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‘O mundo está sem uma bússola moral’

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A nova guerra fria entre EUA e China, o crescimento do ódio e da violência em diferentes partes do mundo e uma “floresta Amazônica de informação”, em referência à quantidade de notícias que inundam o cotidiano nos tempos atuais. Esses são alguns exemplos que o escritor libanês Amin Maalouf usa para descrever o momento pelo qual passa o mundo.

Esta semana, Maalouf fez uma palestra no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Depois, concedeu entrevista ao Estadão, na qual abordou a disputa entre China e EUA, a ausência de liderança internacional, o futuro do populismo e até o lugar do Brasil no mundo.

• Para onde o mundo caminha no cenário atual?

Meu sentimento é de que existem dois riscos principais: a incapacidade de lidar com várias crises, em todos os níveis, e o fato de estarmos caminhando em direção a uma nova guerra fria. Se olharmos para a pandemia, não há resposta mundial. Se pegarmos as preocupações ambientais e todos os fenômenos ligados ao meio ambiente, não há uma mobilização global para enfrentá-las. Enquanto isso, caminhamos para uma nova corrida armamentista, agora entre EUA e China. No momento, vivemos sob a neblina da pandemia. Não temos uma bússola moral. Mas este momento em que o mundo parou é o correto para fazer uma reflexão sobre para onde estamos indo e como corrigir o rumo.

• Como o sr. descreveria essa nova guerra fria?

Temos um poder que ainda é o principal, os EUA, militarmente, economicamente e também tecnologicamente. A China vem atrás, mas muito rápido e com muitas cartas na mesa. Claro que também tem fraquezas, mas há realmente um risco de colisão e conflitos em todas as formas: comerciais, tecnológicas, políticas. Provavelmente, haverá uma corrida armamentista, já existe uma disputa para conquistar aliados. Está claro que existe alguma aliança entre China e Rússia, e uma coalizão de países que temem a expansão chinesa, como Japão, Austrália e Índia. Há muitos países e movimentos interessados em ter uma relação forte com a China. E é preciso lembrar que o mundo hoje não é governado por uma ordem global. Tudo hoje é mais fluido e ambíguo. A China não carrega uma ideologia, como a União Soviética tinha, mas há claramente um modelo de sociedade e de escolhas políticas. O que é novo é a posição econômica da China, sem as fraquezas soviéticas, que pode ter um papel que a URSS não conseguiu ter.

• Voltando à ideia da bússola moral. Por que ela acabou?

Um dos elementos é a ausência de liderança. Não acho que os EUA ofereceram um exemplo de liderança moral nos últimos anos. Ainda há o elemento da democracia, mas a credibilidade não está lá. E a Europa não está tendo esse papel. Ela não teve capacidade e poder para exercer esse papel. Então, ninguém o exerce. É muito difícil enxergar onde estão os valores. De certo modo, é uma lei da selva. Olhe o que ocorreu no Cáucaso, entre Armênia e Azerbaijão, uma guerra sem intervenção de nenhuma autoridade internacional. Há ausência de uma autoridade que evite guerras e resolva problemas.

• Quando Hungria e Polônia desafiam a democracia podemos dizer que a UE está em crise?

A construção do bloco atravessa um momento difícil. O que aconteceu com o Brexit é um alarme real que pode ocorrer em outros países. Ela deveria ter sido construída sobre uma base mais sólida, quase como uma federação, que elegesse o seu presidente por voto popular, que tivesse um chefe do Executivo. Ela precisa da capacidade real de ter um papel e tomar decisões. Mas, infelizmente, é impossível.

• Qual o papel da ONU?

No mundo ideal, a ONU deveria ter um papel mais importante, o que não é o caso hoje. Muitos fatores contribuem para seu enfraquecimento. Mas acredito que a ONU seja a única autoridade possível. Uma ONU revigorada, com mais poderes, capaz de intervir de maneira eficiente para resolver problemas. Mas isso depende dos principais poderes. É preciso reformar a ONU, torná-la menos burocrática, revisar seus métodos de tomada de decisão. Ela ainda é um organismo muito interessante.

