunologia

Com isenção de custos, a consulta com um médico capacitado para realizar anamnese e exames físicos pode ser agendada diretamente pelo site. A partir da avaliação do quadro e qual pode ser o tipo de alergia, testes são requeridos conforme a necessidade

Teste cutâneo de inalantes para alergias respiratórias

“Temos um resultado quase que imediato. Entre quinze e vinte minutos, já conseguimos fechar um diagnóstico”, aponta Diener. O teste, que pinga algumas gotas de alérgenos no braço do paciente e, em seguida, faz pequenas puncturas, é capaz de detectar o que causa ou piora rinite alérgica, asma, bronquite, sinusite, dermatite atópica e até mesmo urticária.

Teste de imunidade celular

Com técnica intradérmica, o teste é capaz de entender a capacidade das células de defesa em resposta às bactérias e fungos.

Amplo portfólio

Engana-se aquele que entende que o Viva Sem Alergia cuida apenas de problemas respiratórios. Com o passar do tempo, Diener compreendeu que outras alergias, como alimentares e de contato, também são prejudiciais quando se pensa na qualidade de vida como um todo.

Por esse motivo, a equipe está preparada para atender outras demandas: com a missão de oferecer tratamento, controle e prevenção de alergias e doenças imunológicas a pacientes de todo o Rio de Janeiro, usando como base inicial a Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o projeto Viva Sem Alergia oferece consultas e exames gratuitos – ou com preço mínimo.

Atualmente, as unidades do projeto estão em Duque de Caxias, Campo Grande, São Gonçalo e Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro.

O projeto tem ainda uma parceria que conta com equipe médica dedicada em conjunto com a Cruz Vermelha de São Gonçalo: tudo isso para garantir e democratizar o acesso a tratamentos de forma humanitária e eficaz. Saiba mais: https://www.vivasemalergia.com br/

Fonte Estadão Conteúdo

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