O candidato da 3a via é…o capitão Messias – Portal Plural
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Paulo Schultz

O candidato da 3a via é…o capitão Messias

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Sabe esse pessoal que jura que votou no milionário João Amoêdo prá presidente em 2018 ?

Aliás, é tanta gente que disse que votou no Amoêdo que não sei como ele não foi para o segundo turno, ao invés do Bolsonaro.

A conta não fecha.

Bem, mas isso é uma mentira ordinária do passado.

O fato é que essa gente toda, agora, diz o seguinte:

“A gente é Fora Bolsonaro.”
“Na verdade, a gente é nem Bolsonaro, nem Lula.”
“A gente quer uma 3a via .”
“Mas, se a 3 a via não vingar, a gente, que é Fora Bolsonaro, vota no Bolsonaro de novo, pra não ganhar o PT, o Lula.”

” Entendeu ? ”

E aí nós, que não temos nada a ver com a estupidez dessa gente, dizemos…” Claro, entendemos” .

No fundo, sabe o que irrita esse gente ?

É a grosseria, a tosquice, a ignorância e a falta de compostura do Bolsonaro.

Se Bolsonaro fizesse tudo o que o seu governo faz, mas de maneira polida, estaria tudo bem prá essa gente toda.

A verdade é essa – simples assim.

Toda esta gente concorda que o estado seja mínimo.

Que estatais estratégicas sejam privatizadas.

Que a previdência seja reformada.

Que uma reforma administrativa seja feita, tirando a estabilidade dos funcionários públicos ( que não trabalham, na ótica desse povo).

Que políticas públicas de cunho social sejam minguadas ou extintas.

Enfim….

O problema dessa gente com Bolsonaro não é o conteúdo, em essência – é o método.

E como uma candidatura do PT detém uma fatia expressiva fixa do eleitorado, assim como Bolsonaro tem uma fatia fixa também, é pouco provável, para não dizer matematicamente pouco possível, que uma terceira candidatura vingue, do ponto de vista numérico em votos.

Aí é que a verdade aparece.

A turma da terceira via, que engloba tucanos e seus adjacentes, admiradores da direita Personnalité ( o Novo), e mais algumas tribos da direita liberal brasileira, terão de se haver consigo mesmo no espelho.

E dirão:

“Espelho, espelho meu, tirando a grosseria dele, quem é mais parecido com Bolsonaro do que eu ?”

Feita essa reflexão de identidade – sem sentir culpa, nem remorso…essa gente toda vai cravar Bolsonaro na urna eletrônica.

Afinal, eles terão a esperança rasa de que o capitão Messias poderá se ajustar à liturgia e à compostura do cargo.

E, mesmo que se saiba que isso não será real, valerá, no final, para eles, tentar evitar o PT.

Pena, pra esse povo todo, que o difícil é combinar essa ideia com a turma do andar de baixo.

A maioria dos brasileiros não está interessada em neoliberalismo e suas práticas.

O que a maioria quer é cidadania, emprego, oportunidades.

Mas, para a turma da terceira via, os interesses são outros.

Insistirão com uma candidatura mais palatável e requintada.

Mas, se ela não vingar, o pragmatismo fará o lógico – a terceira via será o capitão Messias.

” Meu umbigo acima de tudo”, pensarão.

Vida que segue.

Com todas suas matizes – cidadania ou anarcocapitalismo ou neoliberalismo Personnalité.

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Paulo Schultz

Ah….esses tucanos

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Os tucanos do PSDB decidirão, em poucas semanas, quem, da sua segunda geração de quadros políticos, Eduardo Leite ou João Dória, será o seu candidato a presidente em 2022.

Até aí tudo normal.

Tudo dentro do direito legítimo do maior partido da direita liberal brasileira de colocar o seu candidato para disputar a eleição presidencial do ano que vem.

A questão principal não é quem dos dois será o candidato.

A questão de fundo é outra.

A segunda geração de tucanos, representada pelas figuras de Leite e Dória, guarda uma diferença em relação à geração original e primeira dos tucanos – enquanto aqueles ainda tinham uma veia social-democrata, estes tem uma linha pura neoliberal.

Tanto Dória, quanto Eduardo Leite, tem em seus discursos e suas práticas de governo uma linha mestra de aplicação pura e fria do receituário neoliberal.

E sendo assim ambos, e
considerando o quadro de ruína econômica e social – principalmente social – do país que passou por dois anos e pouco de governo de Temer, e passará por quatro anos de governo de Bolsonaro, a pergunta que se coloca de cara é: seja um ou seja outro, o que de diferente eles têm a propor para o país, especialmente para os milhões de brasileiros que tem vivido em dificuldade e carência, maior ou menor ?