• Como o sr. avalia o aumento da radicalização islâmica?

É muito preocupante. Esse fenômeno está mudando a atmosfera política e intelectual de muitos países na Europa. Países que já tiveram atitudes tolerantes, como Holanda, Dinamarca, Suécia, agora têm certa impaciência com o que está acontecendo. São problemas que estão ficando maiores e ninguém parece ter a solução. A radicalização, por si só, é mais fraca do que já foi há 10 anos, mas há uma violência residual muito difícil de parar Um jovem influenciado por propaganda, pega uma faca, sai à rua e mata alguém. É difícil evitar isso, mesmo com a melhor polícia e a melhor inteligência.

• O sr. diz que a derrota de Trump não foi uma derrota do populismo. Pode explicar melhor?

Fiquei satisfeito de ver que muitos americanos decidiram mudar de governo, pois estava desconfortável com Trump, principalmente por sua personalidade. Mas é preciso olhar a realidade com objetividade: o apoio a Trump foi muito importante. Ele perdeu depois da pandemia e da crise econômica que destruiu tudo o que ele conquistou. Não fossem esses dois fatores, ele provavelmente teria vencido. Então, apresentar o que aconteceu como uma histórica derrota do populismo não parece verdadeiro. Foi um revés para um presidente cujo estilo não agrada a todos, que enfrentou uma situação única. O que ocorreu nos EUA não será determinante para o desaparecimento do populismo.

• O sr. diz que vivemos em uma “floresta Amazônica de informação”. Como sobreviver nessa selva?

É difícil distinguir o que é verdadeiro do que não é. Hoje, todo mundo pode se expressar e alcançar milhões. O único controle possível é pela educação, para permitir a uma pessoa olhar para uma informação e ter a capacidade de julgar se aquilo é sério ou não. É uma luta que temos de engajar as próximas gerações, pois não será decidida por governos e nem de uma vez por todas.

• Qual a posição do Brasil no mundo hoje?

O Brasil tem uma posição interessante e um futuro brilhante. Ele está longe dos conflitos, não é afetado pelas disputas do mundo árabe. É um dos países emergentes que não é puxado por conflitos entre potências e é capaz de manter boas relações com ocidentais e países da Ásia. O Brasil pode evitar pagar o preço de conflitos e tem dimensões que lhe permitem isso, assim como reconstruir sua economia e avançar. Poucos países no mundo têm as vantagens geopolíticas do Brasil.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Ladrão nota que vítima era conhecido, desiste de assalto e o abraça

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Um jovem que estava sentado em frente a um estabelecimento comercial escapou por pouco de um assalto, que teve um desfecho inesperado depois que o ladrão percebeu que conhecia a vítima.

Toda a ação foi filmada por câmeras de segurança do local, no município de Girón, na Colômbia, e o vídeo circulou nas redes sociais. Confira vídeo abaixo:

No vídeo, é possível ver o jovem utilizando o celular enquanto o ladrão, que veste um capacete de motocicleta, se aproxima e tenta tirar o aparelho de sua mão. Enquanto isso, um comparsa o aguarda em uma moto.

De acordo com o site El Tiempo, o bandido escondia uma arma na jaqueta que vestia. A vítima, ao perceber a ameaça, abre sua mochila, entregando seus pertences ao ladrão. Dá para ver até que o rapaz cede um computador que guardava na mala.

Entretanto, o jovem e o ladrão parecem conversar em seguida, como se tivessem se reconhecido de repente.

O assaltante devolve o computador, toca o conhecido no ombro e logo depois dá um abraço no rapaz, definitivamente desistindo de roubá-lo.

O comparsa do crime desce da motocicleta e também chega para cumprimentar a quase vítima.

Por fim, o jovem que quase foi roubado também troca um abraço com o segundo envolvido.

 

FONTE: UOL

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Mundo

“Brasileiros vieram da selva e argentinos da Europa”, diz Fernández

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Após a repercussão negativa, presidente da Argentina pediu desculpas por meio das redes sociais

 

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, fez uma declaração racista na manhã desta 4ª feira (9.jun) durante um encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Buenos Aires. Na ocasião, Fernández disse que os “mexicanos vieram dos índios e os brasileiros saíram da selva”. Os argentinos, por sua vez, “vieram de barcos da Europa”.

De acordo com o presidente argentino, sua citação foi inspirada — erroneamente — em uma frase do diplomata mexicano Octavio Paz, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. O poeta teria dito que “os mexicanos descendem dos astecas, os peruanos dos incas e os argentinos, dos navios”.

No entanto, veículos de comunicação da Argentina afirmaram que o trecho mencionado por Fernández faz parte da canção Llegamos de Los Barcos, do músico argentino Litto Nebbia. Em espanhol, a música diz que os “brasileiros chegaram da selva, os mexicanos vieram dos índios e nós, argentinos, chegamos de barcos que vieram da Europa”.

Após a repercussão negativa, Fernández pediu desculpas por meio das redes sociais. “Afirmou-se mais de uma vez que ‘os argentinos descendem de navios’. Na primeira metade do século 20, recebemos mais de 5 milhões de imigrantes que viviam com nossos povos nativos. Nossa diversidade é um orgulho. Eu não quis ofender a ninguém, de qualquer forma, a quem se sentiu ofendido ou invisibilizado, desde já minhas desculpas”, escreveu.

 

FONTE: SBT

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Curiosidades

Noiva é chamada de “estúpida” pelo marido e se divorcia 3 minutos após casamento

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Nas redes sociais, internautas comentaram a decisão da noiva; veja o caso

Você conhece alguém que já viveu um casamento relâmpago? Um casal que vive em Kuwait, no Oriente Médio, passou a estampar o noticiário de diversos veículos internacionais por um motivo para lá de inusitado. Eles oficializaram a relação em um tribunal e, ao sair, a noiva sofreu um incidente, o que resultou no divórcio.

De acordo com o portal Q8 News , a noiva tropeçou acidentalmente quando estava saindo do local e o marido gritou e a chamou de “estúpida”. Apesar de ter assinado o contrato de casamento cerca de três minutos antes, a mulher ficou furiosa, voltou e implorou ao juiz que cancelasse a união imediatamente.

Mesmo que os noivos não tenham sido identificados, a ex-recém-casada recebeu apoio dos internautas nas redes sociais. Alguns chegaram a dizer que ela era inteligente por encerrar o matrimônio nessas circunstâncias enquanto uma jovem postou no Twitter que “um casamento sem respeito é fracassado desde o começo.” Outro, mais radical, ainda deu um conselho: “Nunca se case.”

Outro caso em que noiva e noivo se divorciam por motivo inusitado

Na Índia, outro caso de casamento rápido chamou atenção. Os noivos tinham realizado todos os rituais de uma típica união indiana e estavam se preparando para comemorar em um jantar, que é tradicionalmente oferecido após a cerimônia. Porém, a felicidade de recém-casados não durou por muito tempo, já que a refeição terminou em divórcio .

Segundo as informações divulgadas pelo portal local The India Times , a família do noivo não gostou dos pratos que estavam sendo servidos na recepção do casamento e começou a brigar com os familiares da noiva, que decidiram revidar. Ao ver que a discussão estava acalorada, um dos convidados chamou a polícia, que interrompeu a briga.

Imediatamente após o ocorrido, tanto a família da noiva quanto do noivo ligaram para seus respectivos advogados para oficializar a separação do casal ainda durante a festa. Eles também devolveram todos os presentes que foram trocados durante a cerimônia.

 

FONTE:DELAS.IG

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