O fabuloso não-governo – Portal Plural
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Paulo Schultz

O fabuloso não-governo

Paulo Schultz

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em



Há quem caracterize o governo Bolsonaro como um desgoverno.
Errado.

Bolsonaro, em seu bizarro e perigoso ineditismo, criou outra categoria de governo:
o não-governo.

Em primeiro lugar, é necessário frisar um aspecto pessoal – Bolsonaro parece nunca ter sido muito afeito ao trabalho, e os 28 anos em que passou na Câmara dos Deputados, com 7 longos, improdutivos e ociosos mandatos, mostram isso.
Um elemento atual que mostra que essa pouca disposição, ao que parece, continua assim, é a agenda presidencial.

Não raras vezes em que agenda presidencial é divulgada, o que salta aos olhos são os vazios na agenda, muito mais do que os poucos compromissos diários registrados nela.
Parece que há pouco trabalho para se fazer como presidente de um país de dimensão continental, com 210 milhões de habitantes, e demandas em todas as áreas da sociedade.

Porém, afora a questão pessoal, há o motivo ideológico, este sim, o motor da inação do governo.

Dentro da lógica anarcocapitalista que Bolsonaro quer fazer vigorar no país, o poder público se ausenta ao máximo, não substitui pela iniciativa privada, e passa a valer a lei do mais forte, onde quem tem mais poder de fogo se impõe sobre muitos outros.

Tem sido assim na Amazônia, onde o governo estimula, pela omissão, grileiros, madeireiros, grandes fazendeiros, a realizarem um desmatamento recorde, avançando sobre matas e áreas indigenas.
Tem sido assim na área do trabalho, onde o governo, gradativamente, promove mudanças na legislação, para retirar do poder público o papel de mediador das relações de trabalho, deixando a parte mais frágil, o trabalhador, a mercê da precarização e da exploração.

Tem sido assim na pandemia, onde o governo simplesmente se ausenta de coordenar um plano nacional de combate a ela, e, se não fossem estados e municípios, teríamos mortes em um número muito maior do que as quase 80 mil registradas até agora.

Aliás, neste aspecto, a omissão criminosa, aliada às teorias delirantes de cloroquina, vírus chinês, etc., farão com que a epidemia se prolongue por mais tempo, com mais mortes – um genocídio assistido e praticado pela omissão.

Por essa linha de raciocínio, seguiríamos colocando exemplos de inação em todas as áreas onde o governo se ausenta, propositalmente.

Mas creio que o que foi citado aqui basta, para que se perceba que a ação do governo Bolsonaro não é um desgoverno, e sim, um não-governo.

Uma ausência meticulosa, pensada e executada para que vigore na sociedade a lei do mais forte, com armas, sem mediação do poder público, e sem políticas públicas protetivas também.

Bolsonaro não veio para governar.

Mesmo se quisesse, não teria condição intelectual para isso.

Como ele mesmo disse, logo no início de seu governo, Bolsonaro veio se propondo a destruir “tudo isso daí”.

Para, no lugar do que for destruído, colocar AUSÊNCIA.

Liberdade total, sem mediação, anarcocapitalismo puro, faroeste, lei do mais forte.

! É o mais fabuloso não-governo do planeta !

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Paulo Schultz

O tempo não pára

Paulo Schultz

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em



Fim de 2020.

Hora do retrô…sem passar pano….

O que se viu por aí…..

Candidato marionete , gestado e bancado pelo poder econômico e pela turma do triângulo, ser vencedor, mesmo deixando claro que não conhecia até então parte substancial da cidade que irá governar.

Tendo, inclusive, que ler em debate, perguntas e respostas escritas previamente por sua assessoria, tamanho o despreparo da “criança”.

Quase 200 mil brasileiros mortos pela pandemia do coronavírus, e o governo do capitão Messias c….. e andando prá isso, e o próprio demonstrando quase que diariamente o quão asqueroso e pervertido se pode ser, e , como sempre, falando merda.

Um comportamento praticamente inacreditável dos bolsonaristas raiz, sendo contrários a qualquer vacina contra o covid, e defendendo de forma bizarra, patética e tresloucada a “santa cloroquina”.

Milhares de americanos imbecis fazendo protestos contra um suposto roubo ou fraude na eleição presidencial americana, onde seu “mito” Trump saiu derrotado.

! Sim, a imbecilidade contemporânea não é exclusividade dos bolsonaristas.

“Yes, nós temos gado também”, pensa Trump.

Filhos de Bolsonaro têm imóveis comprados com dinheiro vivo, praticamente uma confissão de movimentação financeira “não-contabilizada” – caixa 2.

Flávio Bolsonaro tem movimentação de milhões no esquema das rachadinhas, mas nada acontece – seu pai montou um esquema para blindá-lo, inclusive utilizando aparato público da ABIN.

O país fecha o ano com 14 milhões de desempregados, e com mais de 32 milhões de brasileiros vivendo de bico e/ou na precariedade do trabalho informal.

Em 2021, sob efeito de vários fatores, como o fim do auxílio emergencial, o quadro deverá ser pior.

Mais desemprego, mais precariedade, mais carestia, mais fome, mais miséria.

Violência de gênero e de raça aflora com força no país.

Sim, Bolsonaro conseguiu: despertou o que há de pior em uma parcela significativa da população.

Sentem-se autorizados a serem assim, pois a primeira figura do país os encoraja a mostrarem como de fato são.

Parte significativa dos brasileiros torna explícito que não são simpáticos, empáticos e nem bonzinhos – é maldade e preconceito na veia.

Ao invés de ajudar quem está sendo agredido, filma-se o “evento” , e deixa-se a barbárie acontecer.

É tempo da conivência ao vivo, e em rede.

Assim caminha a humanidade…

Tem muito mais ….

Um ano é um período de tempo complexo e extenso…

Em todos os aspectos da vida…

Não se esgota em um texto tudo isso…

Afinal, de tudo só se tem uma certeza: o tempo não pára.

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Paulo Schultz

? Como vai você hoje em dia….

Paulo Schultz

Publicado

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O emprego tá difícil .. o desemprego tá grande…
Viver de bico.. sem direito a nada… na precariedade… sem descanso… sem um mínimo de tranquilidade…

Se aposentar ficou pior… é preciso mais tempo.. para depois receber menos…

Comer também ficou complicado… custos em alta e renda em baixa…. alimentos básicos transformados em preço de mercadoria rara…

A saúde precarizou… e 2020 trouxe uma pandemia que daqui a pouco vai bater em 200 mil mortes no país… e junto com a pandemia… um pandemônio chamado Bolsonaro.

A fome voltou… A miséria que havia diminuído… tornou a ser a dura realidade de milhões..

Se vive um ambiente de não-governo…

Uma situação bizarra e bárbara… Como que estivéssemos numa sociedade de faroeste anarcocapitalista… cujo comandante é um perverso com perturbações evidentes…

Como vai você hoje em dia ?

? Como vão os milhões de brasileiros pobres, imensa maioria da população do país..

? Como vai uma parte da classe média…que empobreceu… mas não baixa a crista e nem move um dedo fora do seu mundinho egoísta…

O ano de 2020 fecha numa ressaca de várias coisas..

E é bom que todos os que puderem…

Olhem para sua vida há pouco tempo atrás…

Percebam o que tinham e não têm mais….

Não só de coisas materiais… Mas principalmente de dignidade humana e cidadania…

E ao fazer esse movimento… De ver o que está logo ali atrás e o agora…

Pense …de forma subjetiva, objetiva e sincera..

? Como vai você hoje em dia ?

Tem escolhas erradas que fazem efeito não só em quem erra ao cometê-las… Mas atingem a todos.. ou quase todos..

Não carregue um escorpião nas tuas mãos… A natureza dele é sempre te destilar veneno.

Vida que segue….

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Paulo Schultz

Perguntas curtas, respostas longas

Paulo Schultz

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Será que tem remédio prá funcionário público, seja professor, policial, ou seja de qualquer função, que nunca aprende, mesmo se lascando, e muito, com governos de partidos de centro direita que ele (ou ela) persiste em votar e eleger?

Será que tem possibilidade de mudança para uma quantidade gigantesca de pessoas das periferias das cidades, que persistem votando e dando poder a quem não sabe sequer onde fica o local onde essa gente mora dentro da sua cidade?

Sim, porque temos um exemplo local recentíssimo de um candidato vitorioso, que entrou em uma vila da cidade pedindo desculpas no microfone, por nunca ter estado ali antes, e por sequer saber onde esse local ficava dentro da cidade para a qual ele estava se colocando como candidato a governar.

Tem o que fazer com a maioria do povo da periferia da cidade de São Paulo, que insiste em votar e manter na prefeitura, sequencialmente, por longos anos, os tucanos do PSDB, que governam pautados pelos interesses do poder econômico da turma do alto da Avenida Paulista?

Tem como mudar o parâmetro de decisão de alguém que escolhe e vota tendo como fator determinante alguma coisa tosca ou ignorante?

Tem como transformar o espírito de patrimonialismo, egoísmo e preconceito da classe média brasileira?

Tem como dialogar racionalmente com um bolsonarista raiz ?

Tem como conceber que milhares de fiéis acreditem piamente nas palavras e manipulações de líderes pregadores do fundamentalismo religioso, que são, sem filtro, hábeis charlatões, vigaristas e ordinários rapineiros do dinheiro alheio ?

Tem como não se exasperar vendo que os rumos do país estamos sendo capitaneados por uma criatura abjeta, perversa e sem qualquer condição para ocupar a função onde está hoje?

Tem como aceitar a complacência e a passividade com que a maioria reage àquilo que é inaceitável e injustificável, do ponto de vista de qualquer governo, de qualquer esfera ?

Tem como fazer eleições no Brasil, sem que a vontade das pessoas seja determinada corrompida e alterada pela influência do poder econômico?

Tem como fazer enxergar que a consequência de uma escolha errada recai sobre todos, e não só sobre aqueles que fizeram esse erro ?

Como explicar que mais da metade das pessoas entrevistadas em uma pesquisa de opinião recente define que o governo federal não tem responsabilidade alguma sobre as mais de 180 mil mortes de brasileiros nessa pandemia do coronavírus?

Há muito mais a perguntar, a questionar, que não cabe em um texto só.

Mas, para finalizar, só mais uma pergunta:

Porque, em determinados momentos, a gente não deixa de lado a conveniência social, e chuta o pau da barraca, respondendo, falando a verdade e mandando pedra e espinho para implodir qualquer frágil e farsesca situação que gere algum desses questionamentos ?

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