O que de diferente o PSDB tem a propor, já que foi, e é, parte ativa e corresponsável do quadro de ruína econômica e social que o país vem amargando de 2016 para cá?

Corresponsável sim, porque o PSDB participou do governo de Michel Temer.

Corresponsável, porque a quase totalidade dos projetos do governo Bolsonaro teve votos favoráveis dos deputados e senadores tucanos no Congresso Nacional.

Considerando essa participação e esse grau de corresponsabilidade na situação atual do país, e o perfil dos pré-candidatos tucanos, não há nada que os tucanos tenham a propor, que já não o tenham feito, com consequências ruins para a maioria da população do país.

Tanto Dória quanto Eduardo Leite brilham seus olhos para falar de reforma administrativa, realizar privatizações de empresas públicas estratégicas, e promover ajustes fiscais, independente do sacrifício de políticas públicas de cunho social, ou de desconcentração de riqueza.

Isso é o que faz ambos atingirem o Nirvana da sua satisfação política.

Na mesma intensidade desse gosto, vem a ausência de atenção e foco de ambos, no que diz respeito ao preço dos alimentos, ao preço dos combustíveis, às altas taxas de desemprego e informalidade, às demandas da agricultura familiar, à condição de queda de investimentos na educação pública, e assim por diante.

Quer dizer o seguinte:

O que faz João Dória e Eduardo Leite virarem os olhinhos de alegria e satisfação é aquilo que agrada ao mercado financeiro e os grandes detentores do capital.

Mas aquilo que diz respeito à vida da dona Joana que mora na periferia, ao Seu José que mora na favela, ou ao seu Raimundo que tem sua terrinha no interior (onde produz alimentos, e não commodities), isso não interessa em absolutamente nada a nenhum desses pré candidatos tucanos.

Ou seja: para a dona Joana, para o seu José, e para o seu Raimundo, Dória e Leite não têm nada que lhes interesse.

Nenhum deles está interessado em ajuste fiscal, reforma administrativa ou privatizações.

O negócio deles é trabalho, comida a preço acessível na mesa, filhos podendo ter a possibilidade de estudar, botijão de gás a preço justo, programas que ajudem a produção de alimentos da agricultura familiar, etc.

E para isso, nem Leite, nem Dória, têm palavra alguma que valha mais do que a prática de seus atuais governos.

É na prática do governo do Estado do Rio Grande do Sul e do governo do Estado de São Paulo, que as populações desses estados, bem como do restante do país, podem ver nitidamente o que importa e para quem eles governam, e com que objetivos.

Querer ser terceira via, querer ser novidade, quando na verdade os tucanos apenas são uma versão mais polida e dissimulada do mesmo projeto econômico que já está acontecendo no país com Bolsonaro – isso não vende, isso não cola, caros moços tucanos.

O que vocês têm para vender não é o que a maioria da população brasileira quer comprar.

Vocês não sabem nada da vida de quem sofre, da vida de quem tem ausência, da vida de quem tem carência, da vida de quem tem sua cidadania negada.

O mundo de sapatênis onde vocês pisam é outro.

Quando vocês aprenderem alguma coisa que sirva para a maioria dos brasileiros, quem sabe vocês consigam crescer.

Por enquanto, são apenas tucanos requintados e polidos, fiéis executores daquilo que o Deus mercado quer.

De resto, da vida dura do povo vocês não sabem nada.

Já dizia Lupicínio Rodrigues….

” Esses moços…pobres moços..
Ah! Se soubessem o que eu sei..
Não amavam, não passavam,
Aquilo que eu já passei….”.

Vida que segue, tucaninhos.

Nosso caminho é outro.

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Paulo Schultz

Apesar dos castigos

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Apesar de tudo que o país, e, em especial, a grande maioria do povo brasileiro tem sofrido, desde 2016 para cá, nós resistimos.

Apesar da fome, apesar do desemprego, apesar da precariedade, apesar da dureza, da aspereza, da morte, e da mão fria e invisível do mercado e seus operadores políticos, nós vamos resistir.

E nós não vamos só resistir – nós vamos enfrentar.

E nós não vamos só enfrentar – nós vamos impor uma derrota de projeto, uma outra construção de país- e dessa vez, espero, sem concertação.

Porque não deve haver concertação com quem não merece.

Há uma conta em aberto – e essa conta não é monetária.

É uma conta que diz respeito à dignidade, que diz respeito à cidadania, e que diz respeito, sobretudo, ao respeito à todas as formas de vida e de relação humana.

E essa conta nos é muito cara.

Porque quem produziu toda essa conta, vai ter que assistir quietinho ela ser zerada.

Sem concertação e sem arrego.

Depois do arranjo forjado da deposição de Dilma, e da instalação rápida de um processo destrutivo para muitos, e enriquecedor para poucos, tivemos que suportar mais.

Tivemos que ver se instalar um tempo sombrio, de mais destruição, de maneira mais bárbara, e não civilizada.

O espetáculo anarco comandado por um espantalho da morte.

E nesse tempo todo fomos vendo somente sofrimento e ausência para muitos.

E uma bonança inaceitável para muito poucos.

Esse tempo precisa, e vai acabar.

O Brasil há de renascer.

Vamos vencer o espantalho da morte.

E resgatar a cidadania de milhões.

Uma construção que não será fácil.

Mas que, justamente por não ser fácil, nos estimula a fazê-la.

Com todas as forças sociais protagonistas dessa resistência e da posterior reconstrução, e também com aquelas que porventura se derem conta de que aquele caminho tomado lá em 2016, e carimbado em 2018, é um caminho absolutamente errado, um caminho danoso, causador do que pode haver de pior.

O fato é que a gente cansou, não de resistir, mas de ver isso tudo.

Sabe aquela coisa…” a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte e, sobretudo, viver.”

Então… é isso.

Estamos por aí, querendo resistir, enfrentar, e começar um novo tempo.

Apesar dos castigos.. faremos, com firmeza.

Vida que segue.

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Paulo Schultz

Um paraíso infernal

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Ele prometeu. E cumpriu.

Quando o capitão Messias disse que,se vencesse as eleições, traria a liberdade,ele não estava mentindo – em parte.
Porque ele trouxe a liberdade.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio fazer chover agrotóxicos à vontade sobre suas imensas áreas.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio desmatar, queimar e avançar sobre áreas protegidas, com a complacência ou a omissão dos órgãos que deveriam coibir isso.

Ele deu liberdade para o agronegócio se armar de maneira ostensiva, e liberdade para usar esse armamento na defesa de seus interesses.

Armas acima de tudo, bala para cima de quase todos.

Também no quesito armamento, ele deu toda a liberdade que lhe foi possível dar até aqui.

Liberou quantidades e tipos de armas e liberou munição.

Liberdade, portanto, para milícias, e para os famosos “cidadãos de bem”, que podem andar armados e usar esse armamento na defesa de sua “liberdade”.

Uma liberdade individual que se sobrepõe a qualquer responsabilidade coletiva, e que se sobrepõe a qualquer regulamentação e mediação do Estado para proteger e preservar a vida humana e as relações entre as pessoas.

O capitão também deu liberdade para garimpeiros avançarem em atividades ilegais, inclusive dentro de áreas protegidas e áreas indígenas.

Em relação à áreas indígenas e quilombolas, o governo Bolsonaro estabeleceu uma política de fechar o olho e veladamente estabelecer o vale tudo.

Nestas áreas, conforme a liberdade prometida, é possível invadir, desmatar, queimar, explorar, ameaçar e matar.

Uma liberdade infernal.

Também há o estímulo à liberdade de comunicação e expressão.

E não importa que seja liberdade para ofender e ameaçar de morte, ou incitar fechamento de instituições pilares da República – como Congresso e STF.

Sobretudo o estímulo à liberdade para mentir de forma sequencial e difundir estas mentiras de maneira solta, sem qualquer regulamentação legal.

É mentira acima de tudo, e fake news prá cima de todos, para tentar convencer a muitos.

Liberdade para a política de preços dos combustíveis, executada pelo governo federal, que, ao estabelecer que a política de preços se guie pelo mercado internacional, faz com que o litro da gasolina esteja na faixa de R$ 7, e o litro do óleo diesel na casa dos R$ 5 .

O que automaticamente gera liberdade para aumento de custos, aumento de preços de maneira generalizada ( sobretudo de alimentos ), aumento de custo de vida, e, claro, ocasionando empobrecimento e miséria de milhões.

Liberdade também para o avanço das igrejas evangélicas prá cima da população mais vulnerável e fragilizada.

É fé fundamentalista e monetária prá cima de quase todos.

O Brasil está tendo a liberdade prometida por Bolsonaro, portanto.

Uma liberdade anárquica e violenta.

Sem mediação do Estado, e na base da lei do mais forte.

Quem tem o poder econômico e quem tem o poder das armas tem liberdade ampla.

Para os demais, como o próprio Bolsonaro diz, que “se adequem”.

Ele prometeu. E cumpriu.

Liberdade posta.

Um paraíso.

O paraíso de Bolsonaro e seus apoiadores – um paraíso infernal.

É como diz aquele meme..

“Queima, Jeová, queima ! ”

Infernal, não é mesmo ?

